Um dos setores econômicos que mais tem sido prejudicado pelo caos no transporte urbano de Manaus é o comércio, segundo avaliação da FCDL/AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas). De acordo com o presidente da entidade, Ralph Assayag, as empresas perdem de 5% a 10% nas vendas mensais em função dos problemas gerados pela escassez e má conservação dos ônibus que circulam na capital amazonense.
“Para ir com suas compras para casa, muitos clientes dependem do transporte público. Se esse ônibus estiver lotado, o consumidor não vai comprar muita coisa, porque esta é a única maneira de levar seus produtos”, desabafou o dirigente.
Conforme Assayag, apesar de ambos trabalharem com vendas, o comércio é muito diferente da indústria, e acaba sendo bem mais prejudicado pelo problema. Ele explica, por exemplo, que o cliente industrial pode contar com a entrega do produto sem prejuízos à produção. Entretanto, salienta o presidente da FCDL/AM, se acontece um problema no comércio, como chuva ou algo do gênero, não há como fazer a entrega e dificilmente o cliente retorna no dia seguinte. “Se você perdeu a venda naquele momento, esqueça. O cliente não vai voltar para comprar”, asseverou.
Funcionários acidentados
Outro problema citado por Ralph é o número de acidentes com funcionários. Como o transporte não oferece condições necessárias para que ele chegue a tempo no trabalho, uma das alternativas usadas é pegar um mototaxista. Quando um funcionário se acidenta na tentativa de chegar ao serviço, quem fica com o prejuízo é a empresa. “Como ele estava vindo ao trabalho, a empresa fica responsável pelo acidentado e ainda tem desfalque dessa pessoa no serviço. Tudo isso devido à maneira indevida e não oficial de chegar ao trabalho”, enfatizou.
O presidente da FCDL/AM salienta que a preocupação com a demora da chegada do funcionário, os custos gerados por eventuais acidentes e a perda de faturamento pela ausência do empregado refletem significativamente no resultado das empresas. “Precisamos de uma solução para que tenhamos tranquilidade com nossos clientes e funcionários”, afirmou.
Preço da passagem é insuficiente para custear renovação da frota, argumenta Transmanaus
O problema do sistema de transporte coletivo da capital amazonense foi tema de reunião almoço realizada ontem, na sede da CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus). Participaram do evento, além da entidade, a FCDL/AM e a empresa de ônibus Transmanaus, assim como comerciantes da cidade.
O diretor de Recursos Humanos da Transmanaus, Roberto Chagas, admite que o comércio acaba sendo um dos setores que mais sofre com a desordem do transporte do coletivo. “Alguns segmentos sofrem impacto direto da nossa atividade. No Distrito, o problema não é tão grave porque, normalmente, as empresas têm suas rotas. Mas, no comércio e na construção civil, isso não existe”, detalhou.
Segundo Chagas, a frota atual é de 1.460 ônibus, mas 40% dos veículos precisam ser renovados. “A média de idade para a troca da frota é de seis anos e hoje a gente tem ônibus com mais de dez. Só que aí você precisa ter saúde financeira para a substituição. Nesse caso, é preciso estabelecer um valor da passagem que tenha incluído os gastos com manutenção”, ponderou.
O diretor salientou que o contrato firmado de concessão do transporte coletivo previa reajustes anuais e não está sendo obedecido. Hoje, conforme o dirigente, os empresários de ônibus recebem R$ 1,49 de cada tarifa, valor que, nas palavras do diretor da Transmanaus, não garante a troca de ônibus, apenas “as despesas para sobrevivência”.
A empresa está lutando na Justiça para que a tarifa seja alterada para R$ 2,69, preço calculado pela Fipe/USP (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo) a partir das despesas e manutenção da frota.
De acordo com o diretor, a tarifa atual de R$ 2,25 é uma das menores do país e se o reajuste acontecesse hoje, o processo de renovação começaria de imediato e, provavelmente, boa parte do percentual da frota seria substituída até 2011. “Talvez o número de ônibus que circulam pela cidade fosse até suficiente, desde que todos estivessem funcionando, sem tantas paradas para manutenção”, finalizou.







