Dança, uma linguagem poderosa

Em: 10 de julho de 2025
Pela primeira vez o Espaço Cultural Muiraquitã receberá, em suas oficinas de dança, pessoas com deficiência auditiva.
O Grupo Eco da Sapopema realiza oficinas semanais gratuitas no Espaço Cultural
O Grupo Eco da Sapopema realiza oficinas semanais gratuitas no Espaço Cultural

Oficinas de danças são comuns, mas esta que iniciará no dia 22 de julho, terça-feira, agregará uma ação social a mais. Deficientes auditivos poderão participar, pois haverá uma intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) exclusiva para eles durante todas as aulas.

As oficinas, realizadas pelo Espaço Cultural Muiraquitã, serão gratuitas e as inscrições estão abertas até o dia 18, sexta-feira. As vagas são limitadas. São resultado de uma parceria com a FaArtes (Faculdade de Artes da Ufam) e com a Prefeitura de Manaus, por meio da Pnab (Política Nacional Aldir Blanc).

“O Espaço Cultural Muiraquitã é um local de resistência cultural que atua há mais de 16 anos, em Manaus, com foco nos artistas locais e independentes. Desde sua formação, em 2009, manteve as portas abertas para o desenvolvimento de oficinas residentes, como as de Maracatu de Baque Virado, do Grupo Eco da Sapopema; e não residentes, como as de instrumentalização e confecção de instrumentos sustentáveis, carimbó, capoeira e samba. Atualmente, o Espaço está se preparando para a realização da sua primeira oficina de dança”, falou Fernanda Rodrigues, gestora do EC Muiraquitã.

A oficina é aberta a professores da rede pública e privada, estudantes e à comunidade em geral, com o objetivo de reunir diferentes públicos em torno da valorização cultural por meio da dança. As aulas acontecerão mensalmente ao longo de 12 meses, sempre das 12h às 14h, na FaArtes (Campus Universitário – Setor Norte – Bloco Nivaldo Santiago – Coroado).

“Não é a primeira vez que trabalhamos com deficientes auditivos. O Espaço Cultural já desenvolveu rodas de conversa e também interpretação em Libras, em eventos musicais. No entanto, é a primeira vez que buscamos desenvolver oficinas que tenham como um de seus focos a comunidade surda. Apesar de nosso Espaço ser frequentado por muitas pessoas da Ufam, também é a primeira vez que trabalhamos em parceria”, contou.

 

Olhar para os tímidos

Algumas pessoas nascem com talento natural para a dança, outras se esforçam e aprendem, mas existem aquelas que querem dançar, mas a vergonha as ‘trava’ e o desejo de aprender fica apenas na vontade. As oficinas de dança do EC Muiraquitã terão um olhar especial para os tímidos.

“Qualquer pessoa poderá participar das oficinas, pois acreditamos que o entendimento do corpo, por meio da dança, é libertador. As amarras e travas podem ser quebradas e trabalhadas buscando autocuidado corporal, num misto de cuidado mental e físico”, avisou. 

As oficinas terão foco em ritmos nacionais como carimbó, boi-bumbá, samba, forró e brega, além dos latinos cumbia, bachata, salsa, entre outros. 

Os responsáveis pela condução das oficinas serão os professores Dani Colares e Mariel Acácio, artistas com sólida trajetória na dança e no ensino artístico. Para Dani, o projeto vai além da técnica.

“A dança é um convite ao encontro. É corpo, presença e expressão. Nossa proposta é criar um espaço onde todos, surdos, ouvintes, iniciantes ou experientes, possam se sentir acolhidos, livres para se movimentar e compartilhar suas histórias. Cada ritmo carrega uma identidade, uma memória, e queremos que cada pessoa se reconheça nesse processo”, disse.

Já a interpretação em Libras será feita por Joyce Medeiros, profissional com experiência em ambientes educacionais e culturais, que reforça a importância da acessibilidade como direito.

“A presença da Libras garante que a comunidade surda não apenas acompanhe, mas participe plenamente. Essa oficina é sobre dançar, sentir e ser reconhecido. Quando tornamos a arte acessível, todos ganham”, afirmou.

“A dança é uma linguagem poderosa, mas para ser verdadeiramente inclusiva, precisa acolher as diversas formas de expressão. Ter Libras presente em todas as aulas é o que garante que a comunidade surda também possa viver essa experiência de forma completa”, informou Fernanda.

 

Eco da Sapopema 

Ao longo do ano o Espaço Cultural Muiraquitã mantém a agenda cheia com oficinas semanais gratuitas de maracatu realizadas pelo Grupo Eco da Sapopema; oficinas de dança mensais na Ufam; eventos artísticos com bandas autorais e não autorais no Espaço; exposições e feiras criativas, sempre com foco na valorização da cultura local, da economia criativa e da diversidade amazônica. As atividades do Muiraquitã são divulgadas no Instagram @muiraquitacultural

O Grupo Eco da Sapopema é um grupo de maracatu de baque virado, ritmo originário de Pernambuco, surgido em 2009, em Manaus, que tem se dedicado à celebração e difusão dessa manifestação cultural em eventos pela cidade.

Informações: (92) 9 8124-3833

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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