Os bancários de Boa Vista (RR) paralisam as atividades nas agências nesta sexta-feira, em manifestação contra a proposta lançada pelos banqueiros para a categoria. Hoje, durante assembléia geral, os funcionários dos bancos discutem o reajuste salarial de 4,82% apresentado pelos patrões. O percentual está abaixo da metade do repasse proposto pela categoria, durante as rodadas de negociações, cujo valor era de 10,30%.
De acordo com dados do Sindicato dos Bancários de Roraima, os banqueiros resolveram ainda manter a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) nos moldes do ano passado, cujo acordo era de 80% do salário acrescido do valor do contracheque, hoje em R$ 828. A cifra pode ser paga em duas vezes, sendo a primeira parcela até dez dias após o fechamento do acordo coletivo e a segunda, até 2 de março.
Para a presidenta do sindicato da categoria, Andréa Vasconcelos, depois de um mês de negociações, a contraproposta apresentada pelos empresários é vergonhosa. “O que eles (banqueiros) querem pagar de PLR não chega a 5% do lucro dos bancos em 2006. A nossa meta era receber pelo menos entre 10% e 15% da lucratividade, o que daria uma média de R$ 3.500 para cada funcionário, tranquilamente”, afirmou a sindicalista.
O valor calculado para a PLR é mais que justo, na opinião de Andréa. “São os trabalhadores que geram o lucro dos bancos”, argumentou.
Trabalhadores querem aumento de 10,30%
Segundo informações do sindicato dos bancários, a proposta do reajuste salarial de 10,30% foi calculada com base na inflação, cerca de 4%, mais ganho real previsto pela categoria, aproximadamente 5,5%. No último acordo coletivo de 2006, o reajuste foi de 3,5%, bem abaixo do estimado.
Conforme Andréa Vasconcelos, outra proposição dos bancos é pagar a 13ª cesta alimentação aos funcionários, no valor de R$ 240. “A reivindicação dos bancários era R$ 380 e por isso vamos continuar lutando”, disse a sindicalista, acrescentando que a orientação do comando nacional de negociação é reprovar a contraproposta dos banqueiros.
Retorno Social
Além do movimento interno dos funcionários dos bancos, ou seja, manifestações por melhorias para a categoria, a presidenta do sindicato informou que os sindicalizados estão travando discussões ainda para benefícios voltados à sociedade. “Entre as nossas reivindicações, está a ampliação do horário de atendimento, contratação de mais trabalhadores, de forma a se adequar a lei das filas, que prevê atendimento, ao máximo, em 30 minutos”, explicou a sindicalista.
Na opinião de Andréa Vasconcelos, as agências bancárias têm que investir em responsabilidade social. “Hoje, eles (os bancos) acumulam cifras de R$ 6 bilhões, a exemplo do Bradesco, no último ano, e não disponibilizam melhores serviços à sociedade, que, afinal os mantém com as tarifas e taxações pagas pelos serviços”, justificou.
Segundo o sindicato, a idéia é parar as atividades na sexta, com vistas a conseguir algumas alterações na proposta lançada pelos banqueiros. A meta dos sindicalizados é agendar nova conversa na próxima semana.
Participação ativa
O Sindicato dos Bancários de Roraima está desde o dia 11 deste mês com a campanha nacional por melhorias para o setor, tanto para as cláusulas de cunho econômico quanto sociais.
Andréa Vasconcelos disse que, o lucro dos bancos é construído com a participação de cada bancário, quando este inicia uma conta, vende seguros ou faz qualquer operação financeira que gere renda à instituição. “Seria uma forma de reconhecimento por parte dos banqueiros de que os resultados também são frutos das negociações do bancário”, afirmou.a presidenta.







