Foco nas classes C e D preocupa donos de supermercados de bairro

Em: 26 de julho de 2010
Decisão do hipermercado é vista com cautela pelos empresários de menor porte, que tem nesse público emergente a principal fonte de seu faturamento
Decisão do hipermercado é vista com cautela pelos empresários de menor porte, que tem nesse público emergente a principal fonte de seu faturamento

As grandes redes de supermercado do país estão de olho na ascensão das classes C e D e vão destinar um terço dos R$ 6,3 bilhões de investimentos anunciados para 2010 e 2011 para expandir os negócios para o consumidor que ganha de três a dez salários mínimos, segundo definição da FGV (Fundação Getúlio Vargas). A iniciativa destinará R$ 2 bilhões para a abertura de novas lojas e reforma de unidades que já atendiam esse público.
No Amazonas, a situação não é muito diferente. Segundo o diretor regional do Carrefour em Manaus, Antonio de Meneses, a rede, que conta com seis hipermercados instalados na capital amazonense, já fez vários investimentos na região e também está de olho no crescimento da faixa dos consumidores emergentes. O dirigente, no entanto, prefere não revelar números sobre aportes de capital na nova estratégia.
A notícia preocupa os proprietários de supermercados de pequeno e médio porte da cidade, que atravessam dias de vendas aquecidas, embora mornas. Para empresários do segmento ouvidos pelo Jornal do Commercio e que tem a maioria de sua clientela concentrada nas classes C e D, o momento é de cautela.
“É uma preocupação a mais para os pequenos e médios empresários, já que são grandes redes querendo investir em um setor onde já existe uma grande concorrência. Ainda não sabemos qual será o impacto desses investimentos, mas posso dizer que será muito difícil concorrer com os grandes”, avaliou o proprietário do Supermercado Dois Irmãos, Hassem Ferreira.
Conforme o proprietário da rede, que possui lojas na Alvorada (zona centro-oeste) e Manôa (zona norte), além dos preços, atendimento diferenciado e estratégia de aproximação com a clientela para fidelizar compras são as armas para enfrentar o poder de fogo das grandes redes.
“O momento é de aproveitar a atual situação da economia do país. Em Manaus, estamos presenciando um real crescimento em diversos setores, e o nosso está conseguindo acompanhar este bom momento, cálculo que estamos tendo um crescimento anual entre 8% e 10%, satisfazendo nossas expectativas”, salientou.
Hassem Ferreira lembrou que consumidor que compra em supermercados de bairro se tornou mais exigente e hoje chega à loja muito mais bem informado sobre os preços e marcas de produtos. “Por isso, é preciso investir mais em ambientação e variedade de produtos”, observou.

Base estruturada

Já o proprietário do Mercadinho Itália, José Carlos Cristino, diz que está preparado para os próximos desafios do mercado. “Trabalhamos sempre com os pés no chão e planejamos cada passo. A concorrência faz parte do mundo em que vivemos. Não acredito em impacto negativo”, declarou.
Segundo o empresário, cujo supermercado está localizado no bairro D. Pedro II, zona centro-sul, quem tem base bem estruturada vai continuar trabalhando para melhor atender os clientes com preços bons, oferecendo produtos de qualidade e bons serviços, além de praticar atendimento diferenciado para melhor servir o público. “Esses fatores são à base de qualquer comerciante para segurar seu público”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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