Vendas de Páscoa crescem 3%

Em: 6 de abril de 2026
Pesquisa da CDL-Manaus projeta R$ 63 milhões em vendas, com maior intenção de compra apesar da alta dos preços.
"Consumidores pesquisam preços antes das compras de Páscoa." (Divulgação)
"Consumidores pesquisam preços antes das compras de Páscoa." (Divulgação)

A CDL-Manaus projeta crescimento de 3% para as vendas de Páscoa. A receita bruta aguardada é de R$ 63 milhões, com ticket médio de R$ 170. A taxa de expansão é inferior à do ano passado (+4%), embora a comparação com o dado do valor médio das vendas (R$ 160) mostre elevação. Mesmo diante do aumento do custo de vida e das taxas de crédito, 78% dos manauaras ouvidos na pesquisa de intenção de compras da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus garantem que vão comprar algum produto para presentear. É um percentual já maior do que o verificado em 2025, quando 73% declaravam o mesmo.

Em síntese, o manauara espera comprar principalmente ovos de chocolate (58%), preferencialmente em hipermercados (43%) e pagando à vista. Diante da expansão da demanda potencial, o varejo aumentou o volume de compras em 5,71%. No ano passado, a oferta não passou de 35 mil toneladas de chocolate em produtos diversos para a data comemorativa, configurando queda em relação ao exercício anterior. Neste, os comerciantes adquiram 37 mil toneladas. Em paralelo, a despeito do desarranjo macroeconômico e da maior dificuldade de encontrar mão de obra disponível, a oferta de empregos temporários cresceu 8%, na comparação de 2026 (270) com 2025 (250). 

Manaus segue a tendência do país. Segundo a CNDL, 106,8 milhões de brasileiros devem ir às compras, 4,09% a mais do que em 2025. O texto da pesquisa da CDL-Manaus destaca, no entanto, que o cenário é de elevação nos preços dos chocolates e redução na oferta, refletindo a alta no custo do cacau – impactado por adversidades climáticas – e da demanda por produtos com certificação sustentável. Medido pelo IBGE, o IPCA-15 mostra que o chocolate para a Pascoa ficou 24,9% mais caro no Brasil em 2026. Os motivos para tanto estão no reflexo defasado da crise de safra (2024-2025) e dos custos logísticos, forçando a indústria a reduzir o tamanho dos produtos.

Preferências do consumidor

Quase oito em cada dez entrevistados da CDL-Manaus confirmaram intenção de compras para esta Páscoa. Diferente do ocorrido nos anos anteriores, não foram apontados os principais motivos para essa escolha. A fatia dos consumidores que a avisam que vão passar longe do comércio durante a Páscoa também cresceu, pontuando 22% (2026) contra 18% (2025), em uma lista sem indecisos. As principais justificativas para evitar os gastos são os “preços elevados” (53%) e a falta de dinheiro (37%). Foram citadas ainda “outras prioridades” (29%), “alta de costume (12%), decisão de confeccionar os próprios produtos (3%), e desinteresse em presentear (2%).

Filhos e filhas (49%), pais/mães (46%) e cônjuges (37%) encabeçam a lista de presenteados. Na sequência estão irmãos e irmãs (28%), namorados e namoradas (17%), sobrinhos e sobrinhas (14%), amigos e amigas (6%), netos e netas (5%), “outros” (4%), “colegas” (3%), professores e professoras (2%), afilhados e afilhadas (2%), enteados e enteadas (1%). Uma fatia significativa de 20% dos consumidores diz que a compra será para o próprio consumo. Diminuiu a proporção de manauaras que escolhem comemorar na própria casa (42%), em sentido contrário ao verificado nos grupos que escolhem casas de parentes (30%), casa dos pais (19%), e “em viagem” (7%).

