As taxas de operações de crédito registraram queda em julho deste ano, mesmo com a elevação da taxa básica de juros (Selic) promovida pelo Banco Central, de acordo com pesquisa da Anefac.
A entidade enumerou os seguintes fatores para justificar o movimento: o bom momento que passa a economia brasileira, a normalização do mercado externo após período de grande turbulência provocado pela crise nos países europeus (Grécia, Portugal e Espanha); a volta do crescimento econômico nas principais economias; a normalização do crédito no mercado internacional; a redução dos índices de inadimplência; a maior competição no sistema financeiro.
Das seis linhas para pessoa física pesquisadas, somente o cartão de crédito rotativo manteve sua taxa de juros média inalterada. As demais foram reduzidas no mês.
A taxa de juros média geral para pessoa física apresentou uma redução de 0,05 ponto percentual no mês, passando de 6,90% em junho para 6,85% em julho (ao mês), sendo esta a menor taxa de juros média desde abril.
Das três linhas pesquisadas para pessoa jurídica, duas foram elevadas (capital de giro e conta garantida) e uma teve sua taxa de juros reduzida (desconto de duplicatas).
A taxa de juros média geral para pessoa jurídica apresentou uma redução de 0,01 ponto percentual no mês, passando 3,86% em junho para 3,85% em julho (ao mês).
“As taxas de juros das operações de crédito bem como as condições de crédito (ampliação dos prazos, aumento do volume emprestado, maior flexibilidade) deverão melhorar daqui para a frente. O ano de 2010 deverá ser extremamente positivo no crédito fazendo com que o volume total do crédito atinja 50% do PIB”, afirmou a Anefac.
Selic terá novo aumento mas abaixo do previsto
Para a Anefac, o bom momento para o crédito se dá também pelas projeções da Selic, já que os analistas voltaram a reduzir. A pesquisa com economistas realizada semanalmente pelo Banco Central, o Boletim Focus, indica que a taxa básica de juros deve chegar a dezembro em 11% ao ano. Isso implica aposta em nova elevação dos juros, de 0,25 ponto percentual, na reunião do dia 1º de setembro. No levantamento anterior, as projeções apontavam para alta de 0,75 ponto.
As estimativas feitas para o IPCA de 2010, índice de inflação que serve de referência para o regime de metas, também recuaram, passando de 5,27% para 5,19% nesta pesquisa, quinta redução consecutiva. Para o próximo ano, no entanto, a mediana das projeções permaneceu pela 17ª semana estacionada em 4,8%. Já para o PIB, as estimativas recuaram de 7,2% para 7,12%.
O ajuste segue alterações já realizadas na semana passada a partir do novo cenário inflacionário traçado pela autoridade monetária na ata do último encontro dos membros do Copom, que apontou menor risco para um cenário inflacionário benigno dado o desaquecimento econômico e a influência deflacionária das economias externas.
Para Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, os números seguem sugerindo a acomodação da atividade econômica no segundo trimestre, embora já existam indícios de uma retomada do consumo a partir de julho.






