As articulações políticas dos senadores Omar Aziz e Eduardo Braga, já mirando as eleições de outubro, são evidentes nas redes sociais, com a realização de diversos encontros. Tudo absolutamente legítimo no jogo democrático.
Contudo, chama a atenção o silêncio e a ausência de agendas dentro da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), ONG criada sob a tutela de ambos. Desde sua criação, a FAS já movimentou mais de R$ 500 milhões. O contraste, porém, é gritante: o caos estrutural segue presente no interior do Estado e até nas próprias Unidades de Conservação (UCs).
Se o slogan de campanha vier a ser “Amazonas forte de novo”, o mínimo que se espera é uma reunião dentro da própria ONG para prestar contas sobre o destino dessa fortuna. Até hoje, carecemos de transparência básica: não sabemos sequer os nomes dos profissionais (agrônomo, pesca e florestal) que teriam prestado “assistência técnica” nas UCs, tampouco qual foi o volume de produção agrícola gerado por esse trabalho.
Faltam explicações também para episódios absurdos, como a tentativa de aluguel de um avião por R$ 10 milhões por essa ONG, enquanto o caboclo ribeirinho agoniza doente, isolado, sem apoio produtivo, sem energia, sem água potável, sem internet e sem o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE).
Vale lembrar que a FAS teve e ainda tem influência direta na área ambiental pública por mais de uma década e, ainda assim, não entregou o ZEE. Para agravar, os parlamentares sequer compareceram à CPI das ONGs — uma comissão de enorme relevância nacional, que contou inclusive com a presença da ministra Marina Silva, que não quer a BR-319.
Repito: as candidaturas são legítimas. Mas ignorar a bilionária FAZ, criada pelos senadores, e varrer essas pautas urgentes para debaixo do tapete é subestimar a inteligência do povo amazonense. É tratar a sociedade como ingênua — e isso é inaceitável.
O primeiro passo é reconhecer os erros e corrigi-los.
24.02.2026
Thomaz Meirelles, administrador, servidor público federal, especialista na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected] ou [email protected]






