A produção de telas de cristal líquido a partir do estabelecimento do PPB (Processo Produtivo Básico) para a etapa de montagem dos displays no polo industrial vai exigir investimentos na casa dos US$ 70 milhões em Manaus.
Esse montante inicial, segundo calculou o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, se deve ao fato de que a região continuará importando vidro com seus conectores, a despeito de terem sido contempladas no novo PPB fases importantes da produção, como instalação da placa de energia e dos LEDs, além dos testes de funcionamento.
Sobre as vantagens que os investimentos trarão para o adensamento da cadeia produtiva, Périco afirmou que a fabricação da célula de vidro polarizado é um grande salto para o Estado, que atualmente importa os displays prontos para montagem nos televisores. “Ninguém duvida que a montagem de displays ficará concentrada totalmente no Amazonas, mais cedo ou mais tarde. Por ora, essa é um das poucas linhas fabris que ainda não foram implantadas em Manaus”, revelou.
Mas o engenheiro industrial e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) Claudemir Oliveira Farah considera que o avanço para o segundo nível de fabricação das telas de cristal líquido demandaria uma tecnologia ainda indisponível para as filiais japonesas no país. No entendimento do tecnólogo, “existem muitos interesses em jogo” que dificultam a produção local de alta tecnologia. Por isso, o polo de informática, que já adensa a produção de placas de circuito, dificilmente vai receber uma indústria estrangeira com produção destinada a todo o setor. “Creio que nenhuma das marcas líderes do mercado global vai querer que sua filial terceirize sua tecnologia para as concorrentes. Além disso, para o polo receber uma linha de displays são exigidos investimentos da ordem de US$ 300 milhões”, completou.
Na opinião do diretor da empresa Terra da Amazônia, representante da chinesa PC Chips, Edy Stein, a tendência do polo industrial é, aos poucos, avançar para uma produção mais concentrada no setor de bens de informática e alta tecnologia eletroeletrônica e a produção de placas-mãe seria prova disso. “Nossa empresa colocou no mercado dois modelos de motherboards [MB963GV/Intel e a M871G/AMD]. Esses lançamentos, ao lado do aumento da produção de nossa fábrica em Manaus, permitem que a empresa transforme o país, em curto prazo, em exportador de placas-mãe para computadores”, assegurou.
Gama de produtos
Para o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, o valor do investimento inicial previsto não inibe qualquer vantagem, pois a aplicação de LCD não se restringe somente aos televisores, mas a uma gama de produtos que estão em uso e outros que poderão advir com as novas tecnologias. “O mercado de LCD está despontando no Brasil, logo, há muito a ser explorado em termos de mercado, como a área médico-hospitalar”, completou.
Por outro lado, Loureiro acredita que o Amazonas ainda tem condições de comportar um segmento de produção de chips. O executivo lembrou que recentemente o Rio Grande do Sul inaugurou, através do Ceitec, uma fábrica para a produção de chips com apoio do governo federal entre outros investidores. “Não acredito nessa possibilidade aqui em Manaus, pelo menos por enquanto. Houve num passado recente estudo para que se implantasse em Manaus uma fábrica desse produto, mas os estudos concluíram que Manaus carecia de infra-estrutura, mão de obra adequada (doutores), entre outras exigências”, completou.
Para o empreendimento, o fabricante interessado terá que dispor de uma “sala limpa”, daí a estimativa de investimento. Na prática, trazer essa etapa a Manaus é fazer no LCD algo semelhante ao que já acontece no encapsulamento de chips, realidade em empresas como a estatal Ceitec. De certa forma, será feito o encapsulamento das telas de cristal líquido.






