Arábia Saudita estuda investir na produção brasileira

Em: 5 de outubro de 2010
Em busca de assegurar um fornecimento confiável de alimentos, no longo prazo, uma delegação de 30 representantes de governo e empresários da Arábia Saudita reúne-se com empresas e governo brasileiros na capital paulista
Em busca de assegurar um fornecimento confiável de alimentos, no longo prazo, uma delegação de 30 representantes de governo e empresários da Arábia Saudita reúne-se com empresas e governo brasileiros na capital paulista

Em busca de assegurar um fornecimento confiável de alimentos, no longo prazo, uma delegação de 30 representantes de governo e empresários da Arábia Saudita reúne-se com empresas e governo brasileiros na capital paulista. “Estamos interessados em produzir no Brasil. Esta missão é o início de um processo que, esperamos, tenha sucesso”, afirmou o ministro de Agricultura saudita, que lidera o grupo, Fahad Abduralhaman Bal Ghunaim. O Brasil faz parte de um rol de pelo menos 11 países que os sauditas estudam para investir na produção agrícola.
“A Arábia Saudita precisa garantir o fornecimento de alimentos para a população. Há muito interesse em investir na produção de itens que eles importam, como carnes, açúcar, milho, inclusive por meio de joint ventures”, afirmou o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin. “Estamos muito preocupados com a segurança alimentar”, reforçou o ministro Bal Ghunaim. O governo saudita instituiu um fundo de US$ 1 bilhão para ajudar as empresas locais a investirem em projetos que garantam alimentos ao país no futuro.
De acordo com o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Célio Porto, esta é a mais importante delegação saudita a visitar o Brasil. O grupo veio a convite do próprio Ministério e da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. Do lado brasileiro, há interesse em atrair investimentos para o agronegócio; do saudita, a meta é garantir comida para um país cuja população deverá crescer 42% nos próximos 20 anos, passando de atuais 26 milhões para 37 milhões de habitantes, segundo dados do governo local. Mas não só. Eles também procuram matérias-primas para processar e revender para outros países.
De acordo com Porto, embora os sauditas queiram comprar terras – o que a legislação brasileira restringe – há também interesse em outros arranjos produtivos. “Mostramos a eles que temos um esquema de financiamento do plantio que independe de compra de terras, como já fazem grandes tradings como ADM e Bunge”, disse. “O Brasil tem condições de expandir a produção, mas falta capital. Precisamos de investimento”, disse.
Outro interesse dos sauditas é gerar matérias-primas que possam ser processadas em seu país e depois exportadas para o mundo. O projeto faz parte de um programa mais amplo para reduzir a dependência local do petróleo. Neste sentido, a Arábia Saudita tem elevado sua exportação de alimentos processados, que saiu de US$ 518 milhões em 2001 para US$ 2.5 bilhões em 2007. Eles vendem principalmente açúcar, farinha de trigo e óleos vegetais refinados, sucos e produtos de panificação.

Projetos de investimentos

Ainda não há projetos nem estimativa de investimentos no Brasil, que por ora concorre com pelo menos outros dez já visitados pela delegação (Polônia, Ucrânia, Cazaquistão, Turquia, Egito, Sudão, Etiópia, Camboja, Vietnã, Filipinas). “O mundo árabe não tem condições geográficas e nem água para estimular a agricultura. Eles querem investir no exterior e somos a melhor oportunidade para eles”, disse Célio Porto. Segundo dados apresentados pelo ministro Bal Ghunaim, dentro de critérios como clima, recursos hídricos, estabilidade política e social, entre outros, o Brasil foi o melhor classificado.
A Arábia Saudita depende de outras nove nações para fornecer 90% dos alimentos que importa, entre elas o Brasil, Estados Unidos, Argentina e Índia. Atualmente, os sauditas ocupam a 12ª posição entre os importadores do agronegócio brasileiro. De janeiro a agosto de 2010, os embarques totalizaram US$ 1.18 bilhão, com destaque para a carne de frango (US$ 556 milhões), e açúcar (US$ 363.6 milhões).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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