Consumo aquece Dia dos Namorados

Em: 7 de maio de 2026
Pesquisa aponta alta intenção de compra em Manaus, com preferência por presentes mais acessíveis e pagamento à vista.
Shoppings e Centro lideram a preferência dos consumidores manauaras. (Divulgação)
Shoppings e Centro lideram a preferência dos consumidores manauaras. (Divulgação)

O comércio de Manaus ainda não passou pela prova de fogo do Dia das Mães, mas já se prepara para o Dia dos Namorados. Um dado animador para os lojistas é que 96% dos consumidores dizem que vão comprar presentes, percentual acima do apresentado em 2025 (91%) e 2024 (90%). Roupas e calçados lideram as listas de compras para aquela que é a sexta data mais importante do calendário do varejo. O manauara escolhe principalmente os shoppings e o Centro da cidade, de olho no atendimento e na segurança, mas principalmente nos preços. É o que revela a pesquisa do Ifpeam (Instituto Fecomercio de Pesquisas Empresariais do Amazonas).

Nada menos do que 44% dos consumidores da cidade informam que querem limitar os gastos a R$ 150. Apesar da piora do ambiente macroeconômico, essa fatia é menor do que a apresentada no ano passado (72%). Em paralelo, a despeito do aperto dos orçamentos familiares pela inflação, a parcela de consumidores que espera comprar dois presentes ou mais saltou de 12% para 36%, na mesma comparação. Ao menos 62% esperam comprar o presente na semana do Dia dos Namorados e 13%, na véspera. Para fugir do risco de inadimplência, em um ambiente de juros altos, 70% garantem que vão pagar à vista – contra os 51% do ano passado. 

“O resultado revela um nível extremamente elevado de intenção de consumo. Trata-se de um indicador robusto, que sinaliza ambiente favorável para incremento de faturamento. A elevada intenção sugere potencial concreto de conversão em vendas, especialmente em setores tradicionalmente beneficiados (moda, perfumaria, chocolates, joias e serviços)”, assinalou o Ifpeam, no texto de divulgação da sondagem.

 

Gastos e critérios

Entre os 96% que manifestaram intenção de consumo, a faixa prioritária de gastos é a que vai de R$ 81 a R$ 150 (44%). Na sequência, os que esperam situar o dispêndio entre R$ 151 e R$ 250 (34%), até R$ 80 (10%), e entre R$ 251 e R$ 400 (9%). Apenas 3% dizem que vão extrapolar esse patamar. Roupas e calçados (55%), assim como perfumes/cosméticos (41%), encabeçam a lista de compras, que inclui também relógios/joias/bijuterias (22%); itens de cama, mesa e banho (20%); cesta de chocolate (19%); eletrônicos (12%); jantar/passeio (12%); flores (5%) e “outros” (2%). O Ifpeam informa que a soma das respostas desta pergunta, assim como de outras, extrapola 100%, porque a pergunta foi de múltipla escolha.

Uma tendência já esboçada em datas anteriores, e sinalizada também para o Dia dos Namorados é que, em um cenário de escalada dos juros, repiques inflacionários e taxas de endividamento e inadimplência subindo, os consumidores apontam predileção por meios de pagamento à vista. Dinheiro (24%), Pix (24%) e cartões de débito (22%) lideram as preferências. Ainda assim, uma quantidade considerável opta pelo conforto e facilidades prometidos pelos cartões de crédito parcelado (15%) ou à vista (15%). Desta vez, os carnês e cartões das próprias lojas – que costumam ter juros mais baixos – não pontuaram na pesquisa.

Passados três anos do fim da pandemia, a predileção pelas compras presenciais mantém a primazia, representando 84% do bolo. No ano passado, eram 86%. Os locais mais visados ainda são os shoppings (40%). Mas, o Centro continua ganhando preferência nos corações – bolsos – do consumidor, tendo saltado de 30% para 39% dos votos, na comparação com o ano passado. Lojas de bairro (9%) vêm logo em seguida. Dentro da fatia de 13% de intenções de compra online, os votos se dividem entre internet/sites/aplicativos (7%); e redes sociais/Instagram (6%). Em torno de 3% ainda não se decidiram. Desta vez, o Ifpeam não levantou os critérios de escolha do local de compra.

Indagados sobre sua situação financeira 53% dos entrevistados pelo Ifpeam disseram que está igual à do ano anterior, 38% assinalaram que melhorou, e apenas 9% informaram que piorou. Em sintonia com a oscilação da economia, 56% vão pesquisar mais os preços, 33% vão gastar menos e somente 11% afirmam não sofrer influência econômica. Entre os 4% que não pretendem comprar presentes para o Dia dos Namorados, 56% justificam a escolha dizendo que não têm companheiro (a), e há quem diga que “não costuma comemorar” (11%), ou que “prefere outras formas de comemoração” (5%). Mas, a“falta de dinheiro” (19%) e o endividamento (5%) também foram citados. 

 

“Momento auspicioso”

O economista da Fecomercio-AM, Max Cohen, salientou à reportagem o diferencial do Dia dos Namorados. “Diferente das outras datas comemorativas, há um intuito de conquista. Nas demais, há a manutenção do relacionamento e afeto com pai, mãe e família em geral. Aqui, se tem uma mudança no mix de produtos que as pessoas procuram, porque o objetivo geralmente é conquistar alguém. Tem muito perfume, bijuterias e relógios. E chamou a atenção também a preferência pelo local de compra físico, para o consumidor não correr o risco de comprar algo online e chegar com o tamanho errado, por exemplo. O que já é diferente de um eletroeletrônico ou móvel, que já vem padronizado”, avaliou.

O presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, sempre ressalta que os levantamentos do Ifpeam são importantes para informar o comerciante sobre as tendências de consumo de Manaus, possibilitando melhores escolhas na sua formação de estoques e maiores ganhos na data. Na mais recente entrevista concedida à reportagem, o dirigente se mostrou otimista para o segundo semestre. “O índice de endividamento das famílias está começando a refluir. Isso mostra um consumidor capaz de participar mais da economia. É um momento auspicioso para o setor, apesar deste ser um ano atípico, com dificuldades provenientes do período eleitoral, feriados e Copa”, concluiu.

 

Saiba mais sobre a pesquisa

A pesquisa foi realizada com uma amostra de 1.323 consumidores do varejo de Manaus, residentes em todas as zonas da cidade, entre 9 e 10 de abril. Os entrevistados foram ouvidos por meio de entrevistas pessoais presenciais, com apoio de formulário eletrônico em formato Google Forms. Mulheres são 56% e homens, 44%. As faixas etárias predominantes são as que vão de 25 a 34 anos (43%), e entre 35 e 44 anos (30%), seguidas por aqueles que têm de 18 a 24 anos (16%), entre 45 e 59 anos (10%), e acima dessa idade (1%). Excepcionalmente, não foi o informado o recorte do público por renda, escolaridade e local de moradia.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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