Muito mais do que uma empresa produtora de mudas, a Magnus Amazônia é um projeto inovador que une ciência, tecnologia e compromisso ambiental com o objetivo de transformar a Amazônia em um polo estratégico da biotecnologia, conforme explicou Daniel da Silva, ao Jornal do Commercio, na entrevista a seguir.
Jornal do Commercio: Quem teve a ideia, e por que, de criar uma empresa que produz mudas de árvores?
Daniel da Silva: A ideia nasceu da nossa experiência acadêmica e de campo. Eu e o Messe Elmer Torres da Silva, sócios-fundadores, atuamos há dez anos com biotecnologia vegetal e sempre nos deparamos com um problema recorrente: a escassez de mudas de qualidade para reflorestamento, sistemas agroflorestais e cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia. Percebemos que muitos produtores, empresas e até programas governamentais enfrentavam, e enfrentam dificuldades para obter mudas saudáveis, com alto índice de sobrevivência e adaptadas ao bioma amazônico. Então, decidimos unir ciência e inovação para criar uma biofábrica de mudas, trazendo tecnologia para o setor e ajudando a fortalecer a bioeconomia regional. Assim, em abril de 2023, fundamos a Magnus Amazônia Biotecnologia Vegetal, uma biofábrica inovadora, especialmente na cultura de tecidos vegetais para a propagação e conservação de espécies nativas.
JC: Vocês têm algum tipo de incentivo público municipal, estadual ou federal?
DS: Contamos com o apoio da Incubadora de Empresas da Universidade do Estado do Amazonas, que nos permite desenvolver nossas atividades operacionais em um ambiente de pesquisa avançado, além do Laboratório de Silvicultura Tropical e Tecnologias do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Também fomos contemplados por programas de fomento à inovação, como o Programa Centelha 2 (Fapeam/Finep), Inova Amazônia, Sebrae, Sinapse da Bioeconomia, Conecta Startup Brasil e mais recentemente o RHAE/CNPq (Pesquisador na Empresa). Além disso, conquistamos o selo de Startup Acelerada pelo programa InovAtiva Brasil, consolidando o nosso negócio na bioeconomia regional.
JC: Que mudas vocês produzem? É somente de árvores?
DS: Nosso foco é a produção de mudas clonadas de espécies nativas da Amazônia, utilizando técnicas avançadas de micropropagação em biorreatores de imersão temporária. Trabalhamos com árvores de alto valor econômico e ecológico, como jucá, pau-rosa e sucuuba, além de culturas estratégicas como banana pacovan, curauá e orquídeas.
JC: Explique como é o processo para se conseguir as mudas. Produzem quantas por mês?
DS: Nossa produção ocorre em um laboratório de cultura de tecidos vegetais e depois passam por um período de aclimatação antes de serem entregues. Utilizamos técnicas de biotecnologia para multiplicação de plantas em ambiente controlado, garantindo mudas com alta qualidade genética e livres de patógenos. Atualmente, temos capacidade para produzir até 20 mil mudas in vitro e 10 mil mudas em viveiro por mês, distribuídas em dois viveiros estruturados, que totalizam mais de 200 m² de área e contam com sistemas de irrigação e sombreamentos adequados para diferentes espécies.
JC: Quem são seus clientes?
DS: Nossa carteira de clientes é diversificada, incluindo desde pequenos produtores rurais até grandes empresas do setor agroindustrial e florestal. Incluem fazendas, sítios, cooperativas, indústrias que utilizam óleos essenciais e até empresas que precisam compensar impactos ambientais. Já firmamos parcerias com instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e a Universidade do Estado do Amazonas, além da empresa Amazon Porridge, que investe em inovação na bioeconomia.
JC: Existem outras empresas nesse mesmo segmento no Amazonas? Qual foi a maior venda que já fizeram e onde as mudas foram utilizadas?
DS: Sim, existem outras empresas no segmento de biotecnologia vegetal na região, mas a Magnus Amazônia se diferencia pelo uso de técnicas inovadoras, como a produção de mudas clonadas e o desenvolvimento de protocolos exclusivos que garantem mudas mais saudáveis e com maior taxa de crescimento, nos posicionando de forma estratégica no mercado. Atualmente, temos recebido diversas solicitações importantes em escala regional e nacional. Entre as principais demandas, está a produção de 75 mil mudas de curauá mensalmente, outra solicitação para 400 mil mudas da mesma espécie, além de 50 mil mudas de banana pacovan por mês, destinadas a empresas dos setores têxtil e alimentício.
JC: Qual a meta de vocês nos próximos anos? Vão ampliar o portfólio de espécies? Com quais espécies?
DS: Nosso objetivo ao longo prazo é expandir a produção e alcançar toda a Amazônia Legal, consolidando a Magnus Amazônia como referência em biotecnologia aplicada ao setor agroflorestal. Também estamos desenvolvendo novos protocolos de cultura in vitro para espécies frutíferas, florestais e medicinais, ampliando nosso portfólio e fortalecendo a conservação da biodiversidade amazônica. Nossa missão é produzir mudas de alta qualidade com características desejáveis para atender às demandas do setor agrícola, florestal e ornamental.
Informações: https://www.instagram.com/magnusamazonia/