Mesmo tradicionalmente mais caros, os ovos de chocolate (58%) ainda lideram a preferência do público, embora tenham perdido musculatura em relação à Pascoa de 2025 (61%). Caixas de bombons (52%), ovos caseiros (45%), barras de chocolate (39%) também são bem votados. Cestas personalizadas (26%), colomba pascal (15%) e “outros” itens não destalhados (9%) completam a lista. A CDL-Manaus informa que as respostas deste, assim como de outros quesitos da sondagem, não “fecha em 100%”, porque a pergunta foi de múltipla escolha. As faixas de gastos prioritárias são as que vão de R$ 101 a R$ 200 (45%) e até R$ 100 (33%). Mas há também quem pretende aumentar seus dispêndios para $ 201 a R$ 400 (13%) e 9% ainda estão indecisos.

As formas de pagamento à vista, como Pix (45%) e dinheiro (34%) e cartão de débito (31%) são as prediletas dos entrevistados, para fugir dos juros e do risco de engordar as listas de endividados e cair na inadimplência. O cartão de crédito, à vista (18%) e parcelado (27%), vem em seguida e a cota de indecisos não passa dos 4%. Os locais de compras preferenciais são hipermercados (43%), shoppings (28%), confeitarias (25%), comércios de bairros (18%), redes sociais e internet (12%) e o tradicional varejo do Centro (11%), além de “outros” locais não especificados (2%).

 

Desejo e restrição

Em depoimentos anteriores, o presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag, já havia mencionado que o varejo da capital amazonense vem se adaptando às dificuldades macroeconômicas para continuar a oferecer produtos para época, mediante valores acessíveis à clientela. O dirigente confirmou esse entendimento, reforçando a importância da Páscoa para o setor, mas não deixou de enfatizar também que o significado da data comemorativa, assim como ocorrido no Natal, está na oportunidade de confraternização entre amigos e familiares. 

Em texto distribuído por sua assessoria de imprensa, o presidente da CNDL, José César da Costa, avalia que, justamente por isso, o cenário para a Páscoa de 2026 apresenta um “paradoxo” na atual conjuntura econômica. “Embora haja um desejo latente de celebrar e presentear, o componente de restrição financeira está mais forte do que nunca. Para quem vai às compras, a cautela deve ser a palavra de ordem, é fundamental que o consumidor faça um planejamento rigoroso e utilize a pesquisa de preços para evitar que a celebração de hoje se torne uma inadimplência prolongada amanhã”, orientou.

Ao mencionar os dados da pesquisa nacional para a data, o dirigente disse que a Páscoa reafirma posição como uma das datas mais vitais do calendário comercial. “O impacto é multissetorial: do varejo de alimentos ao setor de pescados, impulsionado por 49% da população que mantém a tradição de pratos típicos como bacalhau e salmão. O grande desafio para o lojista este ano é a ‘janela de última hora’, já que 45% dos consumidores pretendem comprar apenas na semana do evento. Estratégias de estoque e promoções agressivas nesse período final serão determinantes para capturar clientes”, concluiu.

Boxe ou coordenada: Saiba mais sobre a pesquisa

A pesquisa foi realizada via Google Formulários, por meio de aplicativo de mensagens instantâneas, entrevistas pessoais e ligações, entre 9 e 20 de março de 2026. Foram ouvidas 1.565 pessoas, entre homens (42%) e mulheres (58%), nas faixas etárias de 33 a 40 anos (32%), entre 26 e 32 anos (29%), de 18 a 25 anos (19%), entre 41 e 50 anos (12%) e acima dos 50 anos (8%). A maioria tem renda familiar de R$ 1.801 a R$ 2.500 (27%). Em seguida estão os que ganham entre R$ 2.501 e R$ 4.000 (25%), de R$ 1.412,01 a R$ 1.800 (22%), até R$ 1.412 (16%) e mais de R$ 4.000 (10%). Os entrevistados residem nas zonas Norte (25%), Leste (23%), Oeste (19%), Centro-Oeste (16%), Centro-Sul (9%) e Sul (8%) da cidade. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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