A Fetramaz (Federação de Transporte de Cargas da Amazônia), ligada ao sindicato da categoria com o nome homônimo, acompanha os níveis de gases emitidos pelos ônibus e caminhões que transportam carga pesada em Manaus.
Segundo Augusto Araújo Neto, advogado que assessora as duas entidades, a situação da poluição veicular já é preocupante na capital e agravou-se consideravelmente em função do aumento do número de veículos que trafegam atualmente na cidade.
A frota de veículos de Manaus (hoje perto de 500 mil) cresceu principalmente após a redução da alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) no ano passado, o que levou a uma explosão do consumo no mercado de automóveis.
Melhor para a indústria automobilística, mas expressivamente danosa ao meio ambiente. Mesmo com o fim da desoneração do IPI em meados deste ano decretado pelo governo federal, as revendedoras mantêm praticamente as mesmas facilidades para a compra de carros novos que atraem ainda muitos clientes.
“Por vivermos ainda numa região que possui uma rica biodiversidade, a questão sobre os danos às floresta ainda não é muito valorizada. Aliás, ninguém leva muito a sério os impactos ambientais que podem se transformar em grande ameaça num futuro próximo para a Amazônia como um todo”, alerta Augusto Araújo.
Ele acrescenta que a consequência dessa ação “impensada” do homem em relação ao planeta é a quebra da harmonia no ecossistema. “E o resultado de tudo isso se traduz nas tragédias que vemos hoje em função das chuvas torrenciais, enchentes, provocando milhares de vítimas em todo o mundo”, alerta o advogado.
Segundo o advogado, a Fetramaz não cobra nada para medir os níveis de emissões de gases. “O serviço está disponível para qualquer interessado. Depois da avaliação, emitimos um laudo sobre as condições reais dos veículos e recomendamos o que deve ser feito para minimizar ou solucionar o problema”, explica ele.
Inspeção veicular
O assessor da Fetramar revelou que o ajuste dos níveis de emissões dos veículos pode garantir uma economia de até 30% no consumo de combustíveis. “Então, é extremamente vantajoso manter o veículo em plenas condições técnicas para trafegar, segundo o padrão de emissão recomendado pelos órgãos ambientais. É bom para o bolso e também para o meio ambiente”, diz.
De acordo com Araújo, o procedimento sobre a inspeção veicular é uma recomendação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), através da Resolução 418, orientando que todos os Estados reforcem o controle das emissões de gases poluentes na atmosfera. A medida foi reforçada principalmente pela pressão da comunidade científica internacional que aumentou o alerta sobre o aquecimento global.
“As estatísticas oficiais apontam que apenas 2% da cobertura vegetal da floresta amazônica foram desmatados. Dizem que é muito pouco para tanta preocupação com a região. Mas até quando as florestas terão condições de absorver todos esses gases poluentes oriundos das queimadas, dos veículos e do CO2 da indústria?”, questiona o advogado.
A questão do aquecimento global tem gerado muita controversa em todo o mundo. De um lado, a comunidade científica aponta um aumento no buraco da camada de ozônio, que protege a terra da ação dos raios ultravioletas, extremamente danosos para o ambiente. De outro, a indústria, cada vez mais preocupada em aumentar os seus lucros, argumenta que o alerta não passa de alarde e não existem parâmetros seguros que atestem o iminente perigo tão “decantado” pelos cientistas. Quem está com a razão?







