Indústria melhorou em 2010, mas ainda está abaixo da expectativa do Iedi

Em: 26 de maio de 2010
Conforme dados divulgados na terça-feira, 25, pelo BC (Banco Central), a indústria voltou a assumir a liderança na absorção de aportes brutos de IDE (Investimento Direto Estrangeiro) em abril
Conforme dados divulgados na terça-feira, 25, pelo BC (Banco Central), a indústria voltou a assumir a liderança na absorção de aportes brutos de IDE (Investimento Direto Estrangeiro) em abril

Conforme dados divulgados na terça-feira, 25, pelo BC (Banco Central), a indústria voltou a assumir a liderança na absorção de aportes brutos de IDE (Investimento Direto Estrangeiro) em abril. Do total de US$ 3.32 milhões, 43% (US$ 1.43 milhões) direcionaram-se para esse setor –o maior percentual registrado no ano–, contra 33,4% dos serviços e 23,6% da agricultura, pecuária e extrativa mineral. O resultado representa melhora, mas o desempenho ainda deixa a desejar.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento dos aportes de capital no setor industrial foi de somente 17%, frente a 103,6% e 169,1%, respectivamente, dos serviços e da agricultura, pecuária e extrativa mineral. Em março de 2009, a participação da indústria era muito mais elevada, de 59,4%. Considerado o acumulado do ano, o setor de serviços manteve-se na primeira posição, respondendo por 41,9%, contra 35,6% da indústria. Em termos da distribuição setorial, os aportes se concentraram em poucos setores industriais, vários dos quais processadores de commodities (coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com 13,8%; produtos alimentícios, com 6,8%; produtos químicos, com 3,8%; e metalurgia, com 3%).
O ritmo ainda modesto do IDE na indústria (seja frente às demais atividades, seja em relação ao desempenho da produção industrial doméstica) decorre não somente da maior defasagem das decisões de investimento no setor (devido à maior intensidade de capital fixo), mas também dos efeitos da crise na área do Euro .
Assim como o IDE bruto para a indústria, o desempenho dos fluxos líquidos de IDE também apresentou uma melhora marginal em abril, atingindo US$ 2.22 milhões, contra US$ 2.02 milhões em março de 2010. Contudo, no acumulado, o IDE líquido somou apenas US$ 7.88 milhões (cifra 10% superior à registrada no mesmo período de 2009), o que corresponde à média mensal de US$ 1.97 milhões. Se o padrão ser mantiver nos próximos 8 meses, o IDE líquido em 2010 atingirá US$ 23.6 bilhões, valor bem inferior às estimativas do BC (US$ 45 bilhões) e do boletim Focus (US$ 37 bilhões). Para que os números se confirmem, o IDE líquido médio entre maio e dezembro teria de aumentar para, respectivamente, US$ 4.64 milhões e US$ 3.64 milhões, o que não parece factível, ainda mais após o agravamento da crise na Europa.
Os dados do primeiro quadrimestre também desenham um quadro mais nítido sobre a situação das transações correntes, que acumularam déficit de US$ 16.7 bilhões. Se projetarmos a média mensal do quadrimestre (de US$ 4.18 milhões), para o período maio-dezembro, em 2010 a conta corrente brasileira será deficitária em US$ 50.18 milhões, cifra 306% superior à registrada em 2009 (US$ 24.3 bilhões ou 1,5% PIB), equivalente a 2,6% PIB.
Mesmo se as projeções otimistas do BC e do boletim Focus se confirmarem, o ingresso líquido de IDE não será suficiente para cobrir o déficit em transações correntes. Se supormos que o ingresso fique próxima da nossa projeção (US$ 23.6 bilhões) –que parece bem mais realista diante do cenário internacional– o “gap” será de US$ 26.5 bilhões, que não representa problema de curto prazo para a economia brasileira. Isto porque, o valor deve ser financiado pela entrada líquida das demais modalidades de recursos externos, que somou US$ 30.28 milhões no período janeiro-abril.

Endividamento externo

Do total, os investimento de portfólio responderam por 43,6% (US$ 16.62 milhões), em função, em ordem decrescente, das aplicações em ações (US$ 8.57 milhões), renda fixa (US$ 5.72 milhões) e títulos de renda fixa no exterior (US$ 2.32 milhões). Em relação à última modalidade, que constitui forma de endividamento externo e que vinha perdendo importância nos últimos anos, o resultado decorre do seu excelente desempenho em abril (quando atingiu US$ 2.74 milhões), associado às emissões de notes e commercial papers por instituições financeiras no mercado financeiro internacional para usufruir as condições até então favoráveis de prazo, volume e custo (ainda mais favoráveis diante da perspectiva de alta da taxa de juros básica). Com o aprofundamento da crise do Euro, desde início de maio, essas condições se deterioraram e várias emissões já programadas foram suspensas.
Finalmente, vale destacar que, mesmo se a crise não for resolvida no curto prazo e provocar uma saída de investimentos de portfólio do país, além do fechamento do mercado financeiro internacional para emissões de residentes nos próximos meses, a economia brasileira possui hoje um estoque de reservas internacionais superior à US$ 250 bilhões, mais do que suficiente para financiar o “gap” mencionado acima.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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