Para economista, reunião não deve gerar medida concreta

Em: 14 de abril de 2010
Os países que formam o Bric devem levar algum tempo antes de conseguirem influenciar as decisões dentro do bloco do G20, mas juntos eles têm mais força do que separados
Os países que formam o Bric devem levar algum tempo antes de conseguirem influenciar as decisões dentro do bloco do G20, mas juntos eles têm mais força do que separados

Os países que formam o Bric devem levar algum tempo antes de conseguirem influenciar as decisões dentro do bloco do G20, mas juntos eles têm mais força do que separados. Porém, a reunião do grupo, nesta semana, em Brasília, não deve resultar em medidas concretas. Essa é a avaliação do economista-chefe para assuntos relacionados à América Latina do Banco Standard Chartered, Douglas Smith.
“Do ponto de vista do Brasil, a necessidade mais premente é pensar sobre comércio e investimentos”, disse Smith, em entrevista ao BroadCast Ao Vivo. “Com o tempo, eles devem fazer progressos sobre os temas que pretendem alcançar”, comentou, destacando a vasta gama de assuntos que despertam o interesse dos países do Bric, como temas ligados às mudanças climáticas e empréstimos ao FMI e ao Banco Mundial. “O importante, no entanto, é que esses países que representam uma grande porção da população e da área mundial continuem se reunindo”, disse.
Em relação ao Brasil, especificamente, Smith acredita que o foco do encontro deve ser em torno de dois temas: investimentos e comércio. “Com a aproximação da Copa do Mundo e das Olimpíadas, o Brasil precisa de uma enorme quantia de investimentos, o que implica a importação de bens de capital e capital com o intuito de contribuir, uma vez que o Brasil tem taxa de poupança baixa. O Brasil precisará de expertise do exterior. O Brasil pode conseguir mais conquistas concretas do que os outros países”, projetou.
Smith acredita que o Brasil e a China devem continuar fazendo progressos sobre o uso das respectivas moedas no comércio bilateral, ao invés do dólar. No entanto, o economista não acredita na possibilidade de adoção prática dessa medida agora. “Não parece ser esse um desdobramento muito provável neste momento. Também não é muito provável que ocorram acordos de livre comércio no momento atual”, disse Smith, PhD em Economia pela NY (Universidade de Columbia) e ex-consultor do Departamento do Tesouro dos EUA entre 1998 e 2000. “Os grandes temas do encontro devem ser, particularmente, o potencial do óleo offshore no Rio e o espaço para investimentos no Brasil, antes da Copa do Mundo e Olimpíadas”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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