O cenário eleitoral já está se desenvolvendo no Amazonas. Se no plano nacional, o grande articulador da história é o presidente Lula, no Estado o personagem mais influente é o governador Eduardo Braga. Esta é a aposta do vice-governador, Omar Aziz, que depois de 7 anos no Executivo estadual terminou 2009 e iniciou o ano de 2010 ‘em clima de campanha’. Na ausência de Braga, Omar foi às ruas, visitou e fiscalizou obras, não apenas em Manaus, como também em municípios do interior. Comentou o andamento dos principais projetos do Estado, determinou prazos para inauguração de obras e anunciou novas ações para este ano. Fez o que qualquer bom pré-candidato faria: ocupou espaço na mídia, mostrou dureza e provou que é incansável na função de chefe de Estado.
Que é um nome forte para ocupar a vaga de sucessor do governador, isso ninguém duvida. O problema agora é amarrar uma boa coligação com partidos mais fortes em torno desta opção para enfrentar adversários que já estão se preparando há anos.
No entanto, enquanto os articuladores da política do Amazonas buscam um entendimento e um consenso para o cenário eleitoral, Omar Aziz, no alto de sua experiência de ter sido duas vezes vice-prefeito e vice-governador, vereador, deputado estadual e secretário de obras do município, recolhe as suas munições, volta para o gabinete, ameniza o discurso e aguarda o posicionamento de seu principal parceiro, até agora, Eduardo Braga.
Em entrevista exclusiva ao Jornal do Commercio, Omar demonstra que conhece bem o interior, fala sobre as conquistas do Amazonas como o gasoduto, a preservação da floresta e o desenvolvimento sustentável. Deixa claro que o governo conhece os obstáculos a serem vencidos, como a questão do abastecimento de água e mostra-se animado com a preparação de Manaus para a Copa do Mundo.
Definitivamente, trata-se de um nome que vai surpreender se for colocado à prova. E para aqueles que não acreditam no potencial de Omar para disputar a chefia do Estado, por conta da campanha morna para a Prefeitura de Manaus, o vice-governador sabe que é conhecido e respeitado no interior e possui cartas fortes na manga, como todos os projetos que fizeram do atual governo um dos mais populares e bem avaliados da história. Governo este do qual Omar Aziz é o segundo nome mais forte.
Jornal do Commercio – Quais os projetos que o seu governo criou e implantou no Amazonas que o sr. considera como os mais importantes ao longo destes 7 anos de gestão?
Omar Aziz – São inúmeras as conquistas que o governo do Amazonas tem produzido nos últimos sete anos. Acredito que uma das mais marcantes seja o Prosamim, um programa que, além do se tratar da recuperação ambiental e urbanística da cidade, resgata a dignidade das pessoas que viviam em condições sub-humanas. Mais do que uma obra foi um ato de ousadia do governador Eduardo Braga, que provou que é possível, sim, enfrentar um problema de décadas e que era ignorado por governantes anteriores. Mas não podemos deixar de citar obras como a nova tomada de água que está em construção na Ponta das Lajes, que também encerrará um sofrimento antigo que é a falta d’água nas zonas norte e leste.
Isso sem falar nas intervenções viárias que estamos realizando para minimizar os problemas de trânsito na cidade e preparar Manaus para a Copa e para o futuro, como a Avenida das Torres, as obras da saúde e as ações sociais que são conduzidas brilhantemente pela dona Sandra Braga. No entanto, acreditamos que o maior legado que um governo pode deixar à população é o investimento na educação, único instrumento capaz de transformar de forma definitiva uma realidade. Nossos investimentos neste setor começaram com a graduação de 100% dos professores, implantação do ensino médio à distância para o interior, a consolidação da UEA em todos os municípios e a criação do Sistema de Ciência e Tecnologia, que nos permitiu formar em sete anos mais mestres e doutores do que em toda a história do Amazonas. E, por fim, a criação das escolas de tempo integral. Trata-se de um trabalho quase invisível que provoca uma verdadeira revolução a médio e longo prazos.
JC – Estando ao lado do governador Eduardo Braga por todos estes anos, o sr. está preparado para continuar o trabalho como chefe do executivo estadual?
OA – Estou preparado para ao final de 2010 concluir uma administração comandada pelo governador Eduardo Braga, por mim e com o auxílio de uma grande equipe que mostrou que tinha um projeto ousado para o Amazonas e que precisa ter continuidade.
JC – O que falta para o Amazonas se tornar uma grande potência internacional?
OA – Acredito que o Amazonas tem vocações variadas. Mas o fato de estarmos no centro da floresta mais preservada do mundo e de um parque industrial de altíssima tecnologia, nos leva a acreditar que, ao aliar duas potencialidades aparentemente sem correlação, podemos produzir riquezas lançando mão da nossa biodiversidade. Com os investimentos que o nosso governo está fazendo em ciência e tecnologia, com pesquisa e inovação no Amazonas, num futuro muito próximo estaremos produzindo fitoterápicos, fármacos e demais produtos não florestais que permitirão uma maior distribuição de renda e qualidade de vida para a nossa população. Isso sem agredir a floresta.
Por outro lado, temos o gasoduto Coari/Manaus chegando à cidade que poderá abrir uma nova fronteira econômica com a implantação de um pólo gás-químico, o que trará muitos empregos e renda à população.
Mas também encaramos o turismo ecológico e cultural, devido a nossa proximidade com a floresta e riqueza artística, como um negócio que poderá despontar se a infraestrutura da cidade continuar avançando rumo a uma maior profissionalização da atividade turística Em suma, acho que a continuidade destes projetos irá garantir ao nosso Estado um lugar de maior destaque no cenário econômico.
JC – Como o sr. vê as articulações políticas no Amazonas para as próximas eleições? Acredita que já estão definidos os grupos que irão se enfrentar?
OA – Acho que muita água ainda vai rolar nesse campo. As definições só devem acontecer após o período de desincompatibilização dos políticos que sairão candidatos, ou seja, entre o final de março e o princípio de abril.
JC – O PMN pretende lançar candidatos a deputado estadual e federal? Quais as possíveis coligações do PMN?
OA – Ainda estamos estudando os candidatos mais competitivos. Mas, certamente, o PMN terá um papel de destaque nestas eleições. Sobre as coligações temos em mente atrair um maior número possível de partidos aliados para termos uma boa musculatura eleitoral.
JC – Quais os programas e obras que o governo ainda pretende concluir este ano?
OA – Vamos concluir algumas obras que já tornaram emblemáticas pela importância social e econômica que terão para o Estado. A ponte sobre o rio Negro é uma delas, uma vez que vai romper com o isolamento de mais de trinta municípios que se interligarão, ainda, com novas estradas, como a BR 317, aumentando o potencial econômico destas cidades e descentralizando o desenvolvimento ainda muito voltado à capital.
Também entregaremos as obras de captação, tratamento e distribuição de água da Ponta das Lajes, que levarão, finalmente, água para as zonas norte e leste de Manaus. O gasoduto Coari/Manaus entrará em funcionamento a partir da conclusão das redes urbanas de gás. Além disso temos 14 escolas de tempo integral, a avenida das Torres, o novo João Lúcio e outras unidades de saúde que estão sendo ampliadas e modernizadas. Mas, deixaremos também iniciados projetos de longo prazo visando à Copa 2014, como o monotrilho e arena da Amazônia, entre outras, conquistas do Amazonas que nos enchem de orgulho e de esperança por dias melhores.







