Abimaq: investimentos em máquinas recuam 5,2% em agosto na comparação anual

Em: 1 de outubro de 2026
Segundo o setor, as taxas de juros reais elevadas encarecem o financiamento de bens de capital, a expansão fabril e o capital de giro

Os investimentos em máquinas e equipamentos no Brasil recuaram 5,2% em agosto frente ao mesmo mês de 2025, somando R$ 33,15 bilhões, segundo dados da Abimaq, entidade que representa a indústria de bens de capital mecânicos. Na margem – na comparação de agosto com julho -, os investimentos caíram 4,2%, reforçando a leitura de que a demanda doméstica por bens de capital segue deprimida.

Os números refletem a combinação de queda na demanda por equipamentos produzidos localmente e avanço das compras externas. No acumulado de janeiro a agosto, a aquisição de máquinas e equipamentos (medida pelo consumo aparente) registra retração de 11,6% em relação ao mesmo período de 2025.

Pelo lado da indústria, a receita líquida total de vendas do setor foi de R$ 22,93 bilhões em agosto, com recuo de 6,2% ante julho e queda de 15,5% em relação a agosto de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, a receita líquida total soma R$ 177,6 bilhões, o que representa baixa de 13,2% ante igual intervalo do ano passado.

A receita interna atingiu R$ 16,84 bilhões em agosto, com queda de 9,7% na comparação mensal e retração de 16,4% na comparação interanual; no ano até agosto, a receita interna acumula baixa de 15,5%.

“O desaquecimento das vendas internas decorre dos efeitos defasados da política monetária restritiva sobre o crédito corporativo. As taxas de juros reais elevadas encarecem o financiamento de bens de capital, a expansão fabril e o capital de giro, inibindo novos projetos de investimento industrial”, disse a Abimaq em nota.

No comércio exterior, as exportações de máquinas e equipamentos somaram US$ 1,18 bilhão em agosto, alta de 4,6% sobre julho, mas com queda de 6,3% ante agosto de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, as vendas externas crescem 6,2%, para US$ 8,81 bilhões. Já as importações totalizaram US$ 2,98 bilhões no mês (+1,1% ante julho e +16,7% em um ano) e atingiram US$ 22,20 bilhões no acumulado do ano (+5,2%). O setor acumula déficit comercial de US$ 13,39 bilhões entre janeiro e agosto.

A entidade destaca ainda o avanço estrutural das importações na composição do mercado doméstico. No acumulado de janeiro a agosto, as máquinas importadas responderam por 47,6% do consumo aparente no país (45,3% um ano antes). A China ampliou a liderança como principal fornecedora: as compras do país somaram US$ 8,0 bilhões no ano até agosto, alta de 18,8%, com 36,0% de participação no total importado. Na sequência, aparecem os Estados Unidos (US$ 3,24 bilhões; -2,7%) e a Alemanha (US$ 2,57 bilhões; +1,0%).

O balanço mostra também ajustes no mercado de trabalho. O setor encerrou agosto com 403.294 pessoas ocupadas, recuo de 2,6% frente a julho e queda de 5,6% na comparação com agosto de 2025 – o equivalente ao fechamento de cerca de 24 mil postos em 12 meses, segundo a Abimaq.

Na utilização da capacidade, o NUCI ficou em 79,6% em agosto, acima dos 79,0% de um ano antes (e acima de julho, quando estava em 78,9%). A carteira de pedidos subiu para 10,1 semanas de atendimento em agosto (ante 9,6 semanas em julho). Com informações do DC.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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