O segmento motorizado do polo de duas rodas do PIM voltou a bater recordes no primeiro bimestre. O Polo Industrial de Manaus fabricou 280.991 motocicletas, gerando uma escalada de 14,9% sobre o patamar do mesmo mês do ano passado (244.620), na melhor marca para o período, em 11 anos. O menor número de dias úteis de fevereiro contribuiu para uma desaceleração mensal de 1,03%, de 141.224 para 139.767 unidades. Mas, houve alta de 14,8% ante igual intervalo de 2023 (121.703), coroando o melhor desempenho para o mês desde fevereiro de 2014.
Os emplacamentos alcançaram performance ainda melhor. As 279.683 unidades comercializadas no mercado doméstico nos dois primeiros meses do ano foram o ponto mais elevado para o subsetor desde 2008. Em contraste, a nota negativa veio novamente das importações. Os dados foram divulgados nesta segunda (11), pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares). A entidade manteve a projeção de fechar o ano com alta de 7,4% na produção e 1,69 milhão de unidades. As apostas de 2024 foram reafirmadas também para os emplacamentos (+7,5% e 1,70 milhão) e vendas externas (+6,3% e 35.000).
Em texto divulgado pela assessoria de imprensa da Abraciclo, o residente da entidade empresarial, Marcos Bento, avalia que os números refletem o “bom momento” da indústria de duas rodas. “Apesar do mês de fevereiro ter menos dias úteis, a produção de motocicletas apresentou um resultado bastante positivo. Isso comprova o esforço das fabricantes em aumentar a produtividade para atender a crescente demanda do mercado”, resumiu.
Durante a mais recente coletiva de imprensa, realizada em janeiro, o dirigente disse que a meta dos fabricantes é continuar crescendo nos próximos anos, para se aproximar gradualmente ao pico de produção de 2 milhões de unidades. Os potenciais entraves são os reflexos dos “conflitos globais” no aumento do preço do barril de petróleo/custo do frete; a regulamentação da reforma Tributária; e os impactos logísticos da mudança climática. “É um ano de eleição municipal, mas há uma retomada econômica, uma inflação mais estabilizada e geração de emprego e renda. E ainda há expectativa de continuidade na redução da taxa de juros”, ressalvou.
Varejo e exportações
O volume de motos do PIM comercializado no varejo interno encolheram 4,9% entre janeiro de 2024 (143.357) e fevereiro (136.326). A comparação com fevereiro do exercício anterior (100.613) apontou para uma decolagem de 35,5% e o maior número para o mês desde 2011. De janeiro a fevereiro, o polo de motocicletas da Zona Franca de Manaus produziu 279.683 motocicletas, 32,4% a mais do que o patamar atingido em igual acumulado de 2023. Essa foi a melhor performance para o período, desde 2008.
O Sudeste concentrou 38,1% (106.700) das vendas do acumulado dos dois primeiros meses de 2024. Na sequência estão o Nordeste (29,5% e 82.600), Norte (12,7% e 35.600), o Centro-Oeste (10,4% e 29.100) e o Sul (9,2% e 25.700). Desta vez, a maior taxa de crescimento veio dos Estados do Centro-Oeste (+37,9%), seguidos de perto pelos do Nordeste (+33,7%).
Motos de baixa cilindrada (até 160) representaram 79,5% (223.400) da oferta do bimestre. Os modelos de 161 a 449 cilindradas responderam por 18% (50.600) – e também a maior alta (+17,1%). Os veículos acima de 450 cilindradas contribuíram com 2,5% (7.000). A categoria Street respondeu por 48,6% dos licenciamentos (136.700), sendo seguida pela Trail (19,5% e 54.700) e pela Motoneta (16,8% e 47.100). Em torno de 64,7% (181.900) da produção do PIM é de modelos bicombustível (etanol/gasolina), e os 35,3% restantes (99.100) são movidos exclusivamente por gasolina.
Em contrapartida, as exportações, seguem em baixa. As vendas até cresceram 12,18% entre janeiro (2.496) e fevereiro (2.800). Mas, declinaram 12,8% frente ao mesmo mês de 2023 (3.200), contribuindo para um tombo de 29,2% no bimestre (5.286). Mas, a Abraciclo não informou quais foram os principais destinos da produção do PIM. Dados do portal Comex Stat revelam que, no acumulado, os principais mercados para a exportação de motocicletas ‘made in ZFM’ foram Argentina (US$ 9.85 milhões), EUA (US$ 4.26 milhão) e Colômbia (US$ 3.91 milhões), em uma lista de 17 países.
Reforço no otimismo
As principais montadoras do PIM também se mostram otimistas em relação ao mercado. Por intermédio de sua assessoria, o gerente de Relações Institucionais da Yamaha, Afonso Cagnino, disse que os números registrados no mês passado estão dentro do esperado. Segundo a Abraciclo, a multinacional japonesa manufaturou 27.073 motocicletas em fevereiro, alcançando alta de 16,12% sobre o dado de 12 meses atrás (23.315). No acumulado do ano), o incremento foi de 10,92%, com 59.204 (2024) contra 53.376 (2023) motocicletas. A empresa projeta alta de 7% na produção, em 2024.
“Passados os efeitos mais pesados da estiagem de 2023, a Yamaha conseguiu retomar o ritmo de produção, atendendo a expectativa planejada. Mesmo com apenas 19 dias úteis, conseguimos cumprir o planejado. A motocicleta é o veículo que melhor representa a mobilidade urbana, por seu ótimo custo benefício. Ademais, segue sendo um meio para suprir e complementar o transporte público, além do lazer na terra e no asfalto. As expectativas são de crescimento gradual, graças a um ligeiro aumento na oferta de crédito, possivelmente em função das mudanças nas regras de recuperação do bem”, afiançou.
A base de dados da Abraciclo informa que a Moto Honda a produção de motos avançou 15,69% em fevereiro (108.035). O bimestre somou 212.040 unidades e escalou 16,98%. “Tivemos o melhor resultado para fevereiro desde 2015. Para este ano, a Honda projeta um crescimento gradual e consistente, com um volume até 10% superior a 2023. A empresa mantém investimentos constantes para a qualidade do negócio no longo prazo e segue acreditando na relevância da motocicleta para a sociedade”, arrematou a montadora japonesa, por meio de sua assessoria de imprensa.






