População mais pobre tem inflação maior

Em: 8 de novembro de 2010
A inflação para a população de menor poder aquisitivo voltou a ser mais expressiva do que a registrada para a de maior renda na capital paulista
A inflação para a população de menor poder aquisitivo voltou a ser mais expressiva do que a registrada para a de maior renda na capital paulista

A inflação para a população de menor poder aquisitivo voltou a ser mais expressiva do que a registrada para a de maior renda na capital paulista. Segundo levantamento realizado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) por meio do ICV (Índice do Custo de Vida) de outubro, enquanto a variação média do indicador foi de 0,93% em São Paulo, o indicador específico para os mais pobres registrou forte taxa de 1,18% e o que engloba o custo de vida dos mais ricos avançou 0,79%.
Além do ICV geral, o Dieese calcula mensalmente mais três indicadores de inflação, conforme os estratos de renda das famílias da capital paulista. O primeiro grupo corresponde à estrutura de gastos de um terço das famílias mais pobres (com renda média de R$ 377,49); e o segundo contempla os gastos das famílias com nível intermediário de rendimento (renda média de R$ 934,17). Já o terceiro reúne as famílias de maior poder aquisitivo (renda média de R$ 2.792,90).
No primeiro estrato, o ICV de outubro foi 0,57 ponto percentual maior do que a variação positiva de 0,61% do mês anterior. No terceiro, de renda maior, a taxa de inflação foi 0,30 ponto superior à de setembro. No grupo intermediário, o ICV passou de 0,59% para 1,08%.
De acordo com o Dieese, a alta média de 2,47% do grupo Alimentação (2,47%), que teve origem, principalmente, nos produtos in natura e semielaborados, tais como o feijão (36,32%) e as carnes bovinas (4,60%), afetaram mais as famílias do primeiro e do segundo estratos, com contribuições no cálculo de suas taxas de 1,07 ponto percentual e de 0,89 ponto, respectivamente. O impacto na taxa do terceiro estrato foi bem menor: de 0,50 ponto percentual.
Em contrapartida, a instituição destacou que os aumentos médios verificados nos grupos Transporte (1,07%) e Habitação (0,55%), que tiveram origem em reajustes de itens, como condomínio (1,26%) e combustíveis (2,62%), impactaram mais as taxas das famílias com maiores rendas, com contribuições conjuntas em seus resultados de 0,15 ponto para o ICV dos mais pobres; de 0,24 ponto para as famílias do estrato intermediário; e de 0,35 ponto percentual para as do terceiro estrato.
No campo dos alívios à inflação, o Dieese informou que a queda de 0,52% apresentada pelo grupo Saúde, originária do subgrupo Assistência Médica (-0,67%), resultou em maiores benefícios, na medida em que a renda familiar cresce.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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