Editorial – PT e Alfredo não devem ter medo de enfrentar as urnas

Em: 22 de fevereiro de 2010

O PT teve papel importante no processo de redemocratização do Brasil e sempre marchou levantando a bandeira das liberdades individuais. Isso até assumir o poder e se deixar contaminar pelo pragmatismo obscuro da realpolitik brasileira. O ranço de autoritarismo do Partido dos Trabalhadores está em cada projeto governamental em que tenta enquadrar a liberdade de expressão e tutelar a autodeterminação do povo brasileiro.

No Amazonas, o PT quer empurrar goela abaixo dos partidos e atores políticos um projeto de poder que tem como objetivo mais mesquinho garantir a cadeira de senador ao suplente João Pedro, presidente estadual da legenda. Para isso, serve até lançar o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, candidato ao governo do Amazonas para disputar uma eleição que os petistas não querem que seja realizada.

Tanto Alfredo quanto os membros do PT, por motivos óbvios, mas de puro oportunismo, insistem num candidato único da base aliada do presidente Lula para o governo estadual. É direito deles discutir entre os aliados essa possibilidade, buscando eliminar possíveis deserções ou mesmo candidaturas que possam atrapalhar a caminhada de Alfredo rumo ao governo do Estado.

Mas os petistas não podem querer também eliminar as candidaturas de oposição, eliminando assim qualquer risco à eleição de Alfredo. Na verdade, Alfredo e a cúpula do PT querem eleger o ministro por meio de aclamação, sem precisar passar pelo crivo dos eleitores amazonenses. Por isso insistem que votar em Alfredo é a ordem do presidente Lula e por isso deve ser cumprida, sem restrições ou questionamentos.

Não tem sido esse o entendimento de alguns políticos locais e também dos eleitores do Estado. Alfredo já esteve melhor posicionado nas pesquisas de intenção de votos, mas agora derrapa e cai, mostrando que o eleitor não aceita a imposição do governo federal em votar de cabresto. Pregar a unidade dos aliados é uma coisa, mas querer eliminar a possibilidade de o povo escolher entre várias candidaturas quem será o governador do Amazonas não passa de mesquinharia política ou medo de enfrentar as urnas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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