Decreto institui plano para controlar desmatamento no Cerrado

Em: 17 de setembro de 2010
O Diário Oficial da União publicou na edição de ontem, 16, um decreto instituindo o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado
O Diário Oficial da União publicou na edição de ontem, 16, um decreto instituindo o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado

O Diário Oficial da União publicou na edição de ontem, 16, um decreto instituindo o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado. O plano, anunciado pelo Ministério do Meio Ambiente, apresenta medidas que vão da criação de uma “lista negra” de municípios onde o desmatamento atingiu níveis críticos até a implantação do monitoramento por satélite em tempo real.
O chamado PPCerrado será usado como instrumento para reduzir 40% da emissão de gás carbônico até 2020. A porcentagem foi estabelecida com base na taxa anual média de desmatamento do bioma, observada entre 2002 e 2008.
De acordo com o Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama, que executa o Projeto de Monitoramento dos Biomas Brasileiros (MMA/Ibama/Pnud), o total acumulado de perdas da vegetação nativa até 2002 era de 890.636 quilômetros quadrados (km²) e, em seis anos, foi acrescido de 85.074 km², o que equivale ao valor médio anual de 14.200 km². Considerando a área original de 204 milhões de hectares, o bioma já perdeu, até 2008, quase metade (47,84%) de sua cobertura de vegetação nativa, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente.
Aliado às ações de repressão, o projeto vai levar alternativas sustentáveis para o desenvolvimento dos municípios, envolvendo principalmente produtores de áreas ocupadas com o plantio de soja. As ações vão valorizar a produção de frutos nativos, num projeto envolvendo quebradeiras de coco de babaçu, quilombolas, bordadeiras que utilizam sementes e produtores extrativistas do jenipapo na produção de licor e de azeite de coco de babaçu.

Áreas do desmatamento

O desmatamento recente no Cerrado está concentrado no oeste da Bahia – na divisa com Goiás e Tocantins – e no norte de Mato Grosso. As áreas coincidem com as regiões produtoras de grãos e de carvão.
Em todo o bioma, a expansão das lavouras de cana-de-açúcar e de soja, além da produção de carvão e das queimadas (naturais ou provocadas), são os principais fatores de desmatamento. A pecuária também tem contribuição significativa para a destruição do Cerrado, principalmente por causa do modelo de produção extensivo, que chega a destinar mais de um hectare para cada boi.
A devastação do Cerrado também ameaça a oferta de recursos hídricos do país. Considerado “a caixa d’água do Brasil”, o bioma concentra as nascentes das bacias hidrográficas do São Francisco Araguaia-Tocantins e do Paraná-Paraguai.
A proteção do bioma é estratégica para que o governo consiga cumprir as metas assumidas internacionalmente de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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