Discussão sobre camelódromo não mobiliza vereadores

Em: 20 de setembro de 2010
Um dos assuntos mais polêmicos do ano, a retirada dos camelôs do Centro de Manaus e a construção do Shopping Popular (camelódromo), parece não ser interessante para os vereadores da cidade
Um dos assuntos mais polêmicos do ano, a retirada dos camelôs do Centro de Manaus e a construção do Shopping Popular (camelódromo), parece não ser interessante para os vereadores da cidade

Um dos assuntos mais polêmicos do ano, a retirada dos camelôs do Centro de Manaus e a construção do Shopping Popular (camelódromo), parece não ser interessante para os vereadores da cidade.
O descaso com que os parlamentares da CMM (Câmara Municipal de Manaus) vêm tratando o problema é visível até aos olhos mais leigos. Na quinta Sessão Especial para se discutir o assunto, realizada na última sexta-feira, apenas três vereadores encontravam-se no plenário. Entre os presentes Drº. Gomes (PMN), Ademar Bandeira (PT) e José Ricardo (PT).
Na sessão realizada dia trinta do mês passado o Presidente da Casa, Luiz Alberto Carijó (PTB), prometeu a instalação de uma comissão de vereadores que juntamente com os vendedores iria à Brasília solicitar dos órgãos competentes atitudes para a resolução do impasse. “Formaremos uma comissão independente somente com aqueles parlamentares que não estão concorrendo nesse pleito, para que juntamente com os vendedores possam ir à Brasília defender esse projeto que é de total importância para a revitalização da nossa cidade”, discursou. O que, de acordo, com o presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes de Manaus, Raimundo Ferreira, não passou de promessa eleitoreira. “Estamos passando por um período difícil por causa das eleições, esperávamos que a CMM nos desse mais apoio, até agora só o que temos visto é muito falatório e pouca atitude por parte da maioria dos vereadores”, ressaltou.
A novidade na Sessão ficou por conta da tão esperada participação do Representante da ANTAQ em Manaus (Agência Nacional de Transporte Aquáviário), Aglair Cruz, que apresentou propostas para o desenrolar do entrave. “A obra padece de falta de autorização do órgão federal por ser uma área de patrimônio público é necessário que o governo federal se pronuncie a respeito, precisamos analisar todos os pormenores do projeto”, falou.
Aglair disse que um representante da agência de Brasília estará em Manaus, na próxima, semana, para acompanhar o prosseguimento das negociações, mas que membros da agência, de Manaus, já estão em contato com o Executivo Municipal para viabilizar o prosseguimento das obras, além de garantir que a agência tem todo o interesse que as obras prossigam, mas que tudo seja feito dentro da legalidade.
O discurso feito pelo representante da ANTAQ foi duramente criticado pelo Diretor da empresa Roadway, Elias Targinele, responsável pela obra. Segundo Targinele, as explicações dadas pela ANTAQ são evasivas e funcionam como uma maneira de ganhar tempo para que o Shopping não seja inaugurado antes do pleito de outubro. “A questão é basicamente eleitoreira, estamos tendo um prejuízo de trinta mil reais dia, quero registrar minha vergonha e indignação com essa situação”, enfatizou.
“Quero que a ANTAQ explique judicialmente por que as lojas Americanas e o PAC podem estar instalados no Porto e o Shopping Popular não”, salientou.
O vereador Ademar Bandeira (PT), requerente da Sessão falou da falta de iniciativa dos demais companheiros no acompanhamento do caso. “Bem antes da audiência do dia trinta, solicitei da mesa diretora a instalação de uma comissão para acompanhar a implantação do Shopping Popular na cidade, porém infelizmente até agora nada foi feito”, relembrou. Indagado pelo Vereador Luiz Ricardo (PT), sobre a quantidade de vendedores a serem beneficiados pelo projeto o Assessor Jurídico da Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento, Lando Ferreira Siqueira; representando o titular da pasta, José Rogério Vasconcelos, garantiu que nenhum camelô ficará desamparado ou fora do Shopping Popular. “A Prefeitura de Manaus tudo fará para que o Shopping Popular seja inaugurado na data prevista e o prefeito já está se movimentando para que isso se torne realidade”

Valores no centro da polêmica

Sobre a polêmica dos valores a serem cobrados dos camelôs, Elias Targinele disse que isso ainda não foi resolvido. Segundo ele, um estudo nesse sentido está sendo feito entre os ambulantes, através do sindicato de classe, para que se chegue a um valor justo. “Estamos trabalhando juntos, pois se o camelô não conseguir pagar a taxa, todos falirão. Se o camelô falir, eu também quebro, pois todos estamos no mesmo barco, então estamos procurando uma tarifa justa, quer dizer, se os camelôs perdem, eu também perco os 8 milhões que investi nessa obra”, esclareceu, desmentindo que o valor do aluguel seja de R$ 250, ou R$ 1 mil, como alguns políticos estão veiculando pela cidade.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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