Levar flores ao cemitério é um gesto tradicional no Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro. Para algumas famílias, a homenagem também acontece dentro de casa, perto de fotografias e objetos que remetem a pessoas queridas que já morreram. Mesmo com mudanças na maneira de prestar essas homenagens, a data continua importante para o comércio: as vendas de flores e plantas ornamentais devem crescer 5,2% em 2026 na comparação com o ano passado, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor).
O feriado representa cerca de 8% da movimentação anual do setor, e mobiliza diferentes etapas da cadeia produtiva. Para atender à procura, produtores, atacadistas, distribuidores e lojistas organizam os estoques com antecedência, em um período no qual o planejamento das compras precisa considerar uma variável difícil de controlar: o clima.
Segundo Renato Opitz, diretor do Ibraflor, os atacadistas e distribuidores já se abasteceram para garantir o fornecimento aos comerciantes, inclusive em regiões mais distantes dos grandes centros produtores. A expectativa é de que haja produtos suficientes para atender à demanda. Ainda assim, o movimento nos cemitérios pode alterar o resultado das vendas.
A chuva tende a reduzir as visitas e, consequentemente, a procura por flores. Quando isso acontece, os comerciantes podem terminar o feriado com produtos excedentes. Já o tempo firme costuma favorecer a circulação de pessoas e as compras. A dificuldade de prever esse comportamento afeta diretamente o planejamento dos estoques.
“Tem anos que acabam as flores e tem anos que sobram”, afirma Optiz. A diferença entre um cenário e outro depende não apenas da preparação dos comerciantes, mas também das condições climáticas e da disposição dos consumidores para visitar os cemitérios.
Na Ceagesp, a expectativa também é de crescimento na comercialização. As três edições da Feira de Flores realizadas antes do feriado têm previsão de movimentar 465,7 mil unidades de flores e plantas ornamentais, com receita estimada em R$ 8,96 milhões. Em 2025, as mesmas edições comercializaram cerca de 382 mil unidades e registraram faturamento de R$ 7,43 milhões. A projeção para este ano representa alta de aproximadamente 22% no volume e 20% na receita. Os números se referem às edições da feira, e não ao mercado nacional como um todo.

No detalhe, os kalanchoes, uma das espécies mais procuradas para o Finados pois são acondicionadas em vasos e apresentam durabilidade maior. IMAGEM: Divulgação/Swart
Flores acompanham novas formas de homenagem
Entre as espécies mais procuradas para Finados estão os crisântemos em vasos, tradicionalmente os mais vendidos, além de kalanchoes, calandivas, mini-rosas e antúrios. Opitz observa que a procura por flores em vasos ganhou espaço nos últimos anos, em parte pela possibilidade de mantê-las por mais tempo.
O setor também percebe uma mudança na finalidade das compras. Há cerca de dois anos, segundo o diretor do Ibraflor, consumidores passaram a procurar flores não apenas para levar aos cemitérios, mas também para montar homenagens em casa, próximas a fotografias ou objetos de familiares e amigos falecidos. Viagens, distância entre parentes e a preferência por um momento mais reservado estão entre as razões para esse comportamento.
A durabilidade pode pesar na escolha. Crisântemos comprados com os botões ainda fechados podem durar de três semanas a um mês, dependendo dos cuidados e das condições de conservação. Antúrios, calandivas, kalanchoês e mini-rosas também são opções que podem permanecer por mais tempo.
A forma de comprar também acompanha essas mudanças. Parte dos consumidores se organiza com antecedência, enquanto outros deixam o pedido para a semana do feriado ou até a véspera. As encomendas permitem programar a entrega em cemitérios ou em outros endereços, inclusive quando quem presta a homenagem está longe.
“As encomendas têm um papel importante nesse período, especialmente pela praticidade de programar a entrega das flores diretamente nos cemitérios ou nos endereços desejados”, afirma Clóvis Souza, CEO e fundador da Giuliana Flores.
Segundo Souza, o canal digital facilita as compras de quem deseja homenagear familiares e amigos mesmo à distância. As lojas físicas, por sua vez, continuam atendendo consumidores que preferem escolher pessoalmente as flores e os arranjos.
Para o comércio, a combinação entre diferentes formas de compra amplia as possibilidades de atendimento em uma data marcada por hábitos e demonstrações de afeto. A tradição permanece, mas a maneira de escolher, comprar e entregar as flores acompanha a rotina de consumidores que nem sempre conseguem estar presentes nos cemitérios.
















