Cartões de crédito são uma facilidade perigosa

Em: 19 de maio de 2010
Na era do dinheiro de plástico, comprar significa dividir a quantia em várias parcelas sem juros e pagar a primeira delas em até 30 dias
Na era do dinheiro de plástico, comprar significa dividir a quantia em várias parcelas sem juros e pagar a primeira delas em até 30 dias

Na era do dinheiro de plástico, comprar significa dividir a quantia em várias parcelas sem juros e pagar a primeira delas em até 30 dias. Não por acaso, o uso do cartão de crédito está cada vez mais forte. Atualmente, existem cerca de 550 milhões de cartões de débito e de crédito ativos no Brasil. Eles são responsáveis por um faturamento superior a R$ 50 bilhões anuais e também protagonistas de inúmeras queixas nos órgãos de defesa do consumidor. De todos os registros referentes à área financeira no Cadastro Nacional de Reclamações Fundamentadas em 2009, 36,48% estão relacionados a problemas com cartões de crédito. Os números preocuparam o governo, que, após alerta do Ministério da Justiça, resolveu intervir e vai regulamentar o setor para garantir mais clareza na prestação do serviço e segurança ao consumidor (leia em Entenda o caso). Apesar das expectativas em torno das novas regras, elas não têm data certa para sair. Portanto, até lá é preciso ficar atento para evitar alguns abusos.
Somente no primeiro quadrimestre deste ano, o Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-DF) recebeu 3.114 reclamações relacionadas a cartão de crédito. “O número caiu 8,4% se comparado ao mesmo período do ano anterior. No entanto, ainda é alto. O setor financeiro é o segundo mais reclamado, depois do comércio varejista. Dentro do setor financeiro, os cartões de crédito, por sua vez, só perdem para as queixas sobre as filas dos bancos. Os registros mais frequentes referem-se ao envio de cartão sem prévio pedido, a cobranças em duplicidade ou de débito já quitado e ao não reconhecimento de certos valores. Mas a maioria nos procura para reclamar de juros altos. O Procon não pode realizar ou determinar uma negociação de dívida, mas podemos auxiliar nesse processo”.

Endividamento

“Há muitos anos me endividei com compras no cartão. Mas isso já faz muito tempo. Agora uso o cartão com total controle. Pago sempre as parcelas integrais e não caio mais nessa história de pagar a parcial. Desde então, nunca mais tive problemas com cobrança de juros”, conta o militar da reserva Carlos Alberto Santos, 66 anos.
A economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Ione Amorim explica que isso ocorre porque muitos consumidores ainda consideram o cartão de crédito como uma extensão da renda e não têm a consciência de que, vencido o prazo de 30 dias para o pagamento, podem cair num sistema de crédito, com taxas de juros elevadas e, portanto, com alto potencial de endividamento. “Quando o consumidor deixa de pagar a fatura total e quita apenas a quantia mínima, ele entra numa linha de crédito, ou seja, o restante não pago é acrescido de juros que podem chegar a 18% ao mês. O problema é que a parcela mínima corresponde a 10% do total devido. Portanto, a tendência é que essa dívida vire uma bola de neve, pois o consumidor sempre pagará menos do que os juros incorporados ao montante total”, alerta. Para quem já deixou a dívida atingir proporções incontroláveis, a dica é adquirir um crédito pessoal. “Daí você quitará a dívida e poderá pagar juros fixos e bem menores a uma instituição financeira”.

Cuidados

aNão perca o cartão de crédito de vista na hora da compra. Isso pode evitar que seu cartão seja clonado.
aEscreva no verso do cartão, no campo da assinatura, “solicitar RG”. Essa medida preserva a identidade em caso de roubo e clonagem.
aNunca forneça os três números de segurança existentes no verso do cartão. Com essa informação e o número do cartão é possível fazer compras em seu nome, uma vez que muitos estabelecimentos não são criteriosos ao obter os dados antes de confirmar a transação.
aDestrua os comprovantes de compra que apresentem o número do cartão.
aAo comprar pela internet, verifique se o site possui a chave de segurança e se seu antívirus está atualizado.

Fontes: CNDL

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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