Governo pode ser herança falida para Omar

Em: 18 de maio de 2010
Isolado pela força do Planalto e por Lula que vai brigar para eleger ‘seu candidato’, governador corre o risco de ficar sem recursos para finalizar obras e sem a força de Eduardo Baga, que não deverá abandonar aliança com Lula
Isolado pela força do Planalto e por Lula que vai brigar para eleger ‘seu candidato’, governador corre o risco de ficar sem recursos para finalizar obras e sem a força de Eduardo Baga, que não deverá abandonar aliança com Lula

Com um orçamento de R$ 8,297 bilhões para um território de 1.558.987 Km² que, apesar de ser o maior Estado do País, abriga apenas 62 municípios e uma população estimada em 3,3 milhões de habitantes, o Amazonas, passou, nos últimos 8 anos, de um Estado à parte do Brasil, para uma das economias mais fortes do território nacional. O atual governo do Estado, que administra essa nova potência, será novamente testado nas urnas nas eleições deste ano e a responsabilidade de vencer este desafio está nas mãos do governador Omar Aziz (PMN). O drama de Omar, no entanto, é que, apesar do bom orçamento e do bom desempenho até agora, encontra-se isolado do presidente Lula e do ex-governador Eduardo Braga que não deixará de seguir a orientação do Planalto. Além disso, com mais de 100 obras a serem inauguradas este ano no Estado, corre o risco de tocar um governo sem folga no orçamento, que muitos acreditam já estar comprometido até o final do ano.
Resta ao Estado ainda o perigo de o governo Federal cortar ou dificultar o repasse de recursos para a conclusão de obras importantes, já que o candidato do Planalto ao governo do Amazonas é outro e há dúvidas se Brasília vai ajudar a fortalecer a campanha do principal adversário do candidato de Lula.
Com tantas obras realizadas já nos primeiros meses, como novas etapas do Prosamim (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus), construção do novo Hospital 28 de Agosto; a criação do Hospital da Mulher, as obras da Ponte sobre o Rio Negro; da Avenida das Torres; do Proama (Programa de Águas para Manaus); do gasoduto; o sistema de transporte Monotrilho; a obra da Arena da Amazônia e novas escolas públicas e hospitais, tanto na capital do Estado, como no interior, o orçamento do Amazonas já pode estar comprometido e, com isso, enfraquecido o ‘poder de fogo’ do governador Omar Aziz para a campanha eleitoral deste ano. “É o que alertamos há muito tempo. Este governo vem gastando mais do que arrecada e estas obras correm o risco de parar se o cenário eleitoral caminhar desfavoravelmente a esta administração”, avaliou o vereador Marcelo Ramos (PSB).
Para Marcelo Ramos, existe a possibilidade de faltar recursos para tocar todas as obras anunciadas pelo governador, mas se isso acontecer, será um crime contra o patrimônio público. “Isso acontece porque o governante prefere fazer obras a moralizar os gastos, para garantir votos e, assim, gasta mais do que arrecada”.

Recursos da união podem ser reduzidos

Outra conseqüência, para Omar Aziz, de não ser o candidato apoiado pelo presidente Lula, é uma possível falta de interesse da União em bancar obras no âmbito estadual. É que muitas destas obras dependem diretamente de financiamentos e repasses do governo Federal que possui um candidato próprio para o Amazonas. O aliado do presidente Lula e da candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, no caso, é o ex-governador Eduardo Braga (PMDB), e não o seu sucessor direto, Omar Aziz, que herdou uma administração cheia de obras e prestígio, mas amarrada à boa vontade do Planalto.
Ocorre que o próprio presidente da República já deixou claro a preferência pelo nome de Alfredo Nascimento (PR) e dá sinais de que a máquina do governo federal e o próprio Lula vão jogar forte para eleger seu candidato, até mesmo porque Omar é candidato pelo PMN, partido que poderá se aliar, em âmbito nacional, ao PSDB, principal adversário do PT.
Nesse jogo político, Omar Aziz está isolado e poderá ficar ainda sem o apoio direto de Eduardo Braga, seu maior cabo eleitoral, uma vez que o ex-governador já declarou publicamente que tem compromisso com Lula e vai seguir as orientações do Planalto.
Nesse caso, a população acabará sendo a principal afetada por uma possível retaliação, já que pode ficar sem os benefícios que as obras trariam. “O problema é que o governo atrelou a realização de obras ao calendário político e isso é estelionato eleitoral. Se as obras pararem a população fica refém da administração e isso é inaceitável”, explicou o vereador Marcelo Ramos, ressaltando que poderá haver uma redução significativa no andamento das obras. “Acredito que o volume de obras deve diminuir ainda mais, porque o governo do Amazonas gastou muito, mas não creio que estas obras vão parar por completo, pois são trunfos para o candidato”, ponderou.
Para o deputado estadual Luiz Castro, PPS, que faz parte do bloco de oposição, tanto do governo do Amazonas quanto ao governo Federal, a possibilidade de haver retaliação a Omar Aziz é muito grande. “Não duvido de nada. No Brasil isso é possível, dependendo de quem está no poder, mas se o governo Federal quiser, isso pode acontecer”, avaliou.

Secretários afirmam que governo mantém agenda de
inaugurações

Apesar das grandes chances de haver uma retaliação política, o governo do estado mantém o andamento das obras, mas, segundo os analistas políticos, já começa a diminuir o ritmo, até a definição do cenário. Para secretários do governo do Amazonas, no entanto, não haverá este problema.
O secretário de Fazenda, Isper Abrahim, disse que não há possibilidade do Estado descumprir os prazos das obras ou deixar de fazê-las. “As obras estão acontecendo conforme foram planejadas. A Avenida das Torres, Prosamim, a Ponte e os outros grandes projetos do governo. Nada parou”, garantiu Isper Abrahim, afirmando também que as contas do governo do Amazonas estão equilibradas. “A economia está aquecida e a arrecadação do Estado deve ser muito boa. Este ano deverá ser excelente para a indústria e para o desempenho financeiro do Amazonas”, garantiu o secretário de Estado da Fazenda.
Com relação a denúncias que vêm sendo veiculadas na mídia sobre uma parada nas obras da ponte sobre o Rio Negro, o secretário da Região Metropolitana de Manaus – RMM, René Levy, afirmou que a obra não parou e que deve ser entregue este ano ainda. “Estamos concluindo o tabuleiro da margem direita, quatro vãos e o pilar central”, enumerou. Para Levy, a ponte não deve sofrer nenhuma alteração no cronograma, pois já está com os recursos liberados. “Há muita especulação em torno das obras por causa das eleições. A redução de mão-de-obra, no caso desta obra é normal, já que estamos em outra fase que não necessita de tantos trabalhadores”, esclareceu o secretário.
Já a demolição do estádio Vivaldo Lima, depende diretamente de repasses do governo Federal para a construção da Arena da Amazônia, que aguarda o repasse de R$ 400 milhões, em linha de crédito, do governo Federal para realizar a obra.
No final das contas, com ou sem repasses do governo Federal, o governador Omar Aziz terá um ano difícil e movimentado pela frente, já que seu governo garantiu a continuidade do Prosamim, em Manaus e no interior, prometeu a tomada d’água da Zona Leste; anunciou reforma de mais de 40 hospitais no interior e uma série de obras viárias e estradas.
Com a perda do apoio explícito de Eduardo Braga (que não vai contrariar Lula) e o esforço do governo brasileiro em eleger Alfredo Nascimento, pode haver uma debandada de recursos federais no Estado e atrapalhar a reeleição de Omar Aziz.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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