A construção de um porto para embarque e desembarque de passageiros, na área da antiga Siderama, zona Sul de Manaus, foi discutida em audiência pública na CMM (Câmara Municipal de Manaus), com a participação de representantes do setor industrial e instituições como Suframa, Infraero, Sebrae, Marinha e secretarias de meio ambiente. Todos reconheceram a necessidade urgente da obra para resolver o problema de atracação de embarcações que fazem linhas para os municípios do interior e de outros Estados da região.
Promovida pela Comissão de Transporte, Viação e Obras Públicas da Casa, a audiência foi requerida pelo vereador Mário Frota (PDT), que afirma já ser hora de Manaus ter uma Estação Hidroviária com qualidade, considerando que em torno de 90% das pessoas que chegam à cidade, vindas do interior do Estado, ou do Oeste do Pará, vêm por via fluvial, ou seja, de barco.
Frota ressalta que a capital amazonense tem um aeroporto obsoleto que não atende a demanda de passageiros e de cargas; tem uma estação rodoviária que está caindo aos pedaços, já que nunca recebeu uma reforma e os seus banheiros estão todos comprometidos; e não tem uma estação hidroviária para atender as pessoas que chegam de barco. “No porto improvisado da Manaus Moderna, as pessoas fazem malabarismo para entrar e sair dos barcos”, afirma.
Portos existentes são problemáticos
O parlamentar destaca que, além do transtorno que as pessoas enfrentam no embarque e desembarque na Manaus Moderna, a sujeira e o mau cheiro no local, existe também grande fluxo de veículos naquela área, causando engarrafamentos e muitos outros problemas, inclusive a falta de segurança.
Para Mário Frota, a construção da estação hidroviária requer certa urgência, considerando que Manaus é uma das sub-sedes da Copa de Mundo de 2014, quando muita gente vinda do interior do Amazonas ou de Estados vizinhos, chegará à cidade por via fluvial. “Por isso é importante que se tenha um porto para receber esses visitantes com dignidade”, argumenta.
O vereador defende a idéia da audiência pública afirmando entender que a Câmara Municipal ou a Assembléia Legislativa são fóruns próprios para se discutir temas dessa relevância. Por isso ele agradeceu a presença de todos que atenderam ao seu chamado para debater essa sua proposta.
Local proposto por vereadores está enrolado
Ainda na audiência pública, a representante da Suframa, Ana Maria Oliveira de Souza, coordenadora geral de estudos econômicos da autarquia, informou que a área da antiga Siderama (local onde os vereadores sugerem a construção de um novo porto) não pertence à Suframa. Ela contou que foi dada à Suframa, em 2002, uma concessão de uso gratuito que iria até 2012 para que ali fosse instalado o novo Eizof (Entreposto Internacional da Zona Franca de Manaus), que acabou sendo inviabilizado por uma nova ordem que proíbe esse tipo de entreposto. A Suframa tinha outros projetos para a área, mas devido o processo de contingenciamento de suas verbas, todos estão inviabilizados no momento.
Ana Maria contou também que no dia 30 de março de 2006, a Presidência da República lançou decreto que dispõe sobre o porto da Ceasa, tanto a área direita quanto a esquerda e agora, no dia 23 de junho deste ano, a Secretaria dos Portos, vinculada a Presidência da República, lançou uma portaria que convoca os interessados em registrar e elaborar projetos básicos de estudos de empreendimento portuários a serem utilizados na concessão do porto novo de Manaus.
Empresários defendem projeto de novo porto
O diretor executivo do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Ronaldo Mota, parabenizou o vereador Mário Frota pela iniciativa de convocar a audiência para debater o assunto. Ele reconheceu que a cidade precisa realmente dessa Estação Hidroviária, mas precisa também de um porto público. “A Zona Franca de Manaus está condenada ao não crescimento. Nós não podemos crescer nada porque todos os problemas aparecem”, disse Mota.
De acordo com o empresário, até o ano passado se tinha o aeroporto como sinônimo de excelência na área de carga depois da construção do TECA 3, mas foi só aumentar um pouco o fluxo de carga para o local, para demonstrar que não existe essa apregoada excelência. “Quando se fala em transporte de carga, temos um problema muito sério: não temos estrada, não temos um porto público e o roadway desde o ano passado sofre interdição judicial para não funcionar como porto de carga, pois não tem mais condições para isso e virou porto de passageiros”.
