Fãs de HQ já podem agendar mais um lançamento deste gênero que tem feito cada vez maior sucesso entre crianças, jovens e adultos manauaras. No sábado, 27, às 17h, o quadrinista Eunuquis lança seu novo trabalho: ‘Weregü’, em conjunto com a roteirista Fernanda Costa. O evento acontecerá na Galeria do Largo, no Largo de São Sebastião e é aberto ao público.
“Já tenho mais de 16 obras lançadas. Entre elas estão ‘Fronteira’; ‘Inmigrante’, que retrata a imigração venezuelana para o Brasil através de Pacaraima’; ‘As aventuras de cunhã’, criada este ano para a ex-BBB Isabelle Nogueira, com ilustrações minhas e roteiro da Fernanda, e a mais recente, esta, ‘Weregü’, que em língua tukano significa ‘contador de histórias’. Cada projeto tem sua identidade, mas todos carregam a essência da Amazônia e a valorização de narrativas que falam sobre quem somos”, explicou Eunuquis.
Um personagem que sempre está presente nas HQs de Eunuquis é o menino Caboquinho, desta feita acompanhado de seu colega autista, Café.
“O Caboquinho é o personagem mais emblemático de minha trajetória. Criado por mim, em homenagem ao meu filho Kevin, hoje adulto, e às crianças da Amazônia, ele representa coragem, inocência e resistência cultural. Com forte ligação com a floresta e às tradições, tornou-se um elo entre a fantasia e a realidade, encantando tanto o público infantil quanto o adulto”, falou.
Eunuquis e Fernanda desejam lançar ‘Weregü’ em toda a Amazônia. Já fizeram o primeiro lançamento no Maranhão, terra de Fernanda e, a partir de Manaus, pretendem partir para outras cidades.
“É um presente para nós, nosso primeiro trabalho particular, que agora chega a Manaus. Amamos ter feito esse trabalho que, além de falar das nossas raízes culturais, destaca nossos filhos como personagens da história, junto com um amigo autista, o Café. É uma HQ que está recheada de belas cenas e uma história que vai conquistar todos os leitores”, avisou.
“É um mergulho na ancestralidade e na oralidade amazônica, trazendo uma narrativa de aventura, mistério e identidade. É um convite para refletir sobre o poder da memória coletiva, da preservação da floresta e da força das nossas raízes”, completou Fernanda.

Missão Manaus
16 HQs depois, Eunuquis revela que a vida de um quadrinista baré é cheia de desafios, que vão muito além do ato de desenhar ou escrever.
“Precisamos, além de desenhar, divulgar, produzir, distribuir e muitas vezes vender diretamente as obras. Ser quadrinista, em Manaus, exige resiliência e criatividade para viabilizar cada projeto. O apoio de editais culturais, parcerias e do público leitor é essencial para que essas HQs se tornem realidade”, revelou.
Muitos quadrinistas do Amazonas, que querem viver da sua arte e fazer fama em grandes estúdios, vão embora para o Sudeste, mas Eunuquis acredita que ficar em Manaus também tem suas vantagens.
“Ir para o Sudeste pode abrir portas, mas acredito não ser o único caminho. Permanecer na Amazônia também é uma forma de resistência, pois é daqui que nascem histórias únicas, que não poderiam ser contadas em outro lugar. Mostrar que é possível produzir quadrinhos de qualidade a partir de Manaus é parte da nossa missão”, afirmou.
“Estamos no caminho para transformar Manaus num polo de produção de HQ’s. Manaus tem talentos criativos e histórias originais para compartilhar. O que falta é incentivo estruturado, políticas públicas voltadas ao setor, mais espaços de circulação e maior valorização do público leitor. Com esses pontos fortalecidos, a cidade pode se consolidar como um polo nacional de quadrinhos”, garantiu.

Para os iniciantes
A parceria entre Fernanda e Eunuquis tem dado certo porque enquanto ela roteiriza as histórias, ele as desenha.
Além de roteirista, Fernanda é designer e social media, com atuação em diversas HQs e projetos culturais. Assinou o roteiro de ‘As aventuras de cunhã’, e é coautora de ‘Weregü’. Participou da produção da HQ ‘Inmigrante’, além de realizar trabalhos em parceria com a UEA e outros colaboradores, sempre voltados à valorização da cultura amazônica e à criação de narrativas originais.
Eunuquis já tem vasta experiência no universo das HQs, incluindo projetos para Manacapuru, Tefé e Maués, realizados em parceria com a UEA. Sua HQ ‘Fronteira’ recebeu o Prêmio Mapinguari de Quadrinhos e garantiu destaque nacional, rendendo também uma indicação ao Prêmio HQ Mix, considerado o Oscar dos quadrinhos brasileiros.
Os dois aproveitaram para mandar um recado para aquelas pessoas que desenham e têm vontade de produzir HQs.
“Devem começar já, mesmo que de forma simples, não esperem as condições ideais: façam uma tirinha, um conto ilustrado, publiquem online. Hoje, as redes sociais permitem dar visibilidade a trabalhos autorais”, informou Eunuquis.
“E, acima de tudo, contem histórias que realmente toquem vocês, porque é isso que as conecta com o leitor. Parcerias com quem já tem trabalhos realizados também são fundamentais nesse caminho”, finalizou Fernanda.







