O comércio varejista de Manaus está apostando nas vendas natalinas que acontecem daqui a quatro meses. A expectativa dos dirigentes de classe do setor é que os negócios cresçam em torno de 12% no período – o mesmo nível obtido no ano passado em relação a 2007. As contratações de mão-de-obra temporária só devem acontecer a partir de outubro.
Injeção de recursos de R$ 46 milhões na economia amazonense fruto do adiantamento do 13º salário dos pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que começou a ser pago nesta semana, é vista com bons olhos por presidentes de entidades de classe do setor e economistas.
Para o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio, todo e qualquer fluxo monetário traz reflexos positivos para o comércio. Conforme o dirigente, apesar da expectativa de vendas estáveis em setembro, o movimento deve crescer em outubro por conta do Dia das Crianças, celebrado no dia 12 de outubro. “É comum haver uma retração comercial neste período do ano para os consumidores se prepararem para as compras de Natal e Ano Novo”, informou.
Antonaccio lembrou que a cada bimestre o comércio tem um ciclo de vendas, que beneficia alguns setores do varejo em detrimento de outros. Daí, segundo ele, a necessidade de cada lojista apresentar diferenciais como preços competitivos, prestações com parcelamentos elásticos e fazer promoções, entre outras estratégias comerciais.
O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ralph Assayag, disse que apesar do 13º ser um benefício pago todos os anos -o que não é uma novidade-, ajuda a incrementar os negócios, seja pagando as compras ou comprando de forma antecipada.
A expectativa de Assayag é que passada a fase de turbulência econômica, decorrente da crise financeira global, o consumidor se sinta encorajado a comprar mais, levando em conta que a Selic 8,75% ao ano ajuda a reduzir os juros cobrados nas prestações.
Novo alento
Ao avaliar a vantagem desse dinheiro (adiantamento do 13º salário dos pensionistas do INSS) para a economia amazonense neste momento pós-crise o economista e consultor empresarial José Laredo disse que o recurso vai com certeza aumentar as vendas do comércio varejista, porque os consumidores irão às lojas com mais dinheiro no bolso. Além disso, a arrecadação do Estado também deve aumentar porque as vendas elevam a emissão de notas fiscais, o que resultaria no recolhimento de impostos.
Uma terceira consequência decorrente do montante injetado é que poderá ocorrer a contratação da mão-de-obra. Com a demanda crescente alguns setores poderão se ver forçados a aumentar seus níveis de contratação já prevendo a evolução das vendas natalinas. “Essas são algumas das vantagens do dinheiro circulando”, avaliou Laredo.
Economista recomenda evitar parcelamentos
José Laredo recomenda ao consumidor que estiver pagando compras parceladas e adquiridas antes de setembro de 2008 -quando os juros eram mais elevados e variavam de 2% a 4% ao mês- aproveitar a sobra de recursos e se livrar dessas prestações.
“Hoje temos uma Selic de 8,75% ao ano, não cabendo mais ao consumidor continuar pagando prestações que estejam embutindo juros de até 4% ao mês”, explicou o economista.
Fazendo isso, recomenda o economista, o consumidor pode se livrar de juros contratados mais caros e passar a consumir produtos preferencialmente à vista. Caso isso não seja possível, o consultor empresarial lembra que os novos contratos a prazo estão sendo efetuados dentro de patamares de juros mais aceitáveis.
Outro problema que o consumidor tem que tentar corrigir, segundo o economista, é procurar analisar não somente se o valor da prestação cabe dentro do orçamento -o que a maioria das pessoas fazem- mas verificar se os juros embutidos na prestação estão compatíveis com o mercado. “Juros entre 1% e 1,5% ainda são aceitáveis, acima disso é uma exploração financeira que o consumidor tem que abrir a sua guarda para fiscalizar, sempre voltado para melhorar a sua saúde financeira”, alertou.
Na opinião do especialista, a tendência para este Natal é uma oferta de produtos mais baratos tanto dos importados por causa do câmbio (baixo) como os nacionais devido a oferta de crédito que está sendo retomada dentro de um patamar de juros mais saudáveis.







