Ao menos 55% dos comerciantes de Manaus tiveram crescimento efetivo de vendas de material escolar. O resultado foi sustentado principalmente pelo avanço no volume comercializado. Os itens mais comercializados foram “cadernos”, mencionados por 85% dos lojistas, seguidos de perto por “lápis e canetas” (70%). Produtos como “papéis e blocos” (35%), “kits escolares” (25%) e “mochilas” (20%) também foram citados. O faturamento aumentou para 70% das empresas levando o setor a crescer 4%, na média. Mas, apenas 40% conseguiram ampliar a margem de lucro. Os dados são do Ifpeam (Instituto Fecomercio de Pesquisas Empresariais do Amazonas).
O desempenho geral veio em linha com a projeção apresentada em outra sondagem, conduzida pela CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), que estimava expansão nominal de 3,8% nas vendas nominais desse segmento varejista para 2026, com ticket médio de R$ 550. Em um período sazonalmente mais fraco e sem datas comemorativas, a temporada de volta às aulas pode ser considerada como pontapé inicial do calendário comercial anual, embora apenas parte dos lojistas que atuam na capital amazonense trabalhe com produtos típicos para o período.
Estudo preliminar do Ifpeam para a intenção de consumo já havia apontado 65% das famílias de Manaus gastariam mais de R$ 600 na compra de material, em estimativa alimentada pelo fato de que 65% têm dois ou mais crianças em idade escolar e 30% têm os filhos matriculados na rede privada. Correndo por fora, há o aumento de 30% no material escolar, em média, apurado em diversas cidades brasileiras. Segundo o Ifeam, o consumidor respondeu com maior cautela e 95% buscaram substituições por similares mais baratos, em um ambiente de concorrência online mais acirrada e “promoções agressivas”.
“Crescimento moderado”
Dentro do grupo de empresários com aumento efetivo de vendas, 45% dizem que o resultado foi “melhor” do que o do ano passado, enquanto 5% garantem que foi “muito melhor”. As vendas foram iguais para 40%, e menores, para 5%. “O desempenho é consistente com um cenário de crescimento moderado. Ao mesmo tempo, o alto percentual de estabilidade indica aumento relativamente disseminado, sem forte retração no mercado”, pontuou o Ifpeam, no texto de divulgação da pesquisa.
Dentro do grupo de 70% de empresários com faturamento maior, 35% informaram que o crescimento foi de até 5%. Em torno de 20% conseguiram progredir em taxas de 6% a 10%, enquanto 10% foram além dessa faixa. Em compensação, 25% mantiveram estabilidade nos resultados e apenas 5% relataram queda nas vendas – todos com perdas em patamar acima dos 5%. “Considerando as faixas de variação informadas, estima-se que o faturamento médio tenha crescido cerca de 4%”, calculou o Ifpeam.
Levando em conta o indicador de aumento de unidades, o crescimento foi uma realidade para 60% dos comerciantes, com 35% registrando empate e os demais 5% amargando queda. “O resultado indica que o desempenho positivo do faturamento foi acompanhado por crescimento efetivo da demanda por material escolar, reforçando o cenário de expansão moderada”, assinalou o Ifpeam. “O desempenho das vendas foi impulsionado principalmente pelos itens básicos da lista escolar, que concentram maior demanda durante o período de volta às aulas”, emendou.
A pesquisa informa que os resultados foram impactados principalmente pela “dominância do digital” e preços. Nada menos do que 70% apontaram a concorrência das vendas online como o maior desafio, indicando “migração estrutural do consumo para o e-commerce ou dificuldade de competir com a conveniência e os preços do ambiente digital”. As “promoções agressivas (35%) aparecem na segunda posição, sugerindo uma “guerra de preços” que força as empresas a sacrificar margem de lucro para sustentar o volume de vendas. Outros dados relevantes são a inflação (20%), o endividamento (10%), o “poder de compra” (0,5%) e o “calendário escolar” (0,5%).
O estudo também identificou mudanças no padrão de consumo das famílias, já que 95% dos empresários confirmaram algum nível de substituição na clientela por produtos mais baratos, sendo que 60% afirmaram que isso ocorreu “de forma parcial” e 35% disseram que “a troca foi mais evidente”. Em sintonia, 40% dos comerciantes afirmaram que a margem de lucro subiu, embora 40% relatem estagnação e 15%, decréscimo. O Ifpeam acrescenta que as empresas que conseguiram se manter no azul ajustaram seus preços ao consumidor, negociaram melhor com os fornecedores e apresentaram mix de produtos mais eficiente, além de diluir custos em maior volume de vendas.
“Corrente positiva”
O presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, ressaltou à reportagem que os números refletem uma “onda de otimismo” no setor. “O desempenho das vendas foi positivo, com 70% das empresas conseguindo faturamento maior, o que é alvissareiro. Só em janeiro crescemos 4% e ficamos em terceiro lugar no Brasil. Há uma corrente positiva e uma onda de entusiasmo que se projeta desde a Black Friday e o Natal”, enfatizou.
O dirigente destaca que os resultados foram impulsionados mais pelas vendas do que pela inflação. “O aumento foi puxado pelo momento e não apenas por preços, e isso foi declarado com muita precisão pelos lojistas. Houve crescimento moderado e o mercado está cada dia mais competitivo, com o consumidor mais cauteloso e sensível a preços, mas isso não impede que a gente tenha uma visão positiva desse período”, ponderou.
Já o economista da Fecomercio-AM, Max Cohen, disse à reportagem que os dados estão em sincronia com o cenário desenhado pelos dados regionais das pesquisas mensais da CNC, e com o estudo do “Panorama Econômico Fecomercio-AM”. “Temos visto algum aumento de volume, mas nem tanto em faturamento. As pessoas estão trocando algum sonho de consumo por produtos mais baratos na lista. Então, o que vemos é uma desaceleração, mas não estamos em crise. O comércio deve aumentar suas vendas em quantidade física, mas proporcionando descontos e ofertando uma gama de produtos atraente para o consumidor”, encerrou.
Saiba mais sobre a pesquisa
A pesquisa do Ipeam foi realizada entre 9 e 12 de março de 2026, “por meio de amostra não probabilística por conveniência”, composta por “lojistas considerados representativos do setor, que aceitaram participar voluntariamente da sondagem”. O Instituto explica que “os resultados têm caráter indicativo e refletem a percepção das empresas participantes, não permitindo inferência estatística para todo o universo de estabelecimentos”. Foram ouvidas microempresas (35%), pessoas jurídicas de grande porte (30%), pequenas empresas (20%) e organizações de médio porte (15%), por meio de gerentes (85%) e proprietários (15%).






