Petrobras vai gerar impacto de US$ 91 bi

Em: 30 de maio de 2010
Luciano Coutinho disse que Brasil pode crescer mais por ter estrutura industrial com base de produção
Luciano Coutinho disse que Brasil pode crescer mais por ter estrutura industrial com base de produção

Os investimentos da Petrobras já se traduziram e ainda vão gerar um impacto indireto de, pelo menos, US$ 91 bilhões no restante da cadeia produtiva nacional entre 2009 e 2012, aponta estudo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) divulgado esta semana. Nesse período, a estatal investiu e aportará US$ 112 bilhões ao todo.
Inédito, o levantamento considera que os investimentos diretos da estatal e os realizados por fornecedores para atender as encomendas da companhia vão assegurar um acréscimo de US$ 202 bilhões na produção nacional de bens e serviços.
O maior impacto indireto será no setor de serviços (comércio, transporte e outros), que produzirá US$ 34 bilhões a mais somente por conta da demanda da Petrobras. Em relação ao efeito direto das encomendas da estatal, o maior volume será direcionado ao setor de máquinas e equipamentos: US$ 43 bilhões.
Os dados consideram tanto os investimentos para desenvolver a produção do pré-sal -que tendem a se acelerar mais após 2012- como os demais projetos da estatal nas áreas de exploração e produção, gás e energia, refino, entre outros.
Para Luciano Coutinho, presidente do BNDES, o Brasil não pode ser apenas um comprador de equipamentos e um exportador de petróleo bruto, modelo adotado por países que possuem grandes reservas de óleo e gás.
Para o executivo, por já possuir uma forte estrutura industrial estabelecida no país, o Brasil tem de “desenvolver uma grande base de produção” doméstica. “Temos de promover uma grande cadeia de fornecimento no Brasil”, disse.
O presidente do BNDES disse que “não seria inteligente” para o Brasil importar apenas os equipamentos necessários para o pré-sal e vender óleo cru, sem desenvolver uma indústria de apoio às atividades de petróleo forte no país.
Coutinho lembra que 22% desses investimentos correspondem a projetos ligados à exploração e produção de petróleo na camada pré-sal e, por isso, ainda estão subestimados. Já o segmento de máquinas e equipamentos é o que vai receber mais recursos diretos, mas, aplicação dessa cifra vai proporcionar um efeito indireto mais modesto, de US$ 8,3 bilhões. “A escala do investimento é muito grande, temos uma base que vai precisar de mais siderurgia, com mais chapa grossa, de mais insumos para siderurgia, vai precisar de mais ferrovias, estaleiros, mais equipamentos”, explicou. Segundo o presidente do BNDES, promover o desenvolvimento dessa grande cadeia produtiva é um desafio, porque não seria “inteligente” para o Brasil optar por um modelo de país exportador, que apenas vende o petróleo, sem promover o crescimento da indústria local.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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