O déficit da balança comercial do PIM (Polo Industrial de Manaus) manteve a trajetória de redução em outubro, reflexo da recuperação mais rápida das exportações em relação as importações, após as quedas que ambas sofreram no período de crise. A expansão forte da demanda interna fez o cenário industrial de outubro reduzir o saldo negativo em 14,26% em relação ao de setembro.
A diferença entre o volume de entrada e de saída, contudo, se manteve expressiva no período. As importações da indústria local atingiram US$ 5.03 bilhões enquanto as exportações chegaram aos US$ 672.80 milhões no acumulado dos dez primeiros meses, segundo a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).
De acordo com a autarquia, responsável pelos dados do comércio exterior, o recuo pelo terceiro mês consecutivo fez esse déficit da balança comercial fechar em US$ 4.36 bilhões no acumulado de dez meses. Em igual ao período do ano passado, ainda de acordo com a Suframa, essa diferença entre importações e exportações atingiu US$ 6.34 bilhões.
A titular da autarquia, Flávia Grosso, garantiu que os indicadores industriais continuam dando fortes sinais de recuperação, o que leva à estimativa de que os números do setor irão aproximar-se dos resultados históricos observados no ano passado. “Tivemos uma recuperação expressiva no faturamento e na mão de obra. São resultados que devemos comemorar, mas temos a expectativa de que o polo continuará ainda melhorando seu desempenho e o balanço de 2009 será extremamente positivo. Mesmo com os efeitos de uma crise econômica sem precedentes, estamos caminhando possivelmente para o segundo melhor ano da história do PIM”, afirmou.
Bases fracas
Refletindo sobre o aquecimento da demanda doméstica divulgada pela Suframa, a economista Pricila Almeida explicou que a variação das exportações suplantou a das importações. A despeito de ambas terem ficado abaixo dos números registrados no mesmo período de 2008 (-34,14% e 31,59% respectivamente). Todavia, segundo a especialista, com as bases fracas de comparação daqui em diante, é de se esperar que as importações voltem a crescer em termos anuais nos próximos meses, suplantando o valor percentual das vendas para o exterior.
Em nota ao Jornal do Commercio, Priscila Almeida afirmou ainda que diante das fortes entradas de recursos externos, o real se apreciou de maneira intensa no período pós-crise, o que já incentivaria a reversão gradual do déficit com aumento das exportações. “Este movimento tem sido amplificado pelo diferencial de crescimento entre a economia brasileira e mundial que deve se acentuar nos trimestres seguintes, dada a aceleração da absorção doméstica e o ainda apático desempenho econômico das regiões mais desenvolvidas (EUA, Europa e Japão)”, considerou.
No entendimento do professor Álvaro Smont, doutor em economia pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), em uma visão simplificada, a teoria econômica aponta que o desempenho das importações locais como no restante do país, é afetado pela taxa de câmbio (inversamente) e pelo crescimento do mercado interno, enquanto a venda para o mercado externo depende da taxa de câmbio (diretamente) e do crescimento do resto do mundo. “Os números da Suframa mostram que o comportamento atual e esperado para estas variáveis sinaliza uma clara tendência de continuidade da redução do déficit da balança pelos próximos três meses”, finalizou.