Já o empresário Flávio Dutra, representante da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), fez uma reflexão sobre a infra-estrutura da cidade de Manaus. “Nós precisamos melhorar o nosso sistema de transporte de massa de modo que atenda as exigências da FIFA, uma vez que Manaus é uma das subsedes da Copa de 2014. Tenho ouvido falar de ações e conversas entre o Estado e o Município para que possibilite a criação dessa infra-estrutura”, mencionou o empresário.
Para ele, a construção de uma estação hidroviária tem que estar dentro de um projeto macro de acessibilidade na cidade, porque não adianta trazer os barcos para o porto da Siderama ou qualquer outro que seja, se não houver um sistema de transporte urbano eficiente. “Como que as pessoas iriam se descolar se não houver us sistema de transporte integrado?”, indaga.
Alfredo recebe reclamações de moradores em caminhada
O candidato ao Governo do Estado, Alfredo Nascimento (PR), realizouesta semana, caminhadas em mais de 5 bairros da cidade. Ontem, o candidato esteve no bairro Redenção, localizado na Zona Centro-Oeste da cidade. Segundo ele, o local mostra quadros evidentes de abandono, onde pôde observar grande quantidade de lixo jogado nas ruas e nos dois igarapés do bairro, esgoto correndo a céu aberto e mau cheiro. Cerca de 200 pessoas acompanharam Alfredo na visita ao bairro, entre elas, moradores que o seguiram, explicando quais os anseios da comunidade.
Entre as reclamações, os alagamentos constantes estão entre os problemas que mais preocupam os moradores. Eles destacam que, junto com a água, o lixo invade as casas, trazendo doenças e atingindo, principalmente, crianças e idosos.
Alfredo Nascimento lamentou a falta de manutenção nos igarapés e destacou que, se eleito, se encarregará de levar o Prosamim (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus) às periferias de Manaus que, atualmente, são as que mais precisam. De acordo com Alfredo, o igarapé principal do bairro teve a obra de canalização iniciada por ele quando prefeito de Manaus, mas, infelizmente, a obra não foi concluída e o rip-rap não é suficiente para impedir que o igarapé transborde.
“A segurança pública está deixando muito a desejar e o problema de droga é muito sério aqui. Falta a presença do poder público nas áreas de periferia da cidade e no interior do Estado”, frisou. Ele considerou um desrespeito o modo como o povo do bairro está sendo tratado pelas autoridades. Moradores reclamaram, ainda, a ausência de postos médicos e fizeram um pedido ao candidato, que caso se torne governador do Amazonas, melhore a saúde e segurança do local e, consequentemente, a infraestrutura do bairro, que é carente de feira, áreas de lazer, entre outros. O único campo de futebol apontado pelos moradores como opção de esporte às crianças, também foi construído por Alfredo. “Desde lá, não tivemos mais melhorias no bairro e a situação só vem piorando”, disse a dona de casa Maria de Fátima Barroso.
No quesito educação, Alfredo lamentou que a última construída, há dez anos, ainda não tenha recebido sequer uma reforma. Durante a visita a Redenção, que durou cerca de uma hora, Alfredo percorreu as seguintes ruas: Mantiqueira, Cubatão, Iguaçu, Olinda, Pajé, São Vicente de Paula e Samambaia. Estiveram presentes, na ocasião, alguns candidatos que fazem parte da coligação “O Amazonas melhor para todos”, composta pelas seguintes siglas: PR, PSB, PT, PTdoB, PDT, PSL e PSDC. Entre eles, Marilene Corrêa, candidata ao Senado e Humberto Michiles, candidato a deputado federal.
Reuniões com lideranças pontuam campanha
No início da noite, Alfredo participou de uma reunião com cerca de 300 idosos, entre eles, integrantes da Associação Grupo União dos Idosos de Petrópolis. O encontro aconteceu com festa e boas lembranças da época em que o candidato foi prefeito. “Quando Alfredo criou o Parque Idoso, nós começamos a ser reconhecidos como categoria, pois, até então, éramos tratados com desprezo e preconceito pela sociedade”, disse a dona Maria Auxiliadora.
Alfredo destacou que tem projetos que devem beneficiar a categoria, caso eleito. Entre eles, está a criação de Centros de Convivência do Idoso no interior e a reativação das casinhas de saúde do programa Médico da Família, criado por ele quando prefeito. À época, 178 casinhas foram implantadas em Manaus, mas, atualmente, cerca de um terço funcionam. “A saúde preventiva pode evitar que as pessoas lotem os hospitais”, explicou. O candidato revelou que pretende, caso eleito, adotar uma maneira nova de administrar o Estado, passando três dias no interior e três na capital.







