Cientista propõe jardinagem para recuperar florestas

Em: 11 de setembro de 2009
Uma atividade simples como a jardinagem pode ser muito eficaz para a recuperação de áreas de floresta devastadas pela ação do homem
Uma atividade simples como a jardinagem pode ser muito eficaz para a recuperação de áreas de floresta devastadas pela ação do homem

Uma atividade simples como a jardinagem pode ser muito eficaz para a recuperação de áreas de floresta devastadas pela ação do homem. É o que afirma e mostra a cientista e ambientalista indiana Suprabha Seshan, que esteve na quarta-feira, 9, no Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), em Manaus, onde realizou uma palestra aberta ao público.
“Existe uma força na natureza e na terra, uma força curativa, uma força que os jardineiros aproveitam em seu trabalho. Nós sugerimos que a jardinagem, uma atividade relativamente simples e sem status, é um modo através do qual seres humanos podem participar na restauração e cura de paisagens torturadas e devastadas”, afirmou a cientista, logo no início da apresentação.
Seshan é uma das responsáveis pelo Santuário Botânico Guruluka (GBS), na Índia, que existe oficialmente desde 1981. Hoje tida como um tipo de reserva ambiental de uso comum, o espaço já foi uma grande área degrada em função do desmate ilegal e de intervenções mal-implementadas, como assentamentos e hidrelétricas, mas que vem sendo recuperado ao longo dos últimos 40 anos, a partir da iniciativa de um pequeno grupo de mulheres.
Segundo a cientista-ambientalista, o espaço que hoje corresponde ao GBS fica situado em regiões montanhosas da Índia conhecidas como “ghats”, que se estendem por mais de mil quilômetros e podem atingir 2,6 mil metros de altitude. “Estas áreas guardam pelo menos cinco mil espécies de plantas e outras mil de musgos e samambaias”, afirmou Seshan, lembrando que boa parte da flora do local é endêmica.
O trabalho de recuperação, chamado de Green Phoenix (“Fênix Verde”), é feito basicamente a partir do replantio e conservação de espécies nativas de plantas nas áreas devastadas, mas compreende ainda um grande esforço de conscientização das populações nativas no sentido de que se compreenda a importância da conservação da biodiversidade como forma de manter o equilíbrio entre homem e meio ambiente.
A iniciativa atrai a cada ano mais adeptos e está se estendendo a outras regiões da Índia que passaram por processos semelhantes de degradação. “Além do trabalho de recuperação propriamente dito, o projeto conta ainda com a colaboração de pesquisadores e cientistas, que passaram a se interessar pela iniciativa a partir dos resultados obtidos”, afirmou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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