As vendas das concessionárias amazonenses de veículos zero quilômetro ganharam ainda mais velocidade em abril. O volume comercializado acelerou 20,75% ante março –que teve dois dias úteis a menos –e passou de 6.492 para 7.839 unidades. A comparação com abril do ano passado (5.855) confirmou uma decolagem de 33,89%. O quadrimestre fechou com expansão de 18,41% e 26.520 veículos vendidos. Quase todas as categorias de veículos fecharam nos azul, com destaque para automóveis e comerciais leves, que alcançaram altas de dois dígitos em todas as comparações.
Manaus concentrou 76,59% (6.004) das vendas do mês e 78,42% (14.650) do ano. Os números são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que se amparou nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. Vale notar que os dados locais devem ser levados também sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento –que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado entre as fábricas do Centro-Sul e as concessionárias no Estado.
O Estado seguiu a média nacional. Abril registrou licenciamento de 410.560 veículos em todo o país, com escalada de 14,43% frente ao mês anterior (358.778), e uma escalada de 38,31% ante o mesmo mês de 2023 (296831). Com isso, o acumulado do ano (1.411.163) ficou 20,04% mais encorpado. Em comunicado à imprensa, a Fenabrave atribuiu o desempenho não apenas à quantidade de dias úteis, mas também a um ganho na média das vendas diárias do mês. Diante disso, manteve sua projeção de crescimento de 13,54% nas vendas para 2024.
Automóveis x motocicletas
Cinco das sete categorias listadas pela Fenabrave performaram altas no Amazonas, na variação mensal. O melhor desempenho proporcional veio da divisão minoritária de implementos rodoviários, que teve as vendas expandidas em 312,50% e 33 unidades comercializadas. Os demais dados positivos incluem comerciais leves (+29,17% e 744), automóveis (+21,47% e 1.895), motocicletas (+19,94% e 5.035) e caminhões (+10,96% e 81). Na outra ponta, “outros veículos” (-35,71% e 27) –como tratores, máquinas agrícolas e carretas –e ônibus (-30,56% e 25) deram marcha à ré.
Os desempenhos positivos foram ainda mais disseminados na comparação com o mesmo mês do ano passado, com resultados positivos em todas as categorias, de implementos rodoviários (+73,68%) a “outros veículos” (0%). No quadrimestre, cinco segmentos sustentaram vendas no azul: comerciais leves (+36,64% e 2.603), caminhões (+19,35% e 259), carros convencionais (+18,98% e 6.464), motocicletas (+16,55% e 16.821) e ônibus (+12,50% e 135). Somente implementos rodoviários (-30,34% e 101) e “outros veículos” (-4,20% e 137) foram na direção contrária.
Com isso, os veículos particulares de quatro rodas voltaram a diminuir a diferença em relação às motocicletas no ranking das categorias veiculares mais comercializadas no Amazonas, após anos em trajetória contrária. A participação das motos no bolo de vendas do Amazonas continuou predominante no acumulado do ano, mas caiu de 64,44% (2023) para 63,43% (2024). Pelo terceiro mês consecutivo, a soma dos automóveis e comerciais leves aumentou sua fatia na mesma comparação, com 34,19% (2024) contra 32,76% (2023).
Promoções e trocas
O presidente do Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos Automotores do Estado do Amazonas), João Braga Neto, se mostrou reticente aos números do Amazonas, apesar das altas. “Temos de levar em consideração os dias úteis a mais em abril, o que já é um ganho. Tivemos realmente uma melhoria de vendas, mas em função de promoções, feitas por todas as montadoras, para vender os modelos 2023/2024 e abrir espaço para os lançamentos 2024/2024 modelos novos. Isso também alavancou”, salientou.
O dirigente ressalta que o mercado ainda enfrenta dificuldades. “Esperávamos uma alavancada com a queda de juros, que seguem sempre a Selic. Mas, o crédito ainda está restrito no setor. Uma boa notícia é que as concessões estão sendo reguladas pelo CPF do comprador, e não mais pela média da região, como era antes. Isso beneficia os bons pagadores. A maioria da clientela é de pessoas trocando carro e não de novos compradores, mas graças a Deus temos todos os produtos para pronta entrega. O segundo semestre costuma ser melhor, vamos esperar”, ponderou.
Em entrevista recente à reportagem do Jornal do Commercio, o gerente da concessionária Via Marconi da Cachoeirinha, Antonio Carlos Lima, disse que o segmento atravessa uma “conjuntura de mercado esquisita”. O dirigente informou que as vendas da revendedora da marca Fiat não registraram variação significativa e que a dinâmica tem sido marcada por oscilações. “Tem mês que está lá embaixo, mas depois volta a subir, para parar tudo depois”, lamentou.
De acordo com o executivo, os juros mais amenos não estão sendo suficientes para sustentar a demanda e as fábricas estão “fazendo o possível” para garantir vendas, inclusive aceitar o carro usado do cliente no negócio e liberar bonificações no ‘trade in’. “Dentro das negociações envolvendo somente o próprio veículo novo, sem envolver trocas com usados, há bonificações que vão de R$ 2.000 a R$ 14 mil, como se fosse um desconto. É necessário conceder esses benefícios para equilibrar uma demanda que não está legal e uma produção que está normal. Caso contrário, as fábricas vão ter de conceder férias coletivas e reduzir turnos”, explicou.
“Momento favorável”
Em comunicado à imprensa, o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior, assinalou que o crescimento expressivo das vendas do segmento em todo o país se explica não apenas pelo maior número de dias úteis em abril (22) em relação a março (20), mas também pelo avanço de 4% na média diária de vendas, na mesma comparação. No entendimento do dirigente, os dados mais robustos do começo do ano permitem otimismo para os próximos meses, com o aquecimento sendo sustentado por maior disponibilidade de recursos para vendas a prazo e de modelos de veículos.
“Começamos 2024 confiantes em um crescimento sustentado e este primeiro quadrimestre confirma nossa expectativa. O momento mais favorável ao crédito e os juros mais contidos continuam tracionando o setor, especialmente, o mercado de automóveis e comerciais leves”, comemorou. “Este é o melhor resultado no acumulado dos quatro primeiros meses do ano desde 2014. Se tomarmos a média do período entre 2015 e 2023, o resultado de 2024 é quase 28% superior”, emendou.







