Pouca gente sabe, mas o PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) é o principal instrumento de crédito rural destinado ao pequeno produtor brasileiro. É por meio dele que milhares de agricultores financiam produção, equipamentos, sementes, adubos, máquinas e melhoria da infraestrutura rural — tudo com juros baixos e prazos longos, voltados a gerar renda, segurança alimentar e desenvolvimento local. Em estados onde o programa funciona, o PRONAF transforma comunidades, movimenta cooperativas e fortalece o campo. Mas no Amazonas, o desempenho continua vergonhoso.
Os números falam por si. No ano passado (2024), Rondônia aplicou R$ 2,43 bilhões em crédito do PRONAF — 34 vezes mais que o Amazonas, que destinou apenas R$ 71,9 milhões. O Pará, vizinho de bioma e sob o mesmo Código Florestal, aplicou R$ 1,69 bilhão, ou seja, 24 vezes mais. Os dados são oficiais, extraídos do Banco Central do Brasil. Trata-se de um contraste que envergonha e expõe o quanto o pequeno produtor amazonense está sendo deixado para trás. Enquanto outros estados da Amazônia Legal avançam, aqui o produtor enfrenta travas burocráticas e ambientais, impostas por grupos que há mais de uma década controlam a política ambiental pública do estado.
Por trás desse atraso estão ongueiros ligados à FAS, que há 12 anos influenciam diretamente a SEMA, não priorizando licenciamentos e inviabilizando projetos produtivos sustentáveis. Para agravar, o IDAM — órgão que deveria ser o braço técnico e de apoio ao agricultor — perde servidores qualificados por falta de salários competitivos e, pior, vem sendo usado politicamente em vez de tecnicamente. O resultado é trágico: o produtor amazonense não acessa crédito, não amplia sua produção e não tem condições de competir com os estados vizinhos. E esse quadro vergonhoso se arrasta há mais de duas décadas. Enquanto isso, ex-governadores Eduardo Braga e Omar Aziz, e agora Wilson Lima, seguem embalados pelo discurso ambiental importado de países poluidores que financiam ONGs e mantêm o Amazonas de joelhos — rico em biodiversidade, mas pobre em oportunidades. Não por acaso, Eduardo e Omar sequer apareceram na CPI das ONGs, onde a FAS foi chamada a prestar esclarecimentos. Em Rondônia, o governador não se curva a ongueiros — e o crédito rural circula.
No Amazonas, a paralisia tem nomes e sobrenomes, e o preço é pago pelo povo do interior. Até o momento, apenas o senador Plínio Valério tem enfrentado o tema de frente, sem medo de contrariar interesses internacionais e locais que se alimentam da pobreza amazônica. Enquanto isso, nossa política ambiental estadual segue nas mãos de representantes de fora, um mineiro e um carioca, ignorando os doutores e pesquisadores da UFAM e da UEA, que conhecem de verdade a Amazônia. O PRONAF foi criado para fortalecer o produtor, não para ser travado por burocracia e ideologia.
Resta saber quem terá coragem de romper esse ciclo de submissão e fazer o Amazonas voltar a produzir, gerar renda e ocupar seu lugar de destaque no agro nacional. Wilson tem até abril para mostrar se vai enquadrar os ongueiros ou continuar permitindo que decidam o futuro de quem vive da terra.
Eu venho avisando!
07.10.2025
Thomaz Meirelles, administrador, servidor público federal, especialista na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected] ou [email protected]






