A Fiscalização Federal na ZFM

Em: 3 de agosto de 2010
Nas mais de quatro décadas de sua existência, a ZFM vem padecendo de uma crônica deficiência que eleva os custos das empresas e reduz a competitividade dos produtos fabricados no PIM
Nas mais de quatro décadas de sua existência, a ZFM vem padecendo de uma crônica deficiência que eleva os custos das empresas e reduz a competitividade dos produtos fabricados no PIM

Nas mais de quatro décadas de sua existência, a ZFM vem padecendo de uma crônica deficiência que eleva os custos das empresas e reduz a competitividade dos produtos fabricados no PIM. É a lentidão da fiscalização do governo federal para liberar as cargas que entram e saem de Manaus. Embora seja justo reconhecer o esforço e a dedicação com que os fiscais desempenham sua atividade, a causa maior da lentidão do processo decorre da insuficiência do quadro de fiscais nesses órgãos (Receita Federal, Ministério da Agricultura e Anvisa). O quadro de fiscais da fiscalização federal não acompanhou o desenvolvimento econômico da ZFM. Para tratar do assunto junto à Secretaria da Receita Federal, as entidades empresariais enviaram, em 27.07.10, carta ao Secretário desse órgão, cujo texto é a seguir transcrito:

Ilustríssimo Senhor:

Octacílio Dantas Cartaxo
MD. Secretário da Receita Federal
Ministério da Fazenda
Brasília – DF

Senhor Secretário,

Conforme nossas correspondências enviadas a essa Secretaria em 4.02.2010 e em 12.03.2010, as entidades representativas da classe empresarial do Polo Industrial de Manaus (PIM) estão preocupadas com o efetivo de fiscais que atuam na Alfândega do Porto de Manaus na liberação das cargas que entram e saem desta capital. A agilidade desse processo, que infelizmente não vem acompanhando o crescimento da economia da Zona Franca de Manaus (ZFM), é um fator crítico para a nossa economia em decorrência de afetar negativamente a competitividade das empresas locais.
Conforme lembramos na carta datada de 04.02.2010, a capital do Amazonas é sede de uma área de livre comércio, onde se localiza o PIM, que apresentou um faturamento da ordem de US$ 26 bilhões em 2009, 13% inferior ao de 2008 (US$ 30 bilhões) em razão da crise financeira mundial. Em face dessa característica, a totalidade da carga importada e exportada na ZFM necessita passar pela fiscalização prévia da Receita Federal, entre outros órgãos do governo federal.
Ocorre que a ZFM padece de carência crônica no número de fiscais para desembaraço das cargas que recebe e expede. A Receita Federal, no que diz respeito à Alfândega do Porto de Manaus, por exemplo, vem operando com apenas 40% de sua necessidade – hoje estimada em 110 fiscais. Entretanto, do concurso atual, coube a Manaus – na distribuição nacional – 28 fiscais para a Alfândega do porto, o que não é suficiente. Conforme foi noticiado na imprensa, essa Secretaria irá chamar, além do previsto no edital, mais 50% dos aprovados. Desse modo, ficamos na expectativa de que Manaus seja contemplada, no mínimo – para guardar a mesma proporcionalidade –, com mais 14 fiscais.
Queremos ressaltar que, como o efetivo ideal para o bom funcionamento da Alfândega do porto de Manaus é de 110, com o ingresso de novos fiscais ficaremos com um total líquido de 66, representando apenas 60% de suas necessidades.
Na certeza de que a sensibilidade de Vossa Senhoria compreenderá a importância desse assunto para a economia da ZFM, conforme demonstrado na audiência que tivemos em Brasília, nessa Secretaria, em 10.03.2010, antecipamos nossos agradecimentos.

Atenciosamente,

(assinam os presidentes da Fieam, do Cieam e da Câmara de Comércio e Ind. Nipo-Brasileira).

China supera Japão
A China superou o Japão em termos de PIB e tornou-se a segunda maior economia do mundo, como resultado de três décadas de crescimento acelerado. Dependendo do ritmo de alta da taxa de câmbio, o país está no caminho de ultrapassar também os EUA e ocupar o primeiro lugar antes de 2030, segundo projeções do Banco Mundial, Goldman Sachs e outros. O país chegou perto de superar o Japão em 2009 e a informação do governo de que isso foi conquistado agora não é surpresa. “A China já é agora, de fato, a segunda maior economia do mundo”, disse Yi Gang, chefe do órgão regulador de câmbio, na sexta-feira passada (30.07.10). Deixar o Japão para trás pode dar à China o direito de vangloriar-se, mas sua renda per capta, de cerca 3.800 dólares, é uma pequena fração da japonesa ou da norte-americana. “A China ainda é um país em desenvolvimento e devemos ter sabedoria suficiente para reconhecermos isso”, acrescentou Yi, quando questionado se já é hora de o iuan se tornar uma moeda internacional.
Espera-se que a economia chinesa tenha crescido 11,1% no primeiro semestre de 2010 na comparação com o mesmo período do ano passado, e provavelmente deve acumular expansão superior a 9% no ano como um todo, de acordo com Yi. A média anual de crescimento da China tem sido maior que 9,5% desde que o país realizou reformas de mercado em 1978. Mas esse ritmo deve desacelerar com o tempo. Se puder ostentar um crescimento nesta década entre 7% e 8% ao ano ainda será uma forte performance. A questão é se o ritmo pode ser sustentado, esclarece Yi, considerando também as restrições ambientais que o país enfrenta.
Caso consiga manter um avanço anual entre 5% e 6% ao ano na década de 2020, a China terá sustentado um rápido crescimento por 50 anos – o que, segundo Yi, seria algo sem precedentes na história. Em um importante aspecto, contudo, ainda fica para trás: ansiosa para se proteger da volatilidade dos mercados globais, não tem permitido que sua moeda seja livremente comercializada, a não ser para fins de comércio e investimentos estrangeiros diretos. Yi disse que Pequim não tem um momento certo para tornar o iuan totalmente conversível. “A China é muito grande e seu desenvolvimento é desequilibrado, o que torna esse problema muito mais complicado. É difícil chegar a um consenso sobre isso”, completou. “Precisamos ser modestos. Se outras pessoas escolhem o iuan como moeda de reserva, não impediremos se ocorrer por demanda do mercado. Porém, não nos esforçaremos para promover isso”, acrescentou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar