Taxa de juros do cheque especial atinge maior nível desde 2009

Em: 19 de julho de 2010
Segundo a Anefac, consumidor usa muito cheque e pouco cartão
Segundo a Anefac, consumidor usa muito cheque e pouco cartão

A taxa de juros do cheque especial subiu pela terceira vez seguida em junho e, segundo dados da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), passou de 7,43% ao mês (136,32% ao ano) para 7,50% a.m. (138,18% ao ano) do quinto para o sexto mês do ano, registrando a maior taxa desde junho de 2009, quando estava em 7,54% ao mês.
Segundo os economistas da Anefac, as taxas variam – e muito – de banco para banco, o que faz com que o gasto com juros seja muito diferente no uso do cheque especial.
Mesmo com os altos juros e havendo outras alternativas disponíveis, uma parcela grande dos brasileiros ainda usa o cheque especial para fechar as contas ao final do mês. Muitos deles consideram o limite do cheque especial parte de sua renda, o que pode acabar levando ao descontrole e, consequentemente, ao endividamento.
Especialistas salientam que as menores taxas costumam estar disponíveis para clientes de alta renda. Portanto, ao precisar de um dinheiro extra, só se deve recorrer ao cheque especial quando não houver outra saída. Alternativas como desconto em folha (empréstimo consignado) e crédito pessoal costumam ser mais baratas. Para quem já possui dívidas no cheque especial, o empréstimo consignado ou crédito pessoal podem ser formas de “trocar a dívida cara por uma mais barata”, com taxa de juros menores. Quem fizer essa opção deve analisar com atenção o contrato feito com o banco e o valor da taxa cobrada pelo empréstimo. Outra forma de evitar novos problemas é pedir que a instituição cancele essa linha de crédito, encerrando o limite do cheque especial. Para isso, porém, é necessário que o cliente negocie seus débitos atuais com a instituição financeira.
A análise da Anefac demonstra ainda que o consumidor brasileiro ainda prefere gastar em dinheiro e cheque. Apesar do crescimento no uso dos meios eletrônicos de pagamento no Brasil, a média de transações com cartões ainda é muito inferior a de países desenvolvidos. No cartão de débito, por exemplo, são feitos em média dez pagamentos por ano por cartão, enquanto a média nos países ricos é de 67. No cartão de crédito a diferença é um pouco menor: são 18 transações por ano, por cartão, no Brasil, frente a 24 lá fora.
Os números da Anefac confirmam estudo sobre a indústria de cartões realizado pelo Banco Central. O documento mostrou ainda que, no 4º trimestre de 2009, havia no Brasil 152,3 milhões de cartões de crédito emitidos, dos quais 74,9 milhões ativos, e 221,4 milhões de cartões de débito emitidos, sendo 57,7 milhões ativos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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