Participação de Lula na Assembleia da ONU foi frustrante, diz Marina

Em: 24 de setembro de 2009
De acordo com a senadora, ao tratar do golpe de Estado em Honduras, o presidente perdeu uma grande oportunidade de mostrar à comunidade internacional que o Brasil pode ser protagonista nos debates sobre desenvolvimento sustentável
De acordo com a senadora, ao tratar do golpe de Estado em Honduras, o presidente perdeu uma grande oportunidade de mostrar à comunidade internacional que o Brasil pode ser protagonista nos debates sobre desenvolvimento sustentável

Pré-candidata do PV (Partido Verde) à Presidência da República, a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (AC), chamou de “frustrante” a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que discursou na abertura da 64ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).
De acordo com a senadora, ao tratar do golpe de Estado em Honduras, o presidente perdeu uma grande oportunidade de mostrar à comunidade internacional que o Brasil pode ser protagonista nos debates sobre desenvolvimento sustentável.

Ação brasileira diminuída

“A falta de foco do nosso presidente acabou diminuindo a ação brasileira na ONU. O momento exigia que o Brasil fosse mais forte na questão do clima. Diante de todas as possibilidades de fazermos diferença nesse processo, acho que (a participação do presidente na Assembleia Geral da ONU) foi bastante frustrantepara quem esperava mais de Lula”, disse a senadora.
Marina -que já fora ministra do Meio Ambiente do governo Lula- disse que foi surpreendida com a defesa do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e da França, Nicolas Sarkozy, que enfrentaram a questão.
“O presidente francês Nicolas Sarkozy nem estava inscrito e pediu a palavra e o presidente americano Barack Obama teve uma fala forte sobre a responsabilidade do planeta”, afirmou.
O presidente do PV do Rio de Janeiro, vereador Alfredo Sirkis, reforçou as críticas. “Ficou uma lacuna do presidente Lula ao colocar na assembleia que está mais interessado em discutir a questão de Honduras. Não foi o momento mais feliz da performance do Brasil no mundo”, afirmou.
Durante sua participação de quarta-feira na ONU, o presidente Lula fez um apelo para que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, seja reconduzido à Presidência do país centro-americano.

Inviolabilidade da embaixada

O presidente Luiz Inácio pediu que a comunidade internacional fique atenta à “inviolabilidade” da embaixada brasileira na capital hondurenha, Tegucigalpa, onde Zelaya está abrigado desde a última segunda-feira.
O presidente brasileiro ainda tratou da crise financeira internacional e cobrou reformas em organismos internacionais como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.
“Meu país propõe uma autêntica reforma dos organismos financeiros multilaterais. Os países pobres e em desenvolvimento têm de aumentar sua participação na direção do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Sem isso não haverá efetiva mudança e os riscos de novas e maiores crises serão inevitáveis”, disse.
O último assunto abordado pelo presidente foi a necessidade de ações para reverter o aquecimento global. Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil chegará à cúpula sobre mudanças climáticas que acontece em dezembro em Copenhague, na Dinamarca, com “alternativas e compromissos precisos”.
“Aprovamos um Plano de Mudanças Climáticas que prevê uma redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020. Diminuiremos em 4,8 bilhões de toneladas a emissão de CO2, o que representa mais do que a soma dos compromissos de todos os países desenvolvidos juntos. Em 2009, já podemos apresentar o menor desmatamento dos últimos 20 anos”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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