A valorização do real é mais um problema para a indústria do que para as marcas. A afirmação do presidente da GM na América do Sul, Jaime Ardila, resume a postura das montadoras instaladas no país, que apostaram na produção local, mas podem importar veículos de outras fábricas dependendo da conjuntura de mercado.
“Mas nossa preferência é produzir aqui. Nossa preocupação é com uma desindustrialização do país, que pode acontecer se a valorização do real continuar no ritmo atual”, disse o executivo no Salão Internacional do Automóvel.
Sobre a concorrência com os asiáticos, a presidente da montadora no Brasil, Denise Johnson, afirmou que os concorrentes estão vindo muito rápido e precisam manter a posição. “Temos a vantagem de ter uma forte rede de concessionárias”, completou. O foco, segundo ela, é “pelo menos manter o share”, de 19,9% em automóveis e comerciais leves no acumulado do ano até setembro, considerando que o mercado está em crescimento.
Para o presidente da Fiat na América Latina e também da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores ), Cledorvino Belini, ainda assim o aumento dos importados é preocupante. “Os 35% [restantes] estão crescendo de forma exponencial”. Segundo o executivo, as importações para o Brasil de marcas chinesas e coreanas cresceu 1.200% nos últimos quatro anos. “Acendeu o farol amarelo”.
Para o executivo, é preciso melhorar a produtividade das fábricas nacionais e encontrar alternativas para o aço, um dos produtos que diminuem a competitividade, além da alta carga tributária e dos problemas na infraestrutura brasileira.
Rogelio Golfarb, diretor de Assuntos Corporativos da Ford, acredita que o mercado brasileiro é “suficientemente maduro” e que as importações que equivalem no acumulado do ano à produção de uma grande montadora (18% do mercado de automóveis) não desequilibram a balança da montadora no país. “Os volumes importados não preocupam mas sim a estrutura de custos da indústria. Existe uma diferença competitiva com outros países. Não se pode achar que o câmbio é o único problema.”
O setor prepara um estudo sobre a competividade no Brasil comparada a outros países, que recebem incentivos pesados de seus governos, que deve ser apresentado ao novo presidente em breve. “Sem incentivos pesados em tecnologia e inovação, a concorrência fica desequilibrada.”
Para o presidente da Volkswagen no Brasil, Thomas Schmall, o país tem de enfrentar três problemas -custo de matéria-prima, infraestrutura e qualidade e custo de mão de obra- para equilibrar a balança comercial das montadoras. “Temos ferramentas para fazer isso. Não queremos só aumentar só as importações, mas buscar equilíbrio”.
Segundo o executivo, a montadora está “preparando a casa” para enfrentar o avanço dos asiáticos. “A melhor defesa é com produtos novos.” Um deles será um novo carro popular, para competir com o Fiat Uno, que terá preços menores do que o Gol, o carro mais vendido no país.
Concorrência asiática
Embora admita a preocupação com os asiáticos, Belini, da Fiat, diz que “a concorrência traz o progresso”, enfatizando a necessidade de melhorar os processos produtivos para eliminar os gargalos de produção.
Apesar de disputar com a Alemanha neste ano a posição de quarto maior mercado da indústria automobilística global, o país é apenas o sexto produtor mundial. “O Brasil tem mais de 40 marcas e mais de 600 produtos e versões disputando o mercado”, contabiliza o presidente da Anfavea.
Outro gargalo para a competitividade dos produtos fabricados no Brasil é o ganho real nos salários dos trabalhadores, de acordo o presidente da GM na América do Sul. Ardila afirma que, nos últimos cinco anos, os reajustes obtidos pelos funcionários das montadoras estão acima do aumento de produtividade, “portanto, aumentaram os custos”.
Montadoras esperam aumento de até 5% nas vendas
Para o presidente da General Motors (GM) na América do Sul, Jaime Ardila, o mercado poderá crescer até 5% em 2011. Segundo ele, a companhia deverá produzir 700 mil unidades em 2011, ante 650 mil deste ano. “Com o atual plano de investimentos, prevemos acelerar nosso ritmo de crescimento”, disse. Apenas no próximo ano a GM pretende aplicar R$ 2 bilhões, com recursos do caixa da operação brasileira. Ardila ressaltou ainda que o foco da companhia é a renovação do portfólio de produtos, que deverá seguir até 2012.
O presidente da Ford no Brasil, Marcos Oliveira, ressaltou que a indústria nacional poderá atingir a marca de 3,6 milhões de carros vendidos no próximo ano, frente a uma expectativa de 3,4 milhões para este ano. “Não vemos fundamentos para desaceleração do mercado, diante do crescimento da renda e da expansão do crédito”, completou Rogelio Golfard, diretor de assuntos corporativos da Ford para América do Sul. A Ford elevou este ano em R$ 500 milhões, para R$ 4,5 bilhões, os planos de investimento para o Brasil entre 2011 e 2015.
Para o presidente da Fiat e também da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, as vendas devem manter um ritmo parecido ao deste ano em 2011. Ele ressaltou que, mantido o atual patamar de crescimento, a produção anual poderá chegar a 5 milhões de veículos até 2015. Neste mesmo período, a montadora italiana pretende investir até R$ 10 bilhões no mercado.







