O Tesouro Nacional terá que combinar com os “russos” se quiser ser bem sucedido no novo programa de emissão de títulos da dívida externa atrelados ao real, os BRLs, mecanismo que será lançado em breve pela equipe econômica como suporte às medidas de combate à guerra cambial.
Para a estratégia dar certo, será necessário que o investidor estrangeiro, que nos últimos anos tem tradicionalmente aplicado os seus recursos nos papéis da dívida interna, decida comprar os títulos fora do Brasil.
Desde 2006, o governo adotou uma política de estímulo à entrada dos estrangeiros no mercado de dívida interna para aumentar a demanda nos leilões e ajudar na queda das taxas de juros de longo prazo no país.
Como os estrangeiros têm maior apetite pelo risco (concentrado nos papéis prefixados com vencimentos mais longos, que garantem maior rentabilidade), a estratégia do governo foi a de atraí-los para o mercado interno com a expectativa de que esse movimento de maior competição na chamada “ponta longa” de juros tivesse reflexos positivos também nas taxas de juros de curto prazo.
Esse mercado para os estrangeiros cresceu ainda mais depois que o Brasil conquistou o grau de investimento das três principais agências internacionais de classificação de risco.
Agora com o cenário internacional desfavorável para o câmbio brasileiro, em que os países estão adotando medidas isoladas para combater a guerra cambial, o governo resolveu “ressuscitar” as captações em reais.
Para cada US$ 1 bilhão que o Tesouro vender lá fora, é menos US$ 1 bilhão que entrará no país.
Uma questão que ainda não foi clareada pelo governo é sobre os montantes que serão emitidos nos leilões internacionais. Para ter um efeito de fato no mercado de câmbio, o governo terá que lançar volumes significativos lá fora.
Caso contrário, essa alternativa não se mostrará viável para quem quer investir em papéis brasileiros, forçando o ingresso para aplicações em títulos tradicionais negociados no mercado nacional de prazo longo, como as NTN-B (indexadas à inflação) e as NTN-F (prefixadas de longo prazo).
Emissão externa de títulos em real será o novo desafio do Tesouro em 2011
Em: 8 de novembro de 2010
Desde 2006, o governo adotou uma política de estímulo à entrada dos estrangeiros no mercado de dívida interna para aumentar a demanda nos leilões e ajudar na queda das taxas de juros de longo prazo no país
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Veja também

Tecnologia transforma a experiência da fé no Brasil
22 de setembro de 2026

79% das PMEs não definiram migração no Simples, aponta Omie
22 de setembro de 2026

Brasileirão é a décima liga com mais estrangeiros entre as principais do mundo
22 de setembro de 2026


IA cresce em pequenas empresas, mas dados limitam resultados
22 de setembro de 2026

Ônibus voltam a circular em Manaus após paralisação por atraso no pagamento
22 de setembro de 2026

