O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reduziu suas previsões de inflação para os próximos dois anos e vê um risco menor de que o aumento de preços fique acima da meta fixada pelo governo.
A avaliação faz parte da ata da última reunião do Copom, divulgada ontem. Na semana passada, o comitê decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 10,75% ao ano.
A decisão interrompeu o último ciclo de aperto monetário do governo Lula. A taxa Selic começou a subir em abril. Na época, estava em 8,75% ao ano, menor nível da história recente.
Segundo o BC, as pressões sobre a inflação caíram por conta da retirada de parte dos estímulos introduzidos durante a crise de 2008/2009 (redução de impostos e injeção de recursos na economia), ao aumento dos juros e à desaceleração da economia internacional.
O BC avalia que a atividade doméstica continuará a ser favorecida, entre outros fatores, pelo mercado de trabalho, pelos efeitos remanescentes dos estímulos fiscais e das políticas dos bancos oficiais e, em escala menor do que a esperada anteriormente, pela atividade global.
O comitê também afirma que, caso esse cenário não se concretize “tempestivamente”, os juros podem voltar a subir “para garantir a convergência entre o ritmo de expansão da demanda e o da oferta”.
“Caso a inflação não convirja tempestivamente para o valor central da meta estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), a política monetária deve atuar a fim de redirecionar a dinâmica dos preços e, portanto, assegurar que a meta seja atingida”, diz a ata.
Até a semana passada, a avaliação dos economistas era que os juros voltarão a subir, assim como a inflação, no início do próximo governo.
De acordo com o Copom, em “um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza acima do usual, os riscos restantes para a consolidação de um cenário inflacionário benigno estão no âmbito interno”.
As perspectivas para a evolução da atividade econômica doméstica continuam favoráveis, mas de forma menos intensa do que observado no início do ano, segundo o BC. “Essa avaliação é sustentada pelos sinais de expansão mais moderada da oferta de crédito, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas, pelo fato de a confiança de consumidores e de empresários se encontrar em níveis historicamente elevados, mas com alguma acomodação”, diz o Copom.
O BC avalia que a volatilidade e a aversão ao risco mantiveram-se elevadas desde a última reunião do comitê, em julho, apesar de a percepção de risco de crise sistêmica mostrar arrefecimento.
Por um lado, os preços de algumas commodities e ativos brasileiros se elevaram. Além disso, as perspectivas para o financiamento externo da economia brasileira seguem favoráveis. Por outro lado, permanece elevada a probabilidade de que se observe alguma influência desinflacionária do ambiente externo sobre a inflação no Brasil.
“Se elevou a probabilidade de desaceleração, e até mesmo de reversão, do já lento processo de recuperação em que se encontram as economias do G3”, diz o Copom na ata.
BC reduz projeção para inflação em 2011
Em: 10 de setembro de 2010
O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reduziu suas previsões de inflação para os próximos dois anos e vê um risco menor de que o aumento de preços fique acima da meta fixada pelo governo
Redação
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