O Estado e as políticas neoliberais

Em: 30 de julho de 2010
O neoliberalismo é uma palavra que anda de boca em boca. É uma corrente de pensamento que reatualiza o liberalismo do século XVIII
O neoliberalismo é uma palavra que anda de boca em boca. É uma corrente de pensamento que reatualiza o liberalismo do século XVIII

O neoliberalismo é uma palavra que anda de boca em boca. É uma corrente de pensamento que reatualiza o liberalismo do século XVIII. É, sem dúvida, uma máquina cruel de desapropriação de direitos.
Em outras palavras: o que era direito vai se transformar em serviços, ou seja, você vai ter que comprar no mercado. Nessa onda neoliberal que assola o planeta, a educação considerada, pela Constituição de 1988, como um dever do estado e um direito social, corre o risco de se tornar numa mera mercadoria. Como tal, acessível a quem por ela pode pagar.
uando se mercantiliza a educação, esta se iguala aos processos produtivos e de serviços: a privatização. Como a escola pública está sucateada, resta à escola de iniciativa privada como recurso a quem dispõe de dinheiro suficiente para arcar com a despesa dos estudos. Entendemos que o caráter mercantilista faz a qualidade do ensino transferir-se da escola pública para a escola privada.
O Estado vem, gradativamente, se desresponsabilizando pelos seus deveres sociais, como educação e saúde, consequência amarga do neoliberalismo, que, em nome do capital, apregoa a privatização do patrimônio público, permitindo que muitas escolas do setor privado funcionem como uma empresa que oferece educação como mercadoria de luxo.
O neoliberalismo é muito forte não pela economia; é forte pela ideologia que propaga. Por que afirmamos que o neoliberalismo é forte?
Porque a capacidade de resistência das pessoas ficou inviabilizada pela fragmentação, pela dificuldade de organização.
Face ao exposto, podemos afirmar que as políticas educacionais vão de encontro ao que prevê a constituição de 1988, isto é, o comprometimento do Estado com a educação em todos os níveis.
Sendo submisso às determinações dos organismos internacionais de cultura e financiamento (Banco Mundial e FMI), o Estado brasileiro demonstrou sua intenção de contribuir para o surgimento de mercado de serviços educacionais, marca registrada da ideologia neoliberal, à sombra de uma aparente democratização do sistema de ensino, o que reforça a dualidade estrutural na medida em que, de fato, não se preocupa em proporcionar uma educação pública de qualidade para o conjunto da sociedade.
Frei Betto, um dos teóricos da Teologia da Libertação, afirma que “educar deveria ser muito mais que propiciar ao educando conhecimentos e habilidades para que venha a obter melhores salários que seus pais e avós. Mais importante do que formar um profissional, é formar uma pessoa capaz de atuar como cidadã; inserir-se sem preconceitos nessa realidade multicultural; associar significados e construir sínteses cognitivas […]”
Concluímos, dizendo que não se deve educar apenas para o vestibular ou para a obtenção de um diploma para ingressar no mercado de trabalho, mas para a vida.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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