A economia mundial se recupera da mais profunda recessão desde o pós-guerra. Todavia, a retomada vem ocorrendo de forma bastante diferenciada entre os países desenvolvidos. Enquanto no Canadá, a atividade econômica ganha dinamismo, a retomada ainda é bastante frágil na Alemanha, no Reino Unido, Itália e Japão como indicam as estimativas da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) para o PIB (Produto Interno Bruto) no 1º trimestre de 2010. Nos Estados Unidos, epicentro da crise financeira global, a recuperação deve prosseguir em ritmo moderado, com desaceleração de crescimento do PIB no primeiro semestre de 2010 em comparação o quatro trimestre de 2009, em razão do fim dos efeitos dos ajustes de estoque e dos estímulos fiscais.
As diferenças observadas na velocidade da recuperação das principais economias avançadas refletem a magnitude e o escopo dos pacotes de estímulo, bem como de características estruturais específicas dessas economias. Os Estados Unidos, país detentor da moeda-chave internacional, usufruem de maior grau de liberdade para utilizar vigorosamente estímulos fiscais e monetários. Em contraste, além de não contar individualmente com o instrumento da política monetária, os países da Área do Euro possuem limites rígidos para o déficit fiscal, enquanto o elevado endividamento do setor público restringe o espaço de manobra da política fiscal no Japão.
Igualmente, devido ao maior peso do mercado de capitais no financiamento da atividade econômica nos Estados Unidos a vis-à-vis à Europa e ao Japão, a melhoria nas condições dos mercados financeiros, viabilizada pela expansão monetária mediante empréstimos e compras de ativos financeiros de emissão privada, favorece a recuperação não obstante a persistente retração do crédito bancário. Os Estados Unidos também se beneficiam da maior flexibilidade da economia, que se traduziu na elevação da produtividade.
O desemprego alto e persistente é, todavia, o traço comum a todos esses países nessa retomada a velocidades variadas. O mercado de trabalho permanece frágil em todas as principais economias desenvolvidas. Se, de um lado, o desemprego elevado tenha ajudado a manter a inflação sob controle, em um cenário de liquidez abundante e de taxas de juros em níveis historicamente baixos, de outro, compromete a recuperação da demanda, retardando a aceleração da atividade econômica. A recuperação do emprego e da renda, por sua vez, impulsionaria o crescimento do consumo privado.
Recuperação frágil
Embora as estimativas indiquem um aumento do PIB dos Estados Unidos maior do que o previsto para a maioria das economias do G7, a recuperação da economia americana ainda padece de importantes fragilidades. Em discurso proferido no dia 14 de abril no Comitê Econômico do Congresso americano, o presidente do Federal Reserve ressaltou que a atividade econômica ainda sofre restrições associadas ao franco desempenho do mercado imobiliário, às deterioradas condições fiscais de muitos estados e governos locais, às condições adversas no mercado de trabalho e à contração do crédito bancário. De acordo com Bernanke, não obstante a melhoria na saúde financeira dos bancos, o crédito bancário às famílias e empresas segue se reduzindo, tanto em razão da fraca demanda e do maior risco de inadimplência como da incerteza dos bancos em relação ao vigor da retomada, suas perdas potenciais e posição futura de capital.
A recuperação mais rápida dos Estados Unidos nos meses iniciais de 2010, relativamente à maioria dos países desenvolvidos (Canadá é uma das principais exceções), levou o Fundo Monetário Internacional a rever para cima (+ 0,3 pontos percentuais) suas projeções para o crescimento da economia mundial em 2010: 4,2% (ante a contração real de 0,6% em 2009). A nova estimativa de aumento real do PIB americano em 2010 é de 3,1% em 2010 (+ 0,4 p.p frente a previsão anterior). Já para a Área do Euro, a estimativa para a variação real do PIB permaneceu inalterada em 1,0%, a despeito da revisão para baixo do desempenho da Alemanha e da Itália, duas das maiores economias do bloco.
As projeções de crescimento das economias emergentes e em desenvolvimento em 2010 também foram revistas para cima, com destaque para Índia (+1,1 p.p; 8,8%), Brasil (+0,8 p.p, 5,5%), e outros países asiáticos emergentes (0,7 p.p, 5,4%). Para China, líder inconteste da retomada entre os emergentes, não houve alteração nas estimativas de incremento real de 10% do PIB em 2010, porém a projeção para 2011 foi revista para cima em 0,2 p.p (9,9%).







