Janela muda arco de alianças

Em: 10 de abril de 2026
Trocas partidárias redesenham bancadas na Aleam e na Câmara dos Deputados, com impacto direto nas articulações eleitorais no Amazonas.
"Deputado Thiago Abrahim mudou para o MDB do senador Eduardo Braga." (Divulgação)
"Deputado Thiago Abrahim mudou para o MDB do senador Eduardo Braga." (Divulgação)

O fim do prazo da chamada janela partidária acarretou mudança no arco de forças políticas na representação amazonense em algumas das principais Casas Legislativas. Na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), dez dos 24 deputados estaduais mudaram de partido entre março e abril, com foco estratégico voltado à sucessão estadual e à disputa por vagas no Senado nas eleições deste ano.

O União Brasil consolidou-se como a maior bancada da Casa, ampliando sua capacidade de articulação e influência no processo decisório. Partido do ex-governador Wilson Lima, que deixou o cargo para disputar vaga no Senado, e do governador interino Roberto Cidade que deve disputar a eleição tampão, o União Brasil mostra força para continuar relevante no âmbito estadual. 

Do outro lado, o PSD, do senador Omar Aziz e pré-candidato ao Governo, reforçou sua posição como principal polo de oposição, agregando nomes relevantes e se estruturando como alternativa competitiva no cenário estadual. Outras siglas, como Avante, do ex-prefeito David Almeida e pré-candidato ao Governo e PL, mantiveram suas bancadas, indicando uma reorganização que preserva núcleos políticos, mas reposiciona forças no tabuleiro.

Na Câmara dos Deputados, o rearranjo também foi expressivo. O MDB, que não havia elegido deputados federais pelo Amazonas em 2022, passou a ocupar duas das oito cadeiras após atrair parlamentares de outras legendas. PSD e Republicanos mantiveram suas representações, enquanto o PL ficou com apenas um deputado federal. O União Brasil, por outro lado, foi o que teve mais baixa: tinha três deputados e ficou com apenas um, o deputado Fausto Jr.

Para o cientista político Helso Ribeiro, a própria lógica da janela partidária expõe fragilidades estruturais do sistema político brasileiro. “O sujeito se elege por um partido e depois muda sem critério ideológico. Isso diz mais respeito à sobrevivência política do que à nobreza da política”, avalia. Segundo ele, o mecanismo, embora previsto em lei, incentiva uma dinâmica de interesses eleitorais imediatos, em detrimento da coerência programática das legendas.

Ribeiro classifica o fenômeno como uma forma de “promiscuidade partidária”, ao permitir trocas estratégicas que pouco dialogam com a identidade ideológica. Para ele, a movimentação observada no Amazonas segue uma tendência nacional, em que parlamentares buscam legendas com melhores condições eleitorais, seja pelo tempo de televisão, estrutura partidária ou alianças mais competitivas.

O cientista político também chama atenção para um fator estrutural que impacta diretamente o jogo eleitoral no Estado: o peso do interior. Cerca de 48% do eleitorado amazonense está distribuído em 61 municípios, o que torna campanhas mais complexas e onerosas. “O Amazonas tem um espaço mastodôntico”, resume, ao destacar os desafios logísticos e estratégicos para candidatos que precisam alcançar regiões de difícil acesso.

O deputado estadual Thiago Abrahim foi um dos parlamentares na Aleam que migraram de legenda. Ele trocou o União Brasil pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Segundo o parlamentar, a decisão de ingressar no MDB está ligada a um projeto de fortalecimento político com foco no interior do estado. A escolha pelo MDB também reforça a proximidade de Abrahim com o senador Eduardo Braga. De acordo com o deputado, o alinhamento com Braga sempre existiu e agora se consolida dentro da mesma sigla partidária.

“É um movimento que visa aproximar ainda mais o nosso mandato das pautas do interior, com o apoio e a experiência do senador Eduardo Braga, com quem sempre tive alinhamento político”, destacou.

 

Eleição indireta para o Governo tem regras definidas

A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) definiu em votação ‘relâmpago’ as regras para a eleição indireta que escolherá o governador e o vice que comandarão o Estado até janeiro de 2027. Com a aprovação do Projeto de Lei nº 190/2026, a escolha será feita em até 30 dias após a vacância dos cargos do Executivo, em sessão extraordinária convocada exclusivamente para esse fim, com votação nominal e aberta entre os 24 deputados estaduais. O modelo segue entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem priorizado transparência e controle público em processos dessa natureza.

A velocidade da tramitação — aprovada em questão de minutos, sem discussão em plenário — também chama atenção e evidencia um ambiente de convergência política em torno da necessidade de garantir continuidade administrativa, evitando lacunas no comando do Estado.

O rito estabelecido é enxuto e pragmático: prazos curtos para registro de candidaturas, análise documental, impugnações e recursos, com publicação dos atos no Diário Oficial do Legislativo. Não há exigência de convenção partidária, e os interessados devem concorrer em chapa única e indivisível, desde que atendam às condições de elegibilidade previstas na Constituição Federal e na Lei Complementar nº 64/1990. Na prática, o desenho institucional concentra na Aleam a responsabilidade de definir o comando do Executivo em um momento de transição política sensível e de alta volatilidade.

Para vencer na primeira votação, a chapa precisa alcançar maioria absoluta, ou seja, pelo menos 13 votos. Caso não haja definição, um segundo turno será realizado entre as duas chapas mais votadas, sendo eleita aquela que obtiver maioria simples, desde que respeitado o quórum mínimo. Em caso de empate persistente, o critério de desempate será a idade do candidato a governador, favorecendo o mais velho.

O rito estabelecido é enxuto e pragmático: prazos curtos para registro de candidaturas, análise documental, impugnações e recursos, com publicação dos atos no Diário Oficial do Legislativo. Não há exigência de convenção partidária, e os interessados devem concorrer em chapa única e indivisível, desde que atendam às condições de elegibilidade previstas na Constituição Federal e na Lei Complementar nº 64/1990. 

 

Legendas partidárias na Aleam

União Brasil: 

Roberto Cidade

Adjuto Afonso

Carlinhos Bessa

Dr. George Lins

Dr. Gomes

Joana Darc

Mário Cesar Filho

Wanderley Monteiro

 

PSD: 

Alessandra Campelo

Mayra Dias

Rozenha

Wilker Barreto

 

MDB: 

Thiago Abrahim

Cristiano D`Angelo

 

PT: 

Sinésio Campos

 

PL

Débora Menezes

Delegado Péricles

Cabo Maciel

 

Republicanos: 

João Luiz

Comandante Dan

Dra Mayara

 

Podemos: 

Felipe Souza

 

Avante: 

Daniel Almeida

Abdala Fraxe

 

Legendas partidárias na bancada do Amazonas na Câmara dos Deputados

 

MDB: 

Saullo Vianna  

Adail Filho 

 

União Brasil: 

Fausto Jr

 

PSD: 

Átila Lins 

Sidney Leite

 

Republicanos: 

Silas Câmara

Amon Mandel

 

PL: 

Alberto Neto

Fred Novaes

É jornalista
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