Com a economia estabilizada, o país mantém a boa fase de crescimento na indústria. Segundo a Sondagem Industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgada na última terça-feira, 24, o índice de evolução da produção passou de 51,8 para 53,4 pontos no mês de julho. Nas estatísticas da pesquisa, indicadores acima da linha divisória dos 50 pontos indicam evolução positiva.
As indústrias de papel e celulose alcançaram a maior média de pontos e atingiram o maior índice de crescimento, situando-se em 57,4 contra 44,7 do mês anterior. Mesmo assim, nove setores não atingiram a expectativa esperada e alguns ramos, como Refino de Petróleo, Plástico, Produção de Metal e de Veículos Automotores, sofreram uma queda ante o período de junho. As refinarias passaram de 57,5 para 48,9 pontos. As indústrias de plástico saíram de 46,7 para 43,8. A produção de metal e do setor automobilístico recuou de 50,0 e 52,7 para 48,3 e 49,1, respectivamente.
O índice de estoques, contudo, também aumentou. Em julho, os estoques dos produtos finais mantiveram-se acima do nível planejado, com 51,3 pontos. De acordo com a Sondagem, foi a primeira vez no ano que o valor ficou acima das expectativas, já que desde janeiro o indicador ficava abaixo dos 50 pontos. Contudo, a indústria extrativa ainda mantém-se abaixo do estoque planejado, com 41,3. Enquanto a de transformação mensurou um valor de 50,1 pontos.
Apesar do ritmo de crescimento e nível de estoques terem aumentado, a UCI (utilização da capacidade instalada) foi ligeiramente inferior aos valores obtidos no mês anterior, situando-se em 48,4 pontos, contra os 49,1 de junho. O resultado se deve aos 16 dos 26 setores que não alcançaram a capacidade usual, em particular o setor de borracha, que recuou de 47,0 para 40,2 e manteve o pior índice.
Tendência diferente
Apesar de não dispor de números, o diretor-executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra, avalia que o Amazonas segue a tendência do país somente no quesito de produção, mas não no índice de estoque e muito menos na UCI. “O aumento na estocagem não é bom para indústria, porque significa dizer que ela produziu e não entregou para o comércio. Não creio que esta tendência seja válida aqui, já que o crescimento na arrecadação tributária indica um maior faturamento das indústrias. Com um faturamento maior, a entrega também deve ter sido grande. Assim, a UCI no Estado também segue uma linha superior a nacional”, analisou o dirigente.
Por outro lado, o presidente da Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, considera que o levantamento mostra o crescimento da economia e boas perspectivas para o setor. “Isso ocorre no Brasil e em vários estados brasileiros, assim como no Amazonas. Haja vista o crescimento de 54% do faturamento da ZFM [Zona Franca de Manaus] nos primeiros sete meses de 2010”, analisou.
Loureiro explica que a Copa do Mundo contribuiu para o baixo índice da UCI, e lembra que este é um comportamento natural para a indústria. Para ele, o segundo semestre é mais volumoso em termos de negócios, o que justifica o maior estoque para atender a demanda. “Com certeza o PIM [Polo Industrial de Manaus] não fica de fora. Este ano em especial, com crescimento previsto de 7% do PIB [Produto Interno Bruto]”, detalhou o executivo.
Expectativas para agosto são mornas
Para este mês, as expectativas das lideranças do PIM quanto à demanda seguem otimistas, mas um pouco abaixo das previsões indicadas no mês anterior, recuando para 63,1 pontos. No mês passado, o valor ficou em 63,5.
Segundo o levantamento, os empresários pretendem aumentar as compras de matérias-primas, registrando 60,7 pontos. Mais uma vez o número sofre um pequeno recuo ante a marca de 60,9 pontos apontada para o mês de julho.
Loureiro avisa que os indicadores podem aferir picos menores em relação aos dados anteriores, embora a perspectiva seja de expansão. “Poderemos notar maiores altas a partir de setembro, quando a demanda nacional tem seus picos iniciais”, enfatizou.
Embora menos favoráveis, as perspectivas referentes às exportações seguem positivas. O índice alcançado em julho de 52,2 pontos retrocedeu para 51,8 em agosto, se aproximando da linha divisória entre as expectativas otimistas e pessimistas.
Tanto Dutra quanto Loureiro dizem que o número está vinculado à taxa cambial, além dos fluxos negativos de divisas e do aquecimento do mercado interno. “O mercado americano ainda não mostrou firmeza de que saiu da crise. Então, o resto do mundo tem apresentado uma expectativa menor. No entanto, como, a despeito da crise, conseguimos bons resultados, as previsões de exportação devem ser maiores no Estado”, finalizou.






