A associação PanAmazônia deu prosseguimento à sua agenda de reuniões com os pré-candidatos à Prefeitura de Manaus, na noite desta quinta (25). Desta vez, a sabatinada foi a empresária, contadora, advogada e educadora, Maria do Carmo Seffair (Novo). A entidade sem fins lucrativos representa parte significativa do empresariado dos Estados amazônicos, e busca maior interlocução com os políticos que estão no páreo das eleições municipais das capitais regionais neste ano, além de apresentar a eles as expectativas e recomendações do setor produtivo.
Sem passagem anterior pela política, Maria do Carmo Seffair é mestre em Direito Processual pela USP e doutora em Direito pela PUC-Minas. Começou a trabalhar aos 15 anos e, há 22 anos, gere a Fametro, juntamente com o marido. O grupo está à frente também da Faculdade Santa Teresa, o novo Tropical Hotel Amazônia e a Santa Casa de Misericórdia/AM. Ela foi a terceira pré-candidata do pleito deste ano a ser ouvida pela PanAmazônia, sendo precedida pelo deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza), e pelo deputado federal Amom Mandel (Cidadania).
Única mulher a concorrer às eleições municipais de Manaus neste ano, Maria do Carmo Seffair está no páreo com mais oito concorrentes. Além dos três citados, e do atual prefeito David Almeida (Avante) –que busca reeleição –, também concorrem o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL); o presidente da Aleam e deputado estadual Roberto Cidade (UB); o ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT); e o também advogado Marcelo Amil (PSOL). Na conversa com os associados da PanAmazônia, a pré-candidata falou de sua vida empresarial e defendeu que o caminho para o desenvolvimento está na educação, empreendedorismo e valores familiares.
Educação e família
Maria do Carmo Seffair conta que trabalhou durante quase 17 anos na área contábil e financeira, seguindo a carreira do pai. Apaixonou-se pelo direito e mudou de profissão. “Depois que começamos a trabalhar com a Fametro, passei a dizer sempre que somos educadores do ramo empresarial. Consegui aliar duas coisas que gosto muito, porque a educação transforma de fato. Tudo que consegui sempre foi através de muito esforço, estudo e trabalho. Educação é o caminho da mudança. Não é à toa que os países mais desenvolvidos estão atrelados ao alto nível de educação”, explanou.
Falando um pouco mais de sua experiência, Maria do Carmo Seffair destacou que sua empresa é “genuinamente” familiar e está na fase de implantar governança organizacional, pensando na terceira geração. “Entre as empresas do Brasil, 90% são familiares. Respondemos por 62% do PIB e empregamos 72% da população. E ser família é muito importante”, afiançou. Apontou também que um dos triunfos e diferenciais da organização foi conseguir baixar os preços das mensalidades –sem abrir mão da qualidade –e estabelecer convênios com outras empresas.
A empresária também defendeu sua entrada na política, diante da “degradação pela qual vem passando o Brasil e o Amazonas”, especialmente nos últimos 20 anos. “Quem não gosta de política, infelizmente tem de ser governado por quem gosta. E a minha ideia é trazer para a política bons valores, além de gestores e pessoas preparadas e capazes de fazer a diferença. Está na hora de criarmos uma mudança, começando pela nossa cidade”, defendeu, acrescentando que o partido em que está foca no liberalismo, Estado enxuto e os valores do espectro ideológico à direita.
“Carregando o piano”
A empresária diz que Manaus conta hoje com alguns dos piores índices de acadêmicos, de educação e de violência do país, embora seja uma cidade-Estado, com 52% da população do Estado e 78% de seu PIB. Diante dos desafios, ela defende que o preceito da liberdade econômica é a chave para que a “população mais carente” tenha uma oportunidade para sair da pobreza e para que a capital apresente melhores indicadores.
“É difícil falar isso. Tenho percorrido as periferias, porque isso está atrelado à educação. Infelizmente, uma cidade que está hoje com o mais alto índice de favelização em todo o Brasil, e um povo sem acesso a coisas básicas, não tem como avançar. Mas, é muito difícil falar de liberalismo para quem não tem o básico. Mas, hoje, a gente está traduzindo isso em uma linguagem acessível, como elas vão mudar. A guerra é desigual, porque quem está nessa situação, muitas vezes se vende literalmente por qualquer cesta básica”, lamentou.
Maria do Carmo Seffair disse que um dos argumentos apresentados é o de que pagar mais impostos não representa necessariamente mais qualidade de vida. “Hoje, está claro que o excesso de impostos é até um estímulo à corrupção, porque o dinheiro não chega onde deve. Estamos entre empresários e sabemos como é difícil empreender no Brasil. Manaus está na situação que está e não é por falta de recursos: a cidade tem a quinta maior arrecadação de tributos. Precisamos entender que quem carrega o piano é o empresário”, afiançou, dizendo que o recurso é “alocado”, mas não “colocado no lugar certo”.
Maria do Carmo Seffair entende que, embora a presença do Estado seja importante na região, é importante estabelecer parcerias público-privadas para tocar a gestão municipal, principalmente nas áreas que considera mais importantes e críticas: educação e saúde. “Temos de trabalhar juntos. Nosso projeto, que está em andamento e sendo consolidado, tem esse olhar. Estamos buscando soluções inovadoras e tenho uma proposta de choque de gestão. Manaus não pode fazer as coisas separadamente, porque os problemas estão interligados. Temos de investir, fomentando microcrédito, incentivando parcerias”, recomendou, prometendo mais transparência e fazer Manaus “avançar 40 anos em 4”.
Diálogo sem posicionamento
Assim como no encontro anterior, a pré-candidata recebeu uma carta com uma agenda de 12 pontos considerados essenciais pela entidade para a agenda do futuro prefeito. A lista inclui eficiência da gestão pública; economia e retorno do investimento público; enxugamento da máquina administrativa; liberdade econômica e segurança jurídica; redução da carga tributária; celeridade na emissão de licenças; diálogo permanente com o setor empresarial; regularização de imóveis; tratamento equânime aos profissionais liberais no âmbito do ISS; regulamentação das APPs; restauração do Centro Histórico com inserção no turismo internacional; e obras para melhoria do trânsito e infraestrutura fluvial.
O diretor-executivo da Associação PanAmazônia, Belisário Arce, ressalta que a entidade não tem posição político-partidária e que seu espaço está aberto a todos os pré-candidatos que desejarem ter esse diálogo. “A Associação PanAmazônia não apoia nenhum candidato a nenhum cargo eletivo. Saliento, contudo, que defendemos, arduamente, dois objetivos institucionais. Um deles é a defesa e promoção dos ideais do liberalismo econômico. O outro é o direito inarredável das populações da Amazônia ao pleno desenvolvimento econômico. Com efeito, opomo-nos a quaisquer barreiras e constrangimentos à prosperidade regional e ao bem comum de nossa gente”, finalizou.






