As artistas plásticas e produtoras culturais Gisele Riker e Hadna Abreu, estão promovendo o curso ‘Planejamento, produção e execução de exposição’, no CAUA (Centro de Artes da Ufam). O interesse pelo curso foi tão grande que, em menos de dois dias de seu anúncio, as 60 vagas foram preenchidas. Mas, o que mesmo faz um produtor cultural? Nessa entrevista ao Jornal do Commercio, Gisele e Hadna explicam que trabalhar com produção cultural está sendo um bom negócio devido à necessidade de, cada vez mais, se profissionalizar a arte e a cultura para conseguir atrair público.
Jornal do Commercio: Como está o mercado para o produtor cultural, em Manaus?
Gisele Riker: Diria que está cada vez mais aquecido e com novas oportunidades, nos mais diversos segmentos. O segmento cultural, por exemplo, é um setor que tem movimentado muito a economia não só do município como também do Estado, de modo geral. E é nesse mercado aquecido e com o apoio das leis de incentivo, por exemplo, que muitos artistas e produtores têm buscado se profissionalizar e se qualificar cada vez mais.
JC: Para qual tipo de evento é imprescindível a atuação de um produtor cultural?
GR: São muitas as atuações de um produtor cultural, um profissional muito importante para o desenvolvimento de todas as atividades relacionadas à execução de um projeto, seja ele qual for: artes visuais, dança, teatro, música, então penso que para todos esses segmentos ter um profissional capacitado e que entende as necessidades do gestor ou proponente, da equipe de trabalho, como um todo, é imprescindível.
JC: Do início ao fim, qual é o trabalho do produtor cultural?
GR: Literalmente, ele atua do início ao fim de qualquer projeto. O produtor cultural atua, principalmente, como um intermediário entre artistas, instituições, patrocinadores e o público, buscando viabilizar e promover atividades culturais de diversas naturezas. O trabalho desse profissional/trabalhador da cultura envolve uma série de etapas, que vão desde a concepção da idéia até a sua realização propriamente dita.
JC: Vocês estão promovendo o curso ‘Planejamento, produção e execução de exposição’. Por que apenas exposição e qual tipo de exposição?
Hadna Abreu: Na verdade, o curso busca quebrar também a ideia de que exposição é apenas exposição de artes visuais, porque isso não é verdade. Existem muitas outras possibilidades, naturezas e classificações, como por exemplo, exposição histórica, comemorativa, de objetos de antiguidade ou de música, e muito mais. No curso iremos fazer esse panorama, apresentar novos conceitos, tirar dúvidas, mostrar um pouco dos bastidores das nossas próprias exposições, e compartilhar bastante as nossas vivências e experiências na cena das artes em Manaus.
JC: O artista, em si, não sabe se produzir, por isso a importância do produtor cultural. É isso?
HA: Não necessariamente. Com o dinamismo que é intrínseco à própria cultura, é cada vez mais comum que os artistas também atuem como produtores, gestores e exerçam novos papeis ou funções. Eu e a Gisele somos muito assim, tanto que já trabalhamos juntas em vários projetos com papeis diferentes, não só o artístico, e isso sempre deu muito certo com a gente. É bem verdade que nem sempre essa múltipla atuação é viável ou estrategicamente interessante para o projeto, porque apesar de lidarmos com arte e criatividade, também não estamos isentas dos papeis institucionais, que é mais burocráticos mesmo, e também é uma competência do produtor executivo, mas no nosso caso, temos não só exercido funções como a de produtoras culturais, como temos nos desafiado a compreender mais esses diversos lugares que um artista também pode ocupar.
JC: O seu curso é bem abrangente. Fale, no geral, sobre o básico que se precisa saber para ser um produtor cultural.
HA: O curso se dedica mais à produção, planejamento e execução de uma exposição, seja ela qual for. Nosso foco é apresentar novos caminhos, ferramentas, conceitos, oportunidades para estudantes, profissionais, e outros, serem capazes de dominar todos os processos necessários para entregar uma exposição de qualidade e que desperte o interesse no público.
JC: Pretendem realizar outros cursos, já que este foi um sucesso de participantes?
HA: Com certeza, principalmente que sejam oportunizados através de mecanismos das leis de incentivo à cultura, como a LPG (Lei Paulo Gustavo), para que possamos contribuir cada vez mais para com o acesso e a democratização da arte, da cultura e do campo vasto e diverso de formação profissional e de trilhas de informação e conhecimento.








