Estudo avalia boa produção de borracha no Amazonas

Em: 17 de maio de 2010
Medidas simples como o plantio da seringueira (Hevea brasiliensis) consorciada a outras espécies frutíferas e a clonagem das árvores mais produtivas e resistentes podem dinamizar a produção de látex no Amazonas.
Medidas simples como o plantio da seringueira (Hevea brasiliensis) consorciada a outras espécies frutíferas e a clonagem das árvores mais produtivas e resistentes podem dinamizar a produção de látex no Amazonas.

Medidas simples como o plantio da seringueira (Hevea brasiliensis) consorciada a outras espécies frutíferas e a clonagem das árvores mais produtivas e resistentes podem dinamizar a produção de látex no Amazonas. Os seringais nativos do Estado geram algo em torno de 160 mil toneladas do produto, o que responde a pouco mais de 1% da produção brasileira de borracha.
Uma pesquisa realizada pelo mestrando do Programa de Pós-Graduação em ATU (Agricultura no Trópico Úmido) do Inpa/MCT (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Etelvino Rocha Araújo, analisou o cultivo e o potencial da borracha produzida no Estado em seringais nativos de terra firme, várzea e terra preta de índio.
Desenvolvido entre julho de 2008 e dezembro de 2009, o estudo descreveu o processo produtivo do látex nesses três ambientes com a proposta de entender quais são os fatores que limitam a produção da borracha no Estado.
Segundo a pesquisa, as árvores estudadas apresentam grande variação na produção, com valores mais elevados na área de várzea, onde o solo é rico em nutrientes. Em média, elas geram 12g de borracha seca por sangria, enquanto as árvores da área de terra firme, cujo solo é pobre e ácido, geram cerca de 8g.
Embora adubadas pelos sedimentos dos rios, as áreas de várzea têm baixos teores de nitrogênio, o que pode limitar a produção de borracha nessas áreas. “Para as plantas terem desenvolvimento e produção eficientes, precisam de todos os nutrientes em quantidades equilibradas. A influência desse desbalanço de nitrogênio na várzea sobre a produção nos seringais dessa área necessita ser melhor esclarecida em estudos posteriores”, conta Araújo.
No Amazonas, o cultivo da seringueira é feito por aproximadamente três mil famílias que administram os seringais nativos, coletam o látex, o prensam e comercializam na forma de CVP (Cernambi Virgem Prensado).
A extração é feita em árvores de seringais nativos, característica que acaba interferindo na produção final, pois cada planta gera uma quantidade de borracha diferente. “Essa variação de produtividade por planta tem a ver com a característica genética que cada árvore possui. Nos seringais cultivados com clones a produção é mais homogênea”, explica.
Para o pesquisador da Coordenação de Ciências Agronômicas do Inpa, Newton Falcão, orientador do trabalho, clonar as árvores mais produtivas é uma das formas de alcançar resultados mais satisfatórios. “A clonagem dos melhores exemplares de seringueira é um método simples onde, por métodos de enxertia, os ramos de plantas com características desejadas são inseridos no caule de outras. Ao final, a planta torna-se uma só”, explica o pesquisador.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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