Custo da construção sobe

Em: 18 de fevereiro de 2026

O preço médio do metro quadrado da construção civil do Amazonas ganhou musculatura na virada do ano, influenciado principalmente pela reoneração salarial. O valor disparou 1,29%, ao passar de R$ 1.892,23 para R$ 1.916,68 do mês anterior. Com isso, o indicador interrompeu uma sequência de quatro meses de baixas e estagnações, que haviam levado a uma variação relativamente amena no fechamento de 2025 (+3,74%). Assim como ocorrido nos meses anteriores, o Estado marcou variação inferior à da média nacional (+1,54%) e da região Norte (+1,33%). Mas, desta vez, superou a inflação do IPCA (+0,33%). 

Em janeiro, a aceleração do preço do metro quadrado amazonense foi carreada pela mão de obra, em mês de variação positiva também para os materiais de construção. O valor médio dispendido com insumos, que representam em torno de 60% do total, ficou em R$ 1.103,70, superando em 0,18% os R$ 1.101,72 de dezembro. Já os gastos com salários e benefícios saltou 2,8$%, de R$ 790,51 para R$ 812,98. O Estado seguiu a média nacional do setor (+0,27% e +2,39%, respectivamente). Os dados são da pesquisa do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), do IBGE.

No aglutinado dos 12 meses encerrados em janeiro, o custo por metro quadrado da construção civil subiu 4,99% no Estado, a menor variação do país. A taxa de expansão local foi superada com folga pela média do setor em todo o país (+6,71%), e também pelo conjunto das unidades federativas nortistas (+5,51%). Em contrapartida, o Sinapi estadual superou a inflação oficial do país no período, medida igualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, já que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo acumulou alta de 4,44% na mesma comparação. 

Em divulgação nacional, o IBGE, destacou que a disparada nos custos da mão de obra das construtoras em todo foi impactada pela reoneração na folha de pagamento. Iniciado pela Lei 12.546/2011, o incentivo teve seu período de vigor para 17 setores da economia estendido diversas vezes, com vigência plena até dezembro de 2023. Após impasses, a Lei nº 14.973/2024 manteve o benefício integral em 2024 e estabeleceu um processo de retorno gradual à cobrança da CPP (Contribuição Previdenciária Patronal) sobre os salários, substituindo a CPRB (Contribuição Previdenciária sobre Receita Bruta), entre 2025 e 2027. O retorno total à alíquota de 20% este previsto para 2028.

 

Abaixo da média

O aumento vitaminado do custo médio da construção em janeiro fez o Amazonas subir do último para o 19º lugar no ranking de maiores reajustes mensais, em uma lista sem deflações, encabeçada pelo Piauí (+4,12%) e encerrada pelo Acre (+1,10%). Em 12 meses (+3,53%), contudo, as construtoras amazonenses (+4,99%) caíram da penúltima para a última colocação, em termos de variações de preços, empatando com o Rio Grande do Sul. A variação de preços da construção mais significativa do mês veio do Mato Grosso (+10,31%). 

Apesar do resultado contabilizado no primeiro mês de 2026, o preço médio do metro quadrado do Amazonas (R$ 1.916,68) permaneceu na 13ª posição do ranking nacional, e se manteve com o valor mais baixo do Norte do país. Mas, desta vez, caiu abaixo da média brasileira (R$ 1.920,74). Os dispêndios mais significativos da construção civil em todo o Brasil estão em Santa Catarina (R$ 2.169,50), Acre (R$ 2.153,40) e Rondônia (R$ 2.110,58). Em sentido contrário, as médias mais baixas vieram de Pernambuco (R$ 1.703,82), Sergipe (R$ 1.707,30) e Espírito Santo (R$ 1.730,76). 

O valor médio do material de construção civil no Estado (R$ 1.103,70) passou da 13ª para a 14ª posição entre os mais caros do país, sendo mais uma vez precedido por todos os vizinhos nortistas. Mas, assim como ocorrido em outras 16 unidades federativas, ainda supera a média brasileira (R$ 1.081,30). O rol é aberto pelo Acre (R$ 1.304,71) e encerrado por Pernambuco (R$ 983,95). O oposto se dá na mão de obra, rubrica na qual o Amazonas (R$ 812,98) continua atrás do dado nacional (R$ 839,43), embora tenha subido da 11ª para a décima colocação. O maior preço vem de Santa Catarina (R$ 1.051,79) e o menor, do Ceará (R$ 711,54).

A pesquisa mostra que o aumento do custo do metro quadrado foi mais impactado por imóveis mais baratos. Conforme o IBGE, em janeiro de 2025, o custo do metro quadrado de uma casa popular no Amazonas, com 1 pavimento, 2 quartos, sala, circulação, banheiro e cozinha, com acabamento normal, era de R$ 2.254,80. No mês passado, o mesmo projeto chegou a R$ 2.369,73, registrando um aumento de 5,10%. Já o valor de uma casa residencial com 1 pavimento, varanda, sala, 4 quartos, circulação, 2 banheiros, cozinha, área de serviço, quarto/wc de empregada (R$ 2.373,19), e de alto acabamento, subiu 4,03% na mesma comparação.

 

“Estratégias de produtividade”

Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa, Augusto Oliveira, ressalta que o reajuste está de acordo com a legislação, que fixa uma alíquota de 10% sobre a folha de pagamento em 2026. “Além da reoneração, a alta na mão de obra decorre do reajuste do salário-mínimo nacional em 2026. Em especial para serventes de obra, categoria profissional que teve alta decorrente da adequação a este reajuste em 11 das 27 unidades da federação”, destacou.

O chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforça que a alta registrada em janeiro representa aceleração significativa em comparação ao ritmo de fechamento do ano passado, pressionando diretamente o planejamento das obras logo no início do ciclo de 2026. E acrescenta que, embora o setor tente absorver parte das oscilações, “uma variação de tal magnitude em um único mês” reflete nos preços dos imóveis e contratos de reforma, impactando o poder de compra das famílias.

“Estamos observando que essa pressão não é isolada; ela combina o reajuste sazonal de insumos básicos com a nova realidade dos custos operacionais. Principalmente no tocante ao custo da mão-de-obra. O fato de o custo da construção subir 1,29% em um mês sugere que a inflação setorial está rodando acima do índice de preços geral. Isso reforça a necessidade de estratégias de produtividade e inovação no canteiro de obras para mitigar a perda de rentabilidade do setor”, alertou.

O presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, diz que é natural que ocorram variações sazonais no indicador, embora destaque outros pontos. “No acordo da convenção coletiva do setor havia um aumento de 2% escalonado, então isso fez com que a mão de obra desse uma elevada. E a retomada das obras também faz com que esse preço suba. Agora, volto a dizer que o preço do metro quadrado do Amazonas é mais barato do que o do Brasil porque 70% do nosso mercado é atendido por obras de padrão econômico, das faixas 1, 2 e 3 do Minha Casa Minha Vida. Vamos aguardar que esses preços permaneçam e a taxa Selic diminua, para que a gente possa ter imóveis mais baratos”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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