BC sugere mais aumento de 0,75 pp do juro em julho

Em: 1 de julho de 2010
O indicativo do governo reforça a preocupação do Copom com o desequilíbrio entre demanda e oferta e as pressões de alta da inflação
O indicativo do governo reforça a preocupação do Copom com o desequilíbrio entre demanda e oferta e as pressões de alta da inflação

O relatório de inflação de junho divulgado pelo BC (Banco Central) reforça a preocupação do Copom (Comitê de Política Monetária) com o descompasso da demanda agregada ante a oferta e suas pressões de alta da inflação, o que deve levar o BC a subir novamente os juros em 0,75 ponto porcentual na reunião que será encerrada no dia 21 de julho, avaliou o economista-sênior do banco JP Morgan, Júlio Callegari.
“Com o movimento de aperto monetário, que deve levar a Selic para 12,50% em dezembro, o PIB deve desacelerar de uma marca ao redor de 7,5% em 2010 para 4,5% em 2011. Mesmo assim, a inflação deve fechar o próximo ano em 5,1%, acima da meta de 4,5%”, comentou.
No documento informado pela autoridade monetária, o BC aumentou sua projeção de crescimento do País para este ano de 5,8% para 7,3%. Além disso, explicitou que as projeções para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para este ano e o próximo subiram um pouco, tanto para o cenário de referência como para o de mercado.
No caso das previsões do BC para o indicador, houve uma elevação de 5,2% para 5,4% para 2010 e de 4,9% para 5% em 2011. Por outro lado, as estimativas no cenário de mercado avançaram de 5,2% para 5,3% neste ano e de 4,4% para 4,6% nos 12 meses seguintes.
Os aumentos das projeções de inflação, segundo Callegari, não geram pânico, mas colaboram para que o BC ressalte que houve uma deterioração dos riscos de estabilidade de preços, pois a economia está bem aquecida e a oferta de produtos no mercado tem limites estruturais, mesmo com a alta vigorosa das importações.
Afinal, o PIB cresceu 2,7% na margem no primeiro trimestre, velocidade equivalente a um ritmo chinês de expansão de 11,24% em termos anualizados.
Ele afirma que o documento divulgado hoje pelo BC destaca na página 96 que as estimativas para o IPCA consideradas pelo BC mostraram piora.
“O Copom considera que essa deterioração deve ser contida, e, para tanto, precisam ser revertidos os sinais de persistência do descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas”, aponta o relatório.
Nesse contexto, continua o texto, “a postura da política monetária deve ser ajustada”, tanto para ajudar na convergência entre o consumo e oferta de mercadorias e serviços e também para evitar que a ascensão isolada de alguns preços continuem prejudicando as expectativas de inflação.
Em função do nível de atividade muito forte, Callegari destaca que o BC deve elevar os juros para 11% no próximo dia 21 e continuar o aperto monetário com mais três incrementos consecutivos de 0,50 ponto porcentual cada um nos dias primeiro de setembro, 20 de outubro e 8 de dezembro.
Como o próprio Banco Central espera que o IPCA deve fechar o próximo ano em 5%, 0,5 ponto porcentual acima da meta, na melhor das hipóteses o Copom manterá os juros estáveis em todo o ano de 2011. Ele estima que o IPCA deve reduzir de 5,7% neste ano para 5,1% no próximo, mesmo com um crescimento do PIB mais moderado, de 4,5%, menor em três pontos porcentuais ao que deve ser registrado em 2010.
“Não há dúvida que o cenário prospectivo para a inflação no País não é algo tranquilo”, comentou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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