Qualificação não acompanha oferta

Em: 3 de novembro de 2010
Dos 2002 trabalhadores inscritos no Sine Manaus (Sistema Nacional de Emprego), apenas 849 conseguiram uma vaga em setembro
Dos 2002 trabalhadores inscritos no Sine Manaus (Sistema Nacional de Emprego), apenas 849 conseguiram uma vaga em setembro

Dos 2002 trabalhadores inscritos no Sine Manaus (Sistema Nacional de Emprego), apenas 849 conseguiram uma vaga em setembro. O motivo para a pouca mão de obra aproveitada não foi a falta de trabalho, pois estavam disponíveis mais de 1.500 postos. O problema, segundo o coordenador geral do Sine Manaus, Murilo Cunha, foi a falta de qualificação, principalmente, para as vagas destinadas à construção civil.
“Nossa maior demanda está sendo para as áreas desse segmento. Pessoas nós temos, mas o que as empresas querem, sobretudo no canteiro de obras, são profissionais especializados em um tipo de área como pedreiro de acabamento, por exemplo”, esclarece Cunha.
Para o presidente do Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil), Eduardo Lopes, o problema já é antigo e afeta não apenas Manaus, mas todas as capitais que vão sediar a Copa de 2014.
“Além de pedreiro de acabamento, também precisamos de carpinteiros. Há muitas vagas, mas o nosso maior obstáculo é na qualificação desses profissionais. Para tentar solucionar a questão, muitas empresas adotam cursos de qualificação dentro do próprio canteiro de obras”, explica Lopes.
O entrave é justamente no tempo médio de formação desses profissionais. Fazer um curso e garantir a qualificação exigida pelas empresas pode levar de três a cinco anos. E, segundo Lopes, o mercado precisa desse tipo de mão de obra o mais rápido possível para atender à demanda de empreendimentos para a Copa.

“Mercado cresceu”

Já o presidente da Sintracomec/AM (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil no Amazonas), Roberto Bernardes, alega que o problema não é a falta de qualificação, pois de acordo com ele, o mercado cresceu mais que a oferta de profissionais.
“Manaus tem pessoas para as funções específicas, mas o que aconteceu na cidade é que está havendo um aumento no número de construções. E o que tudo indica deverá continuar em um ritmo aquecido e precisando de mais profissionais. Infelizmente, não estávamos preparados para esse crescimento”, contrapõe.
O dirigente afirma que, além dos cursos oferecidos pelas empresas, há outra forma de qualificar a mão de obra. “Às vezes, algumas empresas optam por pegar um servente que tenha experiência ou vocação e acabam treinando. Mas, mesmo assim, isso demanda tempo. A parte teórica dura de dois a três meses e a prática pode levar até cinco anos”, frisou.
Além dos projetos de treinamento nos canteiros de obras, e de cursos oferecidos por órgão públicos, a construção também deverá demandar profissionais de outros Estados para tentar suprir a carência de trabalhadores.
“Já é fato que algumas construtoras estão pegando gente de outros lugares. Tem muita gente que está vindo do Maranhão e conseguindo emprego aqui. Mas, geralmente, esses trabalhadores vêm de cidades que não são sedes de jogos da Copa”, finalizou Bernardes.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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