O presidente da Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas), Pedro Falabella, afirmou que a agência passa por uma boa fase e que fechará 2009 com um saldo de aproximadamente R$ 100 milhões em financiamento. “A Afeam, nos últimos quatro anos e meio, saiu de R$ 46 milhões em financiamento para R$ 100 milhões. Desse montante, R$ 30 milhões estão sendo investidos no PIM (Polo Industrial de Manaus), especialmente no atendimento aos polos termoplástico e de duas rodas”, destacou. O maior volume obtido pela entidade até então tinha sido registrado em 2005, ano que rendeu R$ 70 milhões.
No encontro com o presidente do Jornal do Commercio, Guilherme Aluízio, ele falou sobre as experiências obtidas durante viagem a China, no mês passado, junto a empresários da região e de outros Estados. O intercâmbio contou com uma comitiva formada por dez representantes amazonenses. O Sebrae/AM (Serviço Brasileiro de Micro e Pequenas Empresas do Amazonas) foi o promotor, pelo Estado, da iniciativa.
De acordo com Falabella, o ramo da construção civil e têxtil no oriente é forte e o primeiro custa em média um terço do equivalente americano. Esses equipamentos e máquinas, disse ele, poderiam ser fabricados em Manaus. “É um mercado que precisamos explorar mais. Em Macau, divulgamos as vantagens de se investir na Zona Franca. Precisamos trabalhar melhor as possibilidades de atrair empreendimentos da China para o PIM e não apenas comprar os produtos chineses”, afirmou.
A viagem foi importante porque possibilitou que os empresários vislumbrassem nichos de mercado de interesse para cada região. O destaque foi para a importação, no ato, de blocos de concreto, tecidos e máquinas em geral. Entre os segmentos de maior interesse do mercado chinês está o de duas rodas, que já é um polo consolidado em Manaus.
No interior
Falabella disse que os pecuaristas do Estado tiveram sua produção fortemente afetada neste ano devido a falta de área para pastagem. Em uma contrapartida do governo estadual, a Afeam entrou com R$ 12 milhões revertidos na compra de ração para gado, medicamentos e sais minerais, a juros de 6% ao ano.
Outra frente de fomento executada, nesse caso a médio e longo prazo, é o Programa de Fomento à agricultura familiar do interior do Amazonas, Plantar o Futuro, por meio do qual a Afeam incentiva o cultivo de três culturas. “A primeira cultura é a mandioca, a segunda é a cultura com ciclo médio, que leva em média de dois a três anos para produzir e que deverá atender ao mercado, onde entram as frutas como acerola, açaí etc. A terceira cultura é de ciclo longo, de onde justamente o produtor tira a sua aposentadoria”, explicou Falabella.
No setor primário a Afeam disponibilizou recursos no Amazonas tanto para pequenas atividades agrícolas (agricultura familiar) quanto para avicultura, pecuária, citricultura e piscicultura. No setor secundário, foram beneficiadas as mais diversas atividades, como agroindústrias, beneficiamento de borracha, alimentos e setor plástico, entre outos. No setor terciário, pequenas atividades como confecção, mercearias, serviço de táxi, feiras e farmácias, além de profissionais liberais, foram financiados, assim como grandes financiamentos foram concedidos para laboratórios, óticas, hotéis, empreendimentos turísticos etc.
Novidades para 2010
Em março do ano que vem, a Afeam inaugurará uma fábrica de Juta no PIM, em parceria com o Grupo Guerreiro. Linho e outras fibras serão misturados à malva de modo a conferir um aspecto mais nobre ao tecido. A ação conta com um volume de R$ 9 milhões em investimentos.
Questionado sobre o papel desempenhado hoje pela Afeam, que seria o de substituir o antigo BEA (Banco do Estado do Amazonas), privatizado em 2000, Falabella disse acreditar que a instalação de medidas provisórias, à época, que autorizaram a criação das agências, tiveram como objetivo amparar os trabalhadores autônomos, produtores rurais e microempresários. “A ideia é dar chance de os pequenos se instalarem e consolidarem suas produções sem descartar a importância dos grandes empresários”, ressaltou.
A agência trabalha com linhas específicas para o fomento estadual, contando com recursos do FMPES (Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e ao Desenvolvimento Social do Estado do Amazonas) e do FTI (Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviço e Interiorização do Desenvolvimento do Estado), com recursos de repasses (BNDES e Finame) e ainda com recursos próprios.
A diferença básica em relação à política federal está nos volumes e prazos de financiamento, visto que as taxas de juros são muito parecidas. Por dispor de uma quantidade menor de recursos, o foco da Afeam são os micro e pequenos empreendedores. Apesar disso, a agência também atende a médios e grandes projetos no Estado com apoio financeiro através de seus recursos próprios ou de repasse, tanto na capital quanto no interior.






